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Internacional

“O Estado Islâmico não está morto”, denuncia padre que trabalha no Iraque

Religioso documentou o genocídio das minorias nas mãos dos jihadistas

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Patrick Desbois

Por mais de uma década, o padre francês Patrick Desbois investigou a execução de cerca de dois milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Ele dedicou sua vida a pesquisar o Holocausto, lutar contra o antissemitismo e promover boas relações entre católicos e judeus.

Nos últimos anos, Desbois voltou sua atenção para a perseguição das minorias religiosas implacavelmente atacadas e que se tornaram alvo de genocídio pelo jihadistas do Estado Islâmico (EI). O religioso, autor do livro “A Fábrica de Terroristas: Segredos do Estado Islâmico”, acredita que o EI usa as mesmas táticas usadas pelos nazistas contra os judeus durante o Holocausto.

Segundo o padre, “Todos dizem que o ISIS está morto. Mas com a minha equipe, quando vamos ao Iraque, ainda nos encontramos com os yazidis que acabaram de escapar deles. Recentemente, encontramos uma garota, ela foi vendida 25 vezes para 25 pessoas”.

O padre Desbois diz não ter dúvidas que o EI é uma eficiente “máquina de matar”, operando de maneira semelhante ao que fazia Hitler contra os judeus durante o Holocausto. Os extremistas podem ter perdido o território que dominaram por anos, mas seu ideal continua vivo e sendo espalhado todos os dias.

Ele e sua equipe entrevistaram cerca de 6.000 testemunhas, reunido relatos sobre milhares de massacres e identificaram quase 2.500 locais de execução anteriormente desconhecidos.

Sobre as minorias religiosas no Iraque, incluindo os cristãos, ele afirma: “O EI nos conhece, mas nós não sabemos quem eles são. Por isso precisamos acordar. Temos de manter os olhos abertos, confiar em Deus e encarar a realidade de frente. Caso contrário, um dia desses podemos ser nós as vítimas”.

Desbois relata que entrevistou cerca de 300 yazidis, que contaram histórias tristes sobre estupros, execuções e outros crimes. Seu entendimento é que os membros do EI estão espalhados pelo país e continuam operando de maneira mais discreta, mas igualmente cruel.

Eles chegam em uma aldeia Yazidi e dizem: “não se preocupe, converta-se ao islamismo, coloque uma bandeira branca, nada vai acontecer”. Poucas horas depois, aqueles que se recusam acabam em valas comuns, muitas vezes enterrados vivos.

O padre Desbois diz que é “a mesma metodologia e o mesmo mal” que os nazistas impuseram sobre os judeus.

Treinamento terrorista

Outra situação denunciada por ele é que o EI continua treinando crianças para se tornarem terroristas. Existem locais onde eles dão treinamento militar para meninos entre sete e 11 anos. Testemunhas entrevistadas pelo padre dizem que nesses locais eles ensinam o Alcorão, dão aulas sobre terrorismo como algo bom e exibem vídeos de decapitações e crucificações dos “infiéis”.

“Eles dizem às crianças que todos morreremos, mas que os pequenos têm uma missão de manter vivo [o jihadismo]”, explica Desbois. “Um menino me disse: ‘eles roubaram meu cérebro’.Eu nunca ouvi ninguém dizer isso”. A organização liderada pelo padre está oferecendo acompanhamento profissional para as crianças que passaram por esses campos de treinamento e acabaram traumatizadas. Com informações CBN

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