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Estudos Bíblicos

Fé e perguntas “sem” respostas

A fé só tem sustentação quando sabemos quem é, de fato, Deus em nossas vidas

Leandro Bueno

Publicado

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Na Carta aos Hebreus, capítulo 11, versículo 1, temos talvez a mais conhecida definição do que seja FÉ. Ela é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem.

Ao refletir sobre este trecho nas minhas férias, eu cheguei a conclusão de que em face de tais características, a fé só tem sustentação quando sabemos quem é, de fato, Deus em nossas vidas e temos um relacionamento pessoal com Ele.

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Só tais circunstâncias nos permitem, em um mundo tão secularizado e desesperançado, ter confiança em Deus, principalmente quando nos deparamos em nossas vidas com aquelas perguntas que aparentemente nunca teremos respostas satisfatórias. E aqui é o ponto que gostaria de estar tecendo breves considerações neste artigo.

No nosso mundo, eu diria que a maioria das coisas ocorrem de uma determinada forma, que pode ser perfeitamente explicada cartesianamente, ou seja, em uma relação do tipo ação/reação.

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Em outras palavras, é como se eu dissesse que tal fenômeno ocorreu por causa de uma razão específica X ou Y e se eu voltar a vislumbrar aquela mesma causa, o fenômeno ocorrerá novamente de forma idêntica e aferível por nós.

É o chamado método científico, inaugurado pelo cientista (cristão) Francis Bacon. Ocorre que o problema aparece para as chamadas fatalidades da vida, que aparentemente não possuem nenhuma explicação racional e lógica para terem ocorrido e ocorreram, nos deixando desolados e prostrados.

A bem da verdade, são coisas que podem perfeitamente ocorrer com qualquer cristão, apesar de muitas igrejas, em seu mentiroso evangelho triunfalista, negarem isso. É como se nestas igrejas, aceitar a Cristo fosse uma espécie de blindagem contra todo o mal que existe neste nosso mundo, porém, os exemplos de tragédias nas vidas de milhares de cristãos nos mostra a falácia deste tipo de pregação rasteira e rasa.

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Não dá para engolir também aquele tipo de evangelho “fast-food”, que diz: Vá para a “nossa” igreja (se for outra denominação “não serve” ) e “pare de sofrer“ , com aquela ideia de que o sofrimento seria extirpado como em um passe de mágica, bastando para tanto, chacoalhar a pessoa e gritar para toda a vizinhança ouvir: “sai, demônio”, ou “está amarrado”.

Neste sentido, pense, por exemplo, em milhares de crianças que não vão chegar a dois anos de idade, em face de um câncer devastador ou da situação de desolação que ficamos quando vemos milhares de africanos, em fotos, morrendo de fome ao lado de urubus que pousam dos seus lados. Ou do caso que presenciei de um pastor da igreja em que minha esposa apresentou uma bela cantata de Natal tempos atrás e que celebrou um culto felicíssimo, que abençoou toda a congregação, para na manhã seguinte ser morto em um trágico acidente de trânsito, pela imprudência de um motorista.

Quais respostas concretas eu daria para essas situações, sendo uma pessoa de fé? A resposta é NÃO SEI, até porque ter fé em Deus não significa necessariamente ter respostas para tudo ou saber tudo. Quer age assim, dizendo saber tudo, por ter fé, é um surtado, alguém digno de pena a necessitar de tratamento psiquiátrico.

Faço aqui uma analogia da confiança que tenho no meu pai biológico com a confiança e fé que tenho em Deus, meu pai celestial.

Existem inúmeras coisas que eu não entendo na vida do meu pai terreno, até por ele ser extremamente circunspecto e fechado, e talvez morrerei, sem nunca entender. Isso não me impossibilita de reconhecer o seu amor por mim e a confiança que deposito nele. Se isso é fato no meu interior com relação a ele, imagine quando penso em Deus, que é um ser perfeito e de amor.

