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Opinião

Ideologia e idolatria são quase a mesma coisa

O evangelho deve ser o baluarte da maior esperança deste mundo

Maycson Rodrigues

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Protesto em favor do comunismo. (Foto: Arie Wubben / Unsplash)

Não é um crime concordar com uma escola “x” do pensamento político. Todos nós temos e permaneceremos tendo escolhas e preferências político-partidárias, que carregam em si premissas ideológicas objetivas.

O problema se dá quando elevamos uma maneira de pensar o mundo e descrever a realidade à condição de verdade absoluta e que é capaz de solucionar todas as demandas deste mundo caído.

Tim Keller nos dá uma visão bastante coerente do assunto:

“A palavra ideologia pode ser usada para designar qualquer conjunto de ideias sobre um assunto, mas também pode ter uma conotação negativa próxima à de uma palavra parecida, a idolatria. Uma ideologia, assim como um ídolo, é uma descrição parcial e limitada da realidade que foi promovida ao nível da palavra final sobre as coisas. Ideólogos acreditam que a sua escola ou partido têm a resposta real e completa para os problemas da sociedade.”

Há uma proximidade muito grande entre ‘ideologia’ e ‘idolatria’, e isso se dá porque ambos capturam o coração humano por meio de proposições que retiram a centralidade de Deus e sugere que a razão é capaz em si mesma de erradicar as injustiças e promover a paz e o bem estar social.

Ou seja, o homem é a resposta última para os problemas que ele mesmo provoca.

A questão maior se dá justamente neste ponto. O homem é o problema e nunca poderá ser a solução. Nenhuma política pública “salvará” o pobre, bem como nenhuma escola do pensamento político poderá estabelecer um tempo de paz e prosperidade em uma nação.

A democracia tem suas limitações. O Estado não pode proteger 100% o cidadão nem mesmo garantir-lhe todos os direitos. Há dimensões da sociedade que carecem de uma atuação mais transcendente – e é aí que a ideologia falha.

Cristãos que se deixam consumir por uma paixão ideológica acabam adulterando a própria fé, pois os problemas da sociedade podem até ser minimizados através das proposições políticas de uma escola como a Austríaca ou a de Frankfurt, contudo jamais serão sanados no seu potencial máximo por estes ideais.

A cura social é possível por outro remédio: o evangelho, que deve ser o baluarte da maior esperança deste mundo. Cristo e o Seu Corpo – que é a Igreja – são os agentes essenciais da redenção humana.

Quanto mais filhos de Deus reproduzem os valores e as práticas de Jesus, menos injustiça, violência, corrupção e fome serão noticiadas na TV e na Internet.

Quanto mais gente encarnando a mensagem do Filho de Deus, mais liberdade e igualdade serão promovidas na sociedade. As estruturas malignas que promovem fome, violência e injustiça podem ser fragilizadas por meio de uma atuação coletiva dos milhões de convertidos ao verdadeiro evangelho.

Enquanto o ser humano pensar que somente o próprio ser humano poderá redimir a Terra, a mesma permanecerá sofrendo com suas produções de maldade e iniquidade. Quando a Igreja bradar pelas palavras e por boas obras a verdade de quem Deus é em Jesus, a Terra e seus habitantes verão de forma final que nenhuma ideologia é suficiente para mudar as coisas.

A ideologia dialoga com todo sentimento idólatra que há no coração humano. O evangelho atropela toda idolatria no coração e tem o poder de estabelecer a verdadeira paz e prosperidade entre os homens.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.