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arqueologia bíblica

Fortaleza cananéia descrita na Bíblia é descoberta no sul de Israel

Achado arqueológico confirma situação geopolítica da região no período dos juízes.

Michael Caceres

em

Fortaleza Galon
Fortaleza Galon (Divulgação/Autoridade de Antiguidades de Israel)

Uma antiga fortaleza cananéia de meados do século 12 a.C., que remota aos dias dos juízes bíblicos, foi encontrada pela Autoridade de Antiguidades de Israel e voluntários em uma escavação perto de Kirat Gat, cidade que fica ao sul do país.

O sítio arqueológica está sendo aberto para visita gratuita do público, em uma colaboração entre a Autoridade de Antiguidades de Israel e o Fundo Nacional Judaico (KKL). O achado arqueológico confirma relato bíblico sobre a realidade geopolítica dos tempos dos juízes.

De acordo com os arqueólogos Saar Ganor e Itamar Weissbein, trata-se de uma comprovação do período em que cananeus, israelenses e filisteus lutavam entre si. “Nesse período, a terra de Canaã era governada pelos egípcios e seus habitantes estavam sob sua custódia”, disseram.

Eles explicam que o lugar passou a ser palco de uma série de disputadas territoriais depois que israelenses e filisteus passaram a atuar no cenário. Enquanto os israelenses estabeleceram assentamentos não fortificados nas montanhas de Benjamin e da Judéia, os filisteus se assentaram na planície costeira do sul e estabeleceram cidades como Ashkelon, Ashdod e Gat.

Com o objetivo de expandir seus territórios e conquistar mais terras, os filisteus decidiram confrontar os egípcios e os cananeus na fronteira. Eles afirmam que é muito provável que os limites de território ia até o rio Guvrin, entre o reino filisteu de Gat e o reino cananeu de Laquis.

Fortaleza Galon

Os pesquisadores afirmam que a fortaleza de Galon parece ter sido construída como uma tentativa cananéia de lidar com a nova situação geopolítica, considerando muito provável que houvesse colaboração egípcia para gerenciar a situação local.

No entanto, em meados do século 12 a.C., os egípcios deixaram a terra de Canaã, o que possibilitou a invasão e destruição das cidades cananéias em um ataque pode ter sido liderado pelos filisteus. Os estudiosos afirmam que o achado reforça a tese de instabilidade na região.

Segundo Ganor e Weissbein, as histórias dos juízes na Bíblia demonstram claramente a complicada realidade geopolítica e a luta pelo controle dos territórios durante o estabelecimento de novos poderes políticos na terra de Israel.

Em Juízes capítulo e versículo 5, é possível ler: “E acharam Adoni-Bezeque em Bezeque, e pelejaram contra ele; e feriram aos cananeus e aos perizeus”.

A estrutura do achado demonstra que a fortaleza segue estruturas chamadas de “casas do governador”, com técnicas egípcias já conhecidas em outras escavações em Israel. A construção está em um local estratégico, de onde é possível observar a estrada principal que acompanha o rio Gruvrin, estrada que liga a planície litorânea à planície da Judéia.

O local mede 18 por 18 metros, sendo que foram construídas torres de vigia nos quatro cantos, com um grande limiar esculpido em uma única rocha pesando cerca de 3 toneladas que foi preservado na entrada do edifício. Dentro da fortaleza havia um pátio pavimentado com lajes de pedra e colunas, sendo que os quartos foram construídos de ambos os lados do pátio.

Além de toda a estrutura física da fortaleza, centenas de vasos de cerâmica, alguns ainda inteiros, foram encontrados nas salas da fortaleza, incluindo vasos especiais como tigela e xícara que provavelmente eram usados ​​para rituais religiosos. Um grande número de tigelas também foram encontradas nos quartos, algumas das quais foram feitas em um estilo que imita tigelas egípcias, segundo o Breaking Israel.

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