Ocorre que nesta questão que estou tratando, o triste é quando vemos determinados religiosos querendo ter explicações para tudo, cheios de arrogâncias e pretensiosos demais, com respostas vazias ou extremamente simplistas, quando não eivadas de uma total falta de empatia pelo sofrimento de quem pensa diferente de nós. São os “Super-Crentes”, para usar uma expressão no excelente livro homônimo do dr. Paulo Romeiro, pastor e apologista cristão evangélico e que foi presidente do Instituto Cristão de Pesquisas (ICP) em São Paulo, e atualmente dirige a Agência de Informações Religiosas (AGIR).

Lembro-me de alguns cristãos americanos, por exemplo, quando estourou a epidemia da AIDS em San Francisco, no início da década de 1980, e que logo apontaram os dedos para os homossexuais, dizendo que aquilo era um castigo de Deus. Será mesmo? Ou quando recentemente ocorreu a tragédia do tsunami no sudeste asiático, com morte de milhares de pessoas, e vi religiosos dizendo que aquilo seria uma consequência do fato de que naqueles países muitos adorarem milhares de deuses diferentes. Será mesmo?

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Aí, me pergunto: Será que não seria muito mais coerente com a própria palavra do Evangelho, em vez de apontar ou ficar caçando os “culpados” pelas mazelas, buscar minorar o sofrimento dos nossos semelhantes ?

No caso que citei de San Francisco, um trabalho belíssimo foi desempenhado, à época, pelas irmãs franciscanas que acolheram muitos dos infectados para tratamento, pois em face da histeria e do pouco conhecimento daquela doença naquele período, muitos médicos e hospitais estavam se negando a receber ou prestar um socorro minimamente condizente com a dignidade humana para tais doentes, em face do medo de contágio com a epidemia e das lesões devastadoras da AIDS, já que não havia ainda os famosos coquetéis anti-HIV, que minoraram bastante o sofrimento dos soropositivos em um momento posterior.

Mas, alguém deve estar talvez se perguntado: E como eu vejo a questão do sofrimento e da dor no nosso mundo? Vejo da forma abaixo, que li há muito tempo atrás na internet, em um mero post de Facebook, mas infelizmente não guardei o nome da pessoa para citá-la aqui.

Tente ler um texto escrito com letras brancas numa parede branca. Ou tente viver sem sentir dor. Existem pessoas que não sentem dor. Depois de alguns anos estão com quase todos os ossos do corpo fraturados. E correm risco de morte. A dor, ou sofrimento deste mundo é o contraste necessário para o desenvolvimento da inteligência.

Sem o contraste, o ser não é capaz de aprender nada, pois não existe um retorno do que é bom ou ruim. Tente fazer uma simulação de inteligência em um programa. Você vai precisar informar parâmetros para o programa de forma que ele identifique situações boas ou não para o objetivo final. Estes parâmetros são a dor. Tire a dor e o sofrimento deste universo e a evolução para. Não existe outra forma.

Um universo em que ninguém sofre ou se esforça para evoluir não produz inteligência, a menos que queiramos um Deus que seja uma espécie de “babá eletrônica”, pronto para responder a todos os nossos caprichos e problemas, fazendo-nos de meros espectadores da realidade, ou seja, fantoches.

A partir disso, deixaríamos de ser “history-makers”, como se diz em Inglês, isto é, personagens centrais da História neste planeta. O mandado que Deus nos deu no Éden de cuidarmos da criação teria sido, no mínimo, revogado em parte com um Deus com tais características.

Concluo, este texto, com uma frase de um dos pais da Igreja, o escolástico Tomás de Aquino, que disse certa vez: “Para alguém que tenha fé, nenhuma explicação é necessária. Para aquele sem fé, nenhuma explicação é possível.”

Assim, meu desejo para todos nós é que Deus possa estar renovando a cada dia mais dentro de nós, a chama da fé e da esperança e que tenhamos vontade de estarmos nos achegando a esse amor infinito e às vezes, inexplicável.




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