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Estudos Bíblicos

Ética Cristã e suicídio

Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 6 do trimestre sobre “Valores cristãos”

Tiago Rosas

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Suicídio. (Foto: Ian Espinosa /Unsplash)

Como nas últimas duas Lições, hoje ainda trataremos também de um tema amargo, mas necessário: suicídio. Infelizmente vivemos numa cultura de morte, disseminada em todo mundo, e que precisamos transformar essa cultura pelo poder do Evangelho.

Imagine você o que são 258 mil pessoas cometendo suicídio todos os anos na Índia? E os 120 mil que põem termo à própria vida anualmente na China?

E os 12 mil que ceifam sua própria vida aqui no Brasil? O inimigo de nossas almas é o grande homicida (Jo 8.44) por trás destas mortes.

Precisamos levantar a espada do Espírito, como a Escola Dominical tem feito muito bem, e triunfar com a vida sobre a morte!

I. SUICÍDIOS NAS ESCRITURAS E NO MUNDO

Na Bíblia encontramos o total de seis casos de suicídio (não contando a morte de Sansão como um suicídio), sendo cinco deles no Antigo Testamento e um no Novo Testamento.

  • No Antigo Testamento

Os cinco suicidas no Antigo Testamento foram:

  1. Abimeleque (Jz 9.54) – o texto bíblico diz que Abimeleque foi atingido com uma pedra de moinho na cabeça que lhe “rachou o crânio” (v. 53, NVI). Certamente, dada a gravidade do ferimento, Abimeleque morreria de qualquer jeito. Ele, em seu último ato orgulhoso, ainda teve tempo de pedir ao seu escudeiro que lhe atravessasse com uma espada, não tanto para apressar a morte ou aliviar-se da dor, mas para não morrer, segundo ele próprio disse, sob a vergonha de ter sido morto por uma mulher, a que lhe jogou a pedra na cabeça. Assim, pode-se dizer que embora Abimeleque não tenha feito por suas próprias mãos o ato suicida – seu escudeiro quem lhe deu o golpe final – não deixa de ser um caso de suicídio já que a morte foi infligida a pedido do próprio.
  2. Saul (1Sm 31.4) – semelhantemente Saul também já tinha sido ferido gravemente na luta contra os filisteus, na qual seus filhos também foram mortos antes dele. Ele morreria certamente pelas mãos dos filisteus, mas para não sofrer tal humilhação, também pede ao seu escudeiro para que lhe atravesse com uma espada. Entretanto, o escudeiro, apavorado, não quis fazê-lo. Então Saul comete o ato suicida com sua própria espada.
  3. o escudeiro de Saul (1Sm 31.4-6) – não teve coragem para tirar a vida de seu senhor, mas vendo-o ali morto, suicidado, faz o mesmo: joga-se sobre sua espada e tira a vida, antes que os filisteus o alcancem.
  4. Aitofel (2Sm 17.23) – alguns homens se matam devido frustração amorosa, outros devido falência financeira, outros para aliviar-se da dor e da tortura que possam ser emplacados pelos inimigos. Aitofel, porém, cometeu suicídio por enforcamento apenas pelo fato de que o seu conselho não havia sido aceito por Absalão e que Deus tinha dado livramento a Davi.
  5. Zinri (1Re 16.18). Zinri não demorou muitos dias no reinado de Israel. Sabendo que não contava com apoio para seu governo e do risco que as tropas do então proclamado rei de Israel, Onri, buscavam para mata-lo, Zinri preferiu antecipar a morte, incendiando o palácio onde estava e no qual morreu queimado.

Vale notar que nenhum desses homens foi um autêntico servo do Senhor. Todos eles, aliás, viveram em pecaminosidade: idolatria, desobediência, violência, conspirações políticas, orgulho e prostituição. E nenhum deles demonstrou fé no final de suas vidas.

E o caso de Sansão?

A maioria dos expositores da Bíblia está de acordo que o caso de Sansão não se assemelha aos cinco que foram elencados anteriormente. Embora também buscasse vingança pessoal pela humilhação que infligiram a ele (Jz 16.28), Sansão não se matou para dar fim ao seu sofrimento e evadir-se da dor, num ato de orgulho e incredulidade. Aliás, o nome Sansão foi colocado na galeria dos heróis da fé (Hb 11.32) justamente porque em seu último ato ele demonstrou grande fé no Senhor!

