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Opinião

Há temas proibidos na igreja?

É uma visão para lá de utilitarista que vemos infelizmente muito no meio cristão.

Leandro Bueno

em

Estou lendo o recém-lançado e ótimo livro OS IMPROVÁVEIS DE DEUS, da conhecida cantora gospel Nívea Soares. Entre vários assuntos, esse livro relata um tema delicado que ela vivenciou na igreja, o racismo, por ser negra, e como isso lhe causou profundas dores interiores. E o que ela fala que me chamou mais atenção é que é um tema, como vários outros, que não se fala na igreja. Uma espécie de tabu.

Pensando sobre isso, eu estava refletindo como isso, de fato, é uma realidade. Existem temas super-importantes na vida de qualquer pessoa, que realmente não são debatidos na igreja e que acabam causando graves danos, alguns ao longo do tempo. Não é por outra razão que infelizmente temos visto irmãos adoecidos psicologicamente falando.

Longe de ser um vitimismo ou recalque da cantora, estou certo de se tratar de uma realidade que já pude observar, ainda que veladamente, algumas vezes na minha caminhada cristã e que deixou muitos feridos pelo caminho.

Eu e minha esposa, por exemplo, temos uma amiga negra que canta demais, sendo sempre chamada para os eventos musicais, porém, depois que eles acabam, raras foram as vezes que ela foi chamada para ir tomar um lanche com os irmãos fora da igreja ou para outra atividade que não dissesse respeito à música.

É uma visão para lá de utilitarista que vemos infelizmente muito no meio cristão. Eu, mesmo me deparei com uma situação como esta na minha biografia. Até os 23 anos, eu era visto com desdém por pessoas da minha comunidade, que me achavam estranho, basicamente pelo fato de gostar de trajar roupas pretas o tempo todo.

Interessante foi ver que quando, na citada idade, passei em um importante concurso público (algo que muita gente vê como uma espécie de  Olimpo, aqui em Brasília), a coisa mudou da água para o vinho.

Ali, eu passava  a encarnar para esse povo o “doutor” a ser respeitado e bajulado e não mais o garoto estranho da véspera. Isso é triste demais, mas, graças a Deus, nunca misturei Deus com as pessoas da igreja. Se o fizesse talvez hoje não estivesse mais vinculado a nenhuma igreja, tal era a pressão que sofria.

Um outro exemplo, a meu ver, se dá no campo da sexualidade. Apesar de ser um assunto de grande impacto na vida das pessoas e um dos elementos formadores da identidade do indivíduo, muitas vezes o que é pregado nas igrejas ou ensinado se limitar a dizer que homossexualidade é um pecado e que é errado a pessoa transar antes do casamento.

E o interessante é que nossas igrejas estão cheias de homossexuais, alguns, inclusive, se matando, por não aguentarem o fardo de um ambiente que muitas vezes os veem como aberrações e irmãos que querem distância para não serem “mal-vistos”.

E chama a atenção nas estatísticas que já tive a oportunidade de ler, a quantidade de violência doméstica de homens que se dizem cristãos às suas esposas, em um machismo perverso, fora inúmeras outras disfunções gravíssimas na área sexual. Quem trabalha em aconselhamento pastoral sabe perfeitamente do que estou relatando, e que passa despercebido na mente de muitos irmãos na igreja.

Diante destes e outros assuntos, acho que falta em muitas igrejas um debate maduro e honesto sobre tais questões. Ao que parece na mente de muitos é como se assuntos como estes não lhes dissesse respeito, pois seriam temas afetos apenas aos do “mundo”, ou desviados. É uma imaturidade impressionante pensar assim.

A imaturidade se dá no momento que a Bíblia é clara em nos dizer que todos somos iguais, pois pecadores carentes das misericórdias de Deus, conforme podemos ver em 1A Timóteo 1:15-17. Daí, a importância de uma oração como a que Davi fez em Salmos 139:23-24, ao pedir a Deus que sondasse o seu interior, vendo se em sua conduta se havia algo mal e pedindo ao Eterno que lhe dirigisse pelo caminho eterno.

Concluindo, nós, como cristãos, não podemos atuar de forma imatura e alienada de achar que, por acreditarmos em Jesus e O termos como nosso salvador pessoal, tal fato nos blinda de questões como as que citei e várias outras, nos fazendo espécie de “seres especiais” em comparação com aqueles que muitas vezes julgamos de ímpios. Amém.

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