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Estudos Bíblicos

Escola Dominical: a responsabilidade de cada líder na organização

Superar esses desafios demanda força de vontade, diálogo, sabedoria, atenção, humildade e outras virtudes essenciais à liderança da EBD

Tiago Rosas

em

Lendo a Bíblia. (Photo by Kiwihug on Unsplash)

Segundo Antônio Gilberto, que foi um dos maiores nomes da educação cristã no Brasil, “organização é ordem. É método no trabalho, no viver, no agir e em tudo mais. A organização permeia toda a criação de Deus, bem como todas as suas cousas. A desorganização e a desordem destroem a vida de qualquer pessoa, igreja ou organização secular. Por seu turno, o crescimento sem ordem é aparente e infrutífero. Sim, porque toda energia sem controle é prejudicial e perigosa. Pode haver muito esforço e nenhum crescimento real, porque a desorganização aniquila os resultados positivos surgidos”.

Seguindo orientação do mestre Gilberto, adotamos a tríplice divisão quanto a organização da Escola Dominical: organização de pessoal, de material e funcional. Leiamos atentamente, vejamos onde estamos falhando e percebamos o que precisa ser melhorado em EBD em nossa igreja. Se quisermos multiplicação, precisamos antes de organização!

I. A organização de pessoal (equipe envolvida na EBD)

No que concerne aos dirigentes e docentes da EBD, é importante que exista seleção criteriosa daqueles que estarão à frente da Escola Dominical. Precisam serem membros fiéis da igreja local, terem bom caráter, gozarem de boa conduta e ainda contarem com algumas capacidades que são fundamentais para o trabalho no magistério cristão, como serem alfabetizados, gostarem de ler e terem prontidão para aprender e ensinar.

Vejamos sucintamente as atribuições de cada um, conforme hierarquia na EBD:

a) Pastor – é o principal investidor da Escola Dominical, cuja presença, apoio e divulgação da EBD causará grande impacto na igreja. Um pastor que não gosta de Escola Dominical será prejuízo na certa!

b) Superintendentes (ou diretores) – são o braço direito do pastor na EBD, responsáveis por ajudar na seleção de pessoal, dirigir os trabalhos da EBD, supervisionar as classes e propor eventos voltados para formação continuada dos professores e projetos inovadores para a EBD. Precisam ser atenciosos, estudiosos e criativos!

c) Secretários – são o braço direito dos superintendentes, responsáveis não só por fazerem relatórios dominicais, mas também por manterem o fluxo de informação sobre as oscilações numéricas da EBD e propor junto aos superintendentes medidas para alavancar a matrícula e frequência de novos alunos.

d) Coordenação de departamento infantil – responsáveis pela organização geral do departamento infantil, auxiliando na seleção de professores(as) para este departamento, buscando junto aos superintendentes recursos didático-pedagógicos para melhorar a dinâmica nas classes e propondo encontros regulares para as lideranças do departamento infantil, a fim de aperfeiçoar o seu trabalho.

e) Professores – Embora estejam na ponta, são certamente os de maior relevância na EBD, já que são eles que estarão ministrando as aulas aos alunos todas as semanas, tendo com eles o contato direto. O(a) professor(a) deve:

  • Ler a Bíblia regularmente e estimular seus alunos a fazerem o mesmo
  • Orar diariamente
  • Estar sob a supervisão do superintendente e obediente aos pastores
  • Estar alinhado às doutrinas bíblicas pregadas pela igreja onde serve, ainda que não deva obedecer cegamente
  • Ter sua biblioteca particular e ser um bom leitor e pesquisador
  • Adotar práticas metodológicas, didáticas e técnicas de ensino que ajudem e facilitem o aprendizado, tendo humildade para aceitar críticas e sugestões que melhorem o trabalho, e nunca se julgar autossuficiente.
  • Ter força de vontade de querer aprender mais e mais (participando de seminários, congressos, assistindo aulas voltadas para educação cristã no Youtube, lendo livros, etc.)

f) Alunos – são a “matéria-prima” da EBD, vidas por quem Jesus morreu e que precisam de nós para serem ensinadas e instruídas na gramática do céu (a sã doutrina) e no conhecimento pleno do Senhor (1Tm 2.4). Devem ser amados, buscados, acompanhados, ajudados, orientados, advertidos, repreendidos, consolados, exortados e aproveitados na obra do Senhor! Sobre os alunos, alguns cuidados importantes:

  • Devem ser distribuídos nas classes segundo a faixa etária (nunca multiplicando classes para as quais não existam professores capazes)
  • O professor deve ter uma planilha com nomes, contatos e datas de aniversário de seus alunos
  • Devem ser treinados e aos poucos ingressados na obra, inclusive na própria EBD, se percebido que têm chamada para o ensino ou liderança
  • Devem ser envolvidos na aula, chamados à participação, garantida a oportunidade de falarem, comentarem, perguntarem e tirarem suas dúvidas (em toda boa aula há sempre interação entre o professor e os alunos!).
  • Não importa o número por classe, o professor deve sempre olhar para seus alunos como vidas preciosas que precisam ser cuidadas. Onde estiverem dois ou três alunos, ali deve o professor estar no meio deles!