A última oração de Sansão foi: “Ó Soberano SENHOR, lembra-te de mim! Ó Deus, eu te suplico, dá-me forças, mais uma vez, e faze com que eu me vingue dos filisteus por causa dos meus dois olhos” (Jz 16.28, NVI). Sansão nunca deixou de crer, mesmo humilhado devido seu próprio erro, que Deus é soberano, que Deus é compassivo, que Deus ouve orações e que a sua força provinha dEle. Como é verdade que o suicídio premeditado é um pecado grave contra Deus, jamais Sansão teria recebido de Deus forças para suicidar-se se este fosse o caso, pois, sendo assim, Deus teria tido parte no suicídio daquele nazireu, quando lhe respondeu a oração fortalecendo-o outra vez.

Sansão, o homem que já tinha usado raposas e ossada de jumento para infligir derrotas aos filisteus, usou em sua última batalha seu próprio corpo como um último recurso de vingança. Deus aprovou a morte sacrificial de Sansão e lhe restituiu a força que precisava para dar cabo dos filisteus. Embora cheio de falhas, o crente Sansão cumpriu, vivendo ou morrendo, o propósito para que Deus o criara: “…iniciará a libertação de Israel das mãos dos filisteus” (Jz 13.5).

  • No Novo Testamento

Judas Iscariotes, um dos apóstolos de Cristo, é o único caso de suicídio registrado no Novo Testamento (Mt 27.5). Devido seu coração avarento e ladrão (Jo 12.6), vendeu Jesus por trinta moedas de prata (Mt 26.15). Assim, fez-se “filho da perdição” (Jo 17.12), privando-se da graça de Deus que poderia salvá-lo e assinando com seu próprio sangue a sua sentença de condenação eterna (Mt 26.24).

Como Judas morreu?

Mateus (27.5) declara que Judas enforcou-se. Entretanto, o livro de Atos (1.18) diz que ele caiu e que seu corpo abriu-se. Para que não fique dúvidas, erudito Norman Geisler responde com facilidade esta aparente contradição:

“Esses relatos não são contraditórios, mas mutuamente complementares. Judas enforcou-se assim como Mateus afirma que ele fez. O relato de Atos apenas acrescenta que Judas caiu, e o seu corpo rompeu-se pelo meio, e suas entranhas se derramaram. Isso é exatamente o que seria de se esperar que acontecesse com quem se enforcasse numa árvore sobre um penhasco de rochas pontuadas e sobre elas caísse” . [1]

  • Suicídios no mundo atualmente

Segundo informações do blog Prevenção ao suicídio [2] e com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 800 mil pessoas morram por suicídio anualmente em todo mundo, uma a cada 40 segundos, o que equivale a 1,4% dos óbitos totais. Cerca de 78% ocorrem em países de renda média e baixa. Segundo a OMS (os dados são de 2015), apenas 28 países possuem estratégia nacional de combate à morte voluntária. A média global é de 10,7 por 100 mil habitantes, sendo 15/100 mil entre homens e 8 entre as mulheres.

​O continente que apresenta os índices mais altos é a Europa (14,1); em seguida vem o Sudeste Asiático, com 12,9 suicídios por 100 mil. A taxa dos países africanos é de 8,8 a cada 100 mil, e nas Américas é de 9,5 por 100 mil. No Brasil, que está na oitava posição do ranking mundial de suicídio em números absolutos (cerca de 12 mil por ano), o índice proporcional à população é considerado baixo: 6,3 suicídios para cada 100 mil habitantes.

Entretanto, uma ressalva: como os dados informados à Organização Mundial da Saúde nem sempre são de boa qualidade, então há a possibilidade destas proporções serem bem maiores em cada região/país. Noutras palavras, há a possibilidade de o número absoluto de suicídios no mundo ultrapassarem os 1 milhão por ano!

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Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros: A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira (2016), Biblifique-se: formando uma geração da Palavra (2018), Reflexões contundentes sobre Escola Bíblica Dominical (versão e-book, 2019), e Poder, poder pentecostal: reafirmando nossa doutrina e experiência, à luz das Escrituras Sagradas (lançamento previsto para final de 2019).