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Estudos Bíblicos

Escola Bíblica Dominical: o que será desse novo trimestre?

O sucesso de nosso trabalho se resume na obediência a este simples versículo: “Façam tudo com amor” (1Co 16.14)

Tiago Rosas

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Bíblia. (Photo by Rod Long on Unsplash)

Um novo trimestre se inicia na Escola Dominical e naturalmente muitas expectativas quanto aos estudos semanais começam a aflorar nos corações dos alunos e também dos visitantes. Estou certo de que são as melhores expectativas possíveis! Mas a questão é: serão atendidas ou serão frustradas? Depende de nós; depende de todos.

É importante que pastores, superintendentes, coordenadores, secretários e professores, isto é, todo o corpo dirigente e docente da Escola Dominical atente para as expectativas dos alunos e busque atendê-las da melhor forma possível, garantindo assim a fidelidade da frequência daqueles que são matriculados, bem como a adesão de novos alunos, até então visitantes, que esperam um estímulo para também confirmarem sua matrícula e frequência regular.

Expectativas quanto ao conteúdo das aulas

Os professores devem focar o assunto da Lição e desenvolvê-lo com profundidade e simplicidade. Professores que fogem do assunto, que escanteiam a Lição ou que são rasos demais na abordagem dela (alguns apenas reproduzindo o texto da revista), bem como os que também se excedem em linguagem técnica e teológica, acabam por dispersar a atenção dos alunos e desestimulá-los na frequência. O poço pode ser fundo, mas se a água estiver pela boca, até mesmo as crianças conseguirão se saciar nele! Infelizmente tem professor que diz ser “muito profundo”, mas na verdade é um poço fundo e de pouca água! Difícil de alcançar…

Os professores devem usar recursos didáticos audiovisuais, técnicas de ensino e métodos variados para garantirem a atenção, interação e melhor compreensão do conteúdo em sala de aula. A mesmice de muitas escolas dominicais depõe contra elas mesmas! Professores sem nenhuma criatividade, que ficam sempre plantados por 60 minutos nos mesmos 30 centímetros quadrados, apenas lendo a revista e fazendo poucas e vagas ponderações não devem esperar que suas aulas sejam bem frequentadas, pois se é para dormir, o povo dorme em casa. Inteligência, entusiasmo e força de vontade devem estar presentes em nossas aulas dominicais.

A Bíblia deve ser usada e bem manejada pelo professor e pelos alunos. Não adianta dizer que é “Escola Bíblica Dominical” se a Bíblia não é aberta nem lida nenhuma vez, ou, ainda pior, se nenhuma dúvida ou polêmica é submetida ao crivo da Palavra, para que ela fale o que de fato é certo e o que é errado. Alunos que gostam de Bíblia não se sentem motivados a frequentar uma EBD onde se ouve muita polêmica, algumas brigas até, mas nada de Bíblia! “Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus”, exorta-nos o apóstolo Pedro (1Pe 4.11). Sejamos bíblicos, para gerar alunos bíblicos e igrejas bíblicas!

Expectativas quanto à gestão da EBD

Os horários devem ser cumpridos, ainda mais quando a EBD funciona no domingo pela manhã, antes do almoço. É comum as famílias se reunirem nas tardes de domingo para almoçarem, e a Escola Dominical deve viabilizar esse momento especial, cumprindo seus horários devidamente: começando pontualmente e terminando pontualmente. Muitas donas de casa deixam de ir à EBD porque o culto se estende demais, prejudicando a recepção da família em casa e os cuidados com a refeição. Se administrarmos bem o tempo, haverá tempo “para todo propósito debaixo do céu” (Ec 3.1).

Deve haver comprometimento, diálogo e bom entrosamento entre as lideranças da EBD. A ausência constante dos líderes da EBD reflete no ânimo dos alunos: por que o aluno deve se sentir motivado a frequentar todo domingo, se o superintendente ou professor vive faltando por diversos motivos? Temos muitas expectativas quanto ao compromisso dos alunos, mas e quanto as nossas obrigações, como líderes da EBD? Corrijamos os pontos falhos, programemos reuniões periódicas com a liderança, aperfeiçoemos nossa administração do tempo, dos recursos e dos espaços da EBD, para que nosso zelo inspire confiança em nossos alunos.

Os espaços e materiais da EBD serão melhorados nesse trimestre, ou vamos continuar com salas apertadas e não-climatizadas, com bancos quebrados e pontas de pregos viradas pra cima, com quadros sujos e sem pincéis ou apagadores, e com as vozes dos professores se atropelando umas as outras? Talvez caiba uma pintura nas paredes das classes para dar aquela renovada e uma faxina geral na mobília da EBD para espantar aquele mau cheiro de mofo. Pastores e superintendentes, especialmente, precisam atentar para essa organização, para que a EBD seja um ambiente agradável e acolhedor, ao invés de um lugar de opressão e mal-estar.

Expectativa quanto aos relacionamentos afetivos

Uma grande deficiência em nossas igrejas de modo geral é a falta de relacionamento mais afetivo entre os irmãos. Isso também se reflete na Escola Dominical. Quantos professores que já estão entrando para o 3° trimestre sem aprender sequer os nomes dos alunos (e olha que a maioria dá aula para classes pequenas)? Não basta esperarmos “alunos” na EBD, devemos buscá-los e almejá-los perto de nós como nossos irmãos em Cristo, nossa família na fé! Aprenda os nomes de seus alunos, elabore uma planilha para registrar os contatos deles e respectivas datas de aniversário (na medida do possível, presenteio-os ou ao menos lembre-se de orar por eles na classe, não apenas em casa, para que se sintam valorizados). Aos faltosos, visite-os, e se puder leve outros alunos com você. A Escola Dominical começou com os professores indo em busca dos alunos; mas a Escola Dominical vai acabar, se ficarmos só à espera deles!

Na sala de aula seja mais simpático e menos polêmico (com simpatia fazemos amigos, com polêmica os afugentamos). Interaja com seus alunos, chame-os para perto dos demais (sempre tem um aluno que quer se isolar no fundo da classe, mas não permita isso), oportunize a eles espaço em sua aula para lerem versículos bíblicos, tirarem dúvidas, fazerem comentários e até orarem em favor de outros alunos. A boa aula não é mera transmissão de conteúdo do cérebro do professor para o cérebro dos alunos; a boa aula é uma construção de conhecimentos mediada pela interação entre o professor e o aluno.

Os momentos de confraternização são muito oportunos para uma interação mais espontânea e também para estreitamento de laços de amizade. Você não precisa esperar o trimestre terminar ou o final do ano chegar para fazer um “amigo secreto”. Combine uma vez ao mês, conforme for possível à maioria, uma reunião doméstica para estudo bíblico com aquele lanche agradável no final. Ou uma pizzaria talvez? E que tal juntar a classe para um churrasco depois da EBD na casa do professor? Ou um cinema em casa com filme adequado no sábado anterior? Pode parecer ridículo, mas há muitos amigos que a gente ganha “pela barriga”. O pão e o peixe na beira da praia foram só um pretexto para um diálogo cordial entre Jesus e Pedro, no qual o Mestre renovou sua estima e confiança no aluno amado! (Jo 21.5-17).

Estou com ótimas expectativas para a Escola Dominical quanto a este próximo trimestre. E você? O sucesso de nosso trabalho se resume na obediência a este simples versículo: “Façam tudo com amor” (1Co 16.14)

Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de dois livros: A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira (2016) e Biblifique-se: formando uma geração da Palavra (2018).

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