II. A organização material

Como toda escola, a Escola Dominical também necessita de boa estrutura para acolher o alunado e de recursos que garantam a eficiência do trabalho dos dirigentes e docentes (professores). Especialmente os pastores precisam atentar para os espaços físicos em que funciona a EBD e para os recursos materiais que estão ao dispor dos professores e alunos.

1. O prédio. A Escola Dominical deve funcionar em instalações apropriadas à escola, tendo salas de aula independentes. Uma das leis do crescimento da Escola Dominical afirma: “A Escola Dominical crescerá enquanto houver espaço para as classes”. Todavia, não adianta multiplicar classes, se não há nem espaços físicos para acomodá-las, nem professores dedicados para assumi-las.

O prédio para funcionamento da EBD é geralmente o próprio templo, mas outros ambientes podem ser aproveitados para uma acomodação mais adequada, especialmente se há uma variedade de classes em funcionamentos: ginásios, escolas públicas ou privadas próximas a igreja e que possam ser cedidas para a igreja, casas de membros de igreja, etc. É preciso superar o templocentrismo, isto é, a veneração idólatra do templo, como se a igreja só pudesse se reunir ali dentro de “quatro paredes”. Já experimentou fazer uma aula ao ar livre de vez em quando? “Olhai para as aves do céu”, disse Jesus. Mas quem olhará para as aves do céu trancafiado dentro de um templo?

2. O mobiliário. Deve ser apropriado aos fins e de conformidade com a idade e necessidade dos alunos. Já percebeu como os bancos ou carteiras são muitas vezes inapropriadas para o tamanho das crianças? Já paramos para nos peguntar quantas pessoas idosas deixam de frequentar a EBD por falta de salas bem ventiladas?

3. O material didático. Inclui revistas com as Lições Bíblicas semanais, quadros brancos com pincel e apagador para professores, TV, DVD, som, data-show, etc. O que estamos fazendo em relação ao alto número de alunos que vão à EBD sem a revista em mãos? E os novos convertidos e as crianças que não têm bíblias? Precisamos redirecionar os investimentos da igreja para coisas que realmente importam e que tragam benefícios de longa duração. A EBD precisa urgentemente entrar no radar de investimentos da igreja! Não podemos aceitar uma Escola Bíblica Dominical sucateada, sobrevivendo à base de milagres dominicais!

III. A organização funcional

Este aspecto da organização trata do funcionamento da Escola Dominical, visando a execução de seus objetivos. Grande responsabilidade têm aqui o pastor da igreja e a diretoria da Escola.

A organização funcional cuida da:

1. Espiritualidade. A vida espiritual compreende o estado da escola quanto à oração, conduta cristã, santificação bíblica, consagração a Deus e predomínio do Espírito Santo. De nada adianta muita organização e preparo, sem a operação do Espírito Santo. Dons naturais, personalidade atraente, eloquência, boa dicção, cultura erudita e outras boas coisas, podem influenciar temporariamente apenas. Tais coisas jamais serão suficientes em si, mas podem ser vitalizadas e dinamizadas pela ação poderosa do Espírito Santo. É aí que está a diferença. É oportuno dizer que o Espírito Santo tem uma afinidade especial com a mente treinada, quando santificada” (Antônio Gilberto).

2. O ensino da Palavra. Estudo e ensino da Palavra, livre de extremismo, modernismo, fanatismo, doutrinas falsas, etc. “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina” (1Tm 4.16). Como dizia Claudionor de Andrade, “a igreja avivada tem de ser bíblica, entranhada e essencialmente bíblica”. Não nos esqueçamos: somos a Escola Bíblica Dominical, e como tal, o ensino da Bíblia deve ser nossa principal missão!

3. Eficiência. Temos que nos certificar a cada semana de que nosso trabalho tem surtido efeito no sentido de levar salvação aos descrentes, edificação aos crentes e preparo de novas lideranças para servir a Igreja do Senhor. Especialmente o professor deve ser perguntar: tenho sido eficiente no meu ensino? A própria natureza do trabalho de um ensinador (gr. didaskalia – Ef 4.11) demanda didática; e didática é a arte de bem ensinar. Nada é mais contraproducente do que um professor que não é didático no ensino e nunca pode apontar resultados positivos de seu trabalho!

4. Planejamento. A EBD deve evitar o amadorismo e a recorrente improvisação em sua organização, pois isto revelaria que ela é, na verdade, desorganizada. Reuniões periódicas de liderança para avaliação, correção e melhorias devem ser feitas ao menos bimestralmente, de modo a garantir um bom planejamento e uma correta execução das atividades semanais. Superintendentes da EBD devem chamar essa responsabilidade para si!

Conclusão

Os desafios para o bom andamento da Escola Dominical são muitos, e perpassam desde questões administrativas a questões didático-pedagógicas e também bíblico-teológicas. Superar esses desafios demanda força de vontade, diálogo, sabedoria, atenção, humildade e outras virtudes essenciais à liderança da EBD. “Tudo é possível ao que crê”, nos ensinam as Escrituras (Mc 9.23). Se julgarmos tudo “difícil demais” ou “impossível” nunca nos moveremos na direção das mudanças! Então, sejamos otimistas, homens e mulheres de fé e coragem. “Esforça-te, e tem bom ânimo”, nos exorta o Senhor (Js 1.6).

Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de dois livros: A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira (2016) e Biblifique-se: formando uma geração da Palavra (2018).

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