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devocional

Em quarentena de Deus

Não dá mais para usar a desculpa da falta de tempo e excesso de trabalho.

Armando Taranto Neto

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Jovem olhando pela janela (Jorge Salvador / Unsplash)

“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hb 10:25)

Não há dúvida de que este momento de pandemia que estamos vivendo está trazendo um sem número de transtornos em diversas áreas de nossas vidas, tais como: na saúde, na economia, nos relacionamentos sociais e porque não dizer na vida espiritual.

Se de um lado somos informados de amados irmãos que choram por não poderem estar em comunhão, dada as diversas recomendações sanitárias do afastamento social, ou porque os cultos nos templos estão suspensos; ou, ainda que algumas igrejas estejam abertas, estes queridos fazem parte do grupo de risco e não podem se expor ao perigo de uma “santa escapadela” para usufruir deste momento de união.

Do outro extremo estão aqueles que simplesmente estão em “férias de Deus e da Igreja”, uma “quarentena de afastamento de Deus”.

Antes do estabelecimento da quarentena, as ausências destes “turistas eclesiásticos” dos cultos, bem como suas negligências devocionais na oração e na leitura da Palavra, tinham a desculpa da falta de tempo e excesso de trabalho. Hoje, em casa, cumprindo seus home office, sobra-lhes tempo, mas ainda assim não há agenda para Deus. Novidade!

Não há espaço para o Senhor porque existem muitos filmes e séries a serem vistas, muitos “vlogs” para curtir, BBB para votar, quando se percebe o dia já declinou.

Atualmente resido eu um grande condomínio em um município metropolitano do Rio de Janeiro chamado São Gonçalo.

Segundo recentes estatísticas somos 1.300.000 (um milhão e trezentos mil habitantes) dos quais a metade, ou seja, algo próximo a 650.000 (seiscentos e cinquenta mil) são evangélicos, o município mais evangélico da América Latina, a maioria em casa, cumprindo a quarentena.

Ontem, por volta de meia noite estava fazendo meus estudos quando subitamente começou um grande alvoroço, e uma gritaria histérica.  Fui tomado de um grande espanto quando descobri que o tumulto não passava de uma comemoração do final daquele malfadado e pernóstico programa denominado “Big Brother”.

Com todo o respeito, não sou Deus e nem juiz, todavia é repugnante saber que, muitos destes “evangélicos de quarentena”, afastados de Deus, que em nenhum momento se sentem incomodados de acompanharem, torcerem e votarem neste “reality show” abominável e nefasto, tão logo termine a reclusão social, estarão ministrando em nossas Escolas Bíblicas Dominicais, pregando ou dirigindo os louvores em nossos cultos, sem o menor constrangimento. Vós não sabeis de que espírito sois.

Sei que sofrerei as consequências do que estou escrevendo, mas me cansei de tanta hipocrisia em nosso meio. Estamos fartos destes pseudos adoradores que sofrem de esquizofrenia espiritual. Conseguem, ou pensam conseguir, adorar a Deus e servir ao deus deste mundo. Vocês estão enganados, chegou a hora que o Senhor irá começar o Seu Santo Juízo a partir da Sua Casa.

Entendo que uma grande parte da Igreja está sofrendo e servindo como tal neste momento caótico, cumprindo seu chamado missional. Nos chegam notícias alvissareiras de vidas que, outrora afastadas dos caminhos da salvação, estão sendo renovadas e buscando aproximação com o Senhor, pois percebem que o fim está próximo.

Entretanto os que escolheram a “Quarentena de Deus e da Igreja” não veem a hora desta crise terminar para que possam mergulhar de cabeça em suas paixões, lascívias e tudo o mais que os agrilhoam.

Como diziam os antigos: “O mesmo sol que amolece a cera endurece o barro”.

Amados, ainda há esperança para aqueles que estão distanciados do Senhor.

Não deixem a vossa congregação como é o costume de muitos.

“Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados, e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente; antes, seja sarado. Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”(Hb 12.12-14)

“Jesus não está de Quarentena.” Que o Senhor nos abençoe.

Graduado em Teologia. Pós-graduado em Teologia Bíblica. Mestre em Sociologia da Religião. Doutorando em Teologia.

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