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Opinião

Evangélicos estão comemorando a morte de Boechat? Que evangélicos?

Cuidado para não chamar uma minoria de maioria!

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Ricardo Boechat
Ricardo Boechat. (Foto: Reprodução / TV Band)
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Ei, muita calma nessa hora. Cuidado com o que você lê e principalmente sai compartilhando na internet. Estão dizendo por aí que “os crentes” estão celebrando a fatídica morte do grande jornalista e comunicador Ricardo Boechat, mas, isto é, como diz o prezado presidente Bolsonaro, “FAKE NEWS!” (tente ouvi-lo falar com sua língua meio presa). “Os crentes” é gente demais.

Há uma pressa em taxar os evangélicos no atual momento. Uma das ministras deste governo é pastora e sabemos do apoio maciço que evangélicos e católicos deram à campanha do presidente eleito. Então, para os detentores da narrativa que reproduz liturgicamente a ideia de que “a religião é o ópio do povo”, vale muito a pena politizar e problematizar/polemizar sobre o fato de um jornalista que já ofendeu um famoso pastor no passado ter morrido e isso significar – para os evangélicos – “o peso da mão do Senhor contra ele”.

Só que a gente está de olho em boa parte dessa mídia que está chorando a perda das eleições e não vamos aceitar que eles nos reduzam a um povo completamente desumanizado, insensível e boçal como muitas vezes eles mesmos se veem quando olham no espelho. Basta que a gente transite por dez minutos no Twitter que já veremos o Catraca Livre publicando este tipo de notícia como se a parte significasse o todo.

A maioria dos evangélicos lamentou e ainda lamenta muito a morte do jornalista Boechat, e se solidariza com sua família. Eu sou um deles. Perdemos um grande comunicador, que era um dos poucos jornalistas com independência e que possuía um microfone de fato aberto para o Brasil ouvir o que estava não apenas em sua mente, mas em seu coração.

Boechat fará muita falta, e grande parte dos irmãos evangélicos pode reconhecer este fato.

Agora, porque uma minoria está publicando comentários irrefletidos na internet vocês desta banda podre da mídia nacional vão repercutir para vender, ou pior, aumentar a difusão da divisão “nós x eles” no país? Vocês querem ver o circo pegar fogo e não estão nem aí para a dor dos que estão de fato sofrendo neste momento. São verdadeiros abutres que só querem consumir o pouco que há de vida e humanidade nesta sociedade que já não está sabendo lidar com tantas tragédias consecutivas.

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E você evangélico que sai “batendo” nos irmãos sem perceber que está sendo usado para difundir essa manobra perversa de desconstruir ainda mais a imagem do cidadão que professa a fé oriunda do evangelho? Procure saber em sua volta quantos irmãos estão dizendo e escrevendo por aí que “Deus vingou o Malafaia” e aí sim, caso tenha provas de que a maioria está embarcando nesta narrativa insana, você terá um motivo justo para publicar sua crítica ou repúdio.

Cuidado com o sensacionalismo gratuito.

Não quero negar a realidade de que existem irmãos ignorantes (para não dizer perversos), fruto de um mau ensino e discipulado nas igrejas locais, e que são verdadeiros destiladores de ódio e preconceito; contudo sou cético quanto a estas “notícias” que já na manchete colocam o todo numa caixinha, pois certamente percebe-se a realidade de que há um intuito de uma distorção maquiavélica dos fatos para estabelecer uma comoção nacional contra uma classe que é importante para a sociedade. Não nos esqueçamos de que somos mais de 50 milhões no país, e isso tem o seu lado positivo e negativo.

A Escritura diz para provarmos os espíritos (1Jo 4.1). Todo evangélico é diferente de alguns evangélicos, assim como toda a mídia é diferente de boa parte da mídia. Generalizar é incidir no erro. Acusar levianamente é demonstrar ausência de competências intelectuais. Os dias são inflamados, dolorosos e sombrios; não precisamos de mais uma pauta desnecessária para se levantar um debate.

Desejo minhas condolências à família do jornalista Ricardo Boechat e que haja mais amor, empatia, sabedoria, espírito solidário e intensidade na oração e na vigilância entre nós evangélicos.

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