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Entrevistas

“Igreja deve ser agente educador de uma nova postura social”, ensina pastor

Presidente da Assembleia de Deus em Gravataí fala sobre a igreja e seus desafios.

Michael Caceres

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Pastor Paulo Pereira, da AD Gravataí (Foto: Divulgação)

Com 35 anos de ministério, o pastor Paulo Pereira, presidente da igreja Assembleia de Deus em Gravataí, no Rio Grande do Sul, acredita que “tudo está no controle de Deus”, ainda que Ele não seja o responsável por causar à pandemia do coronarívus.

Casado com a pastora Ceiça Pereira, com 33 anos de matrimônio, o casal tem três filhos. Pereira também é diretor da Escola Teológica Antioquia, responsável pela formação dos obreiros da igreja.

Durante a crise da covid-19, a igreja reforçou os trabalhos sociais desenvolvidos há anos, promovendo inclusive uma feira para doação de alimentos com o objetivo de atender as necessidades da comunidade.

Em entrevista ao Gospel Prime, o pastor Paulo Roberto Pereira fala sobre Igreja, fé, liderança, Brasil e futuro.

Leia à íntegra da entrevista:

Como o senhor vê este período que estamos vivendo?

Quando a pandemia estava chegando com os primeiros casos do covid-19 no Brasil, eu estava chegando de minha segunda viagem a Israel neste ano de 2020. Inclusive meu voo com Escala em Roma 05/03 fora cancelado, e precisei antecipar meu retorno para dia 04/03 e passando por Roma já encontrei um aeroporto vazio com centenas de voos cancelados. Essa impressão já me fez entender a gravidade do que estava acontecendo.

Ao chegar ao Brasil, em Gravataí já pude alertar a Igreja e movimentar este grande campo sempre um passo à frente, tomando medidas preventivas e logo percebendo as consequências que não seria somente o contágio do vírus, mas também os desdobramentos de crises sanitárias, sociais, emocionais, econômicas, políticas, etc. Assim, juntamente com a Diretoria e o Ministério pastoral passamos a realizar algumas ações para ajudar a igreja e a sociedade, amenizando o sofrimento desta Pandemia.

Entendemos que era o momento de investir mais diretamente nas pessoas. Apesar que as construções e melhorias nos templos tem por finalidade as pessoas, pensei que através de ações humanitárias e de amor ao próximo, o Evangelho do Senhor Jesus seria melhor compreendido.

O que mudou na sua vida desde que iniciou a crise pelo coronavírus?

Como pastor, aprendemos a trabalhar para vermos nossas igrejas lotadas, em seus cultos e eventos. Ver visitantes e convidar o máximo possível de pessoas a virem ao templo. De repente precisei ensinar os membros e congregados a se afastarem um dos outros, como medidas sanitárias. Isso me doeu muito. Apesar de que na sabedoria de Deus, ampliou nossa possibilidade de alcançar vidas com o Evangelho através das transmissões de cultos e ações.

Acredita tratar-se de um sinal dos tempos?

Sim, acredito que nossa geração não tinha ainda experimentado uma situação mundialmente abrangente. Está mostrando que os sinais bíblicos da vinda de Jesus podem acontecer num piscar de olhos, de forma global. Todavia, são princípios de dores.

Quais têm sido os desafios da Igreja durante a pandemia?

Os desafios da Igreja durante a pandemia estão ligados a sua missão de servir e anunciar o Evangelho. Como atender os membros em tempos de distanciamento e isolamento com os sacramentos, tais como Ceia do Senhor, Sepultamentos, Casamentos, etc. depois adaptar e pulverizar mais reuniões para acomodar os membros e visitantes nos templos.

A AD Gravatai é uma valorosa denominação quanto aos desafios sociais e tem sido solidária em todas as ações que visam minimizar o sofrimento das pessoas.

A Igreja deve perceber este período como uma oportunidade de avivamento?

Precisamos perceber sob que perspectiva falamos em avivamento. Sem dúvida tem havido uma busca por Deus bem mais intensa nestes dias. O avivamento da Fé é uma necessidade atual. Ela vem pela pregação da Palavra, e nunca se teve uma oportunidade tão grande e com tantas igrejas e pregadores de se pregar a Palavra de Deus!

De que forma os líderes devem se preparar para o pós-pandemia?

Nesse momento tenho dito que o foco deve ser as pessoas em suas debilidades e limitações sociais, emocionais, econômicas e espirituais. Acho que investimentos em melhorias e construções pode aguardar mais.

O que poderá mudar na igreja como instituição depois que passar essa crise?

Acho que como instituição a igreja deverá ser um agente educador de uma nova postura social. Será inevitável ter a igreja online e a igreja presencial no templo. Mas a forma de envolver os membros, cultuar, dizimar passará por um processo de adaptação e mudanças.

Como os líderes devem se preparar para a retomada das atividades, levando em consideração todos os desafios que surgirão?

Acredito que os templos nos próximos meses, ou até um ano deverão cuidar com a higienização mais detalhada.

Qual conselho o senhoria daria aos empreendedores para o pós-pandemia?

Aos empreendedores cristãos eu digo que é tempo de nos unir. Temos um potencial extraordinário de um network de milhares de crentes e conectados por grupos e redes sociais. Aqui na AD Gravatai temos uma ação que divulga toda e qualquer atividade econômica dos irmãos. Vendas, serviços, etc, oferecendo produtos.

O Brasil continuará trilhando um caminho de bênçãos?

Quanto ao Brasil, infelizmente terá muitas dificuldades para avançar na rota rumo ao crescimento, pois se estabeleceu um estado de divisão. Falta unidade dos poderes institucionais. A politização em torno da Pandemia e disputa de vaidades tem machucado e dividido a nação. Os investimentos não virão em um clima instável.

Devemos pedir unidade na nação.

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