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Opinião

É possível ser um “cristão de esquerda”?

Ser totalmente de um espectro político ou de outro não é o melhor caminho.

Maycson Rodrigues

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Karl Marx. (Foto: Reprodução)

Talvez, esta seja uma dúvida real para muita gente e também uma pergunta absurda para outro grande punhado. As pautas progressistas são muito variadas e compõem o espectro político ‘à esquerda’.

Legalização do aborto, das drogas, casamento gay, políticas econômicas assistencialistas e oposição frontal ao conceito familiar oriundo da filosofia judaico-cristã são apenas alguns dos ideais de mundo e sociedade propostos pelo pensamento de esquerda.

Porém, podemos verificar muitos conceitos positivos no pensamento progressista. Por exemplo, se você tem uma disparidade econômica no organograma geográfico do país, de forma que algumas cidades simplesmente não conseguem se desenvolver por si próprias é bastante válido que o Estado aloque os recursos públicos e invista ativamente no desenvolvimento desta região. Caso contrário, a iniciativa privada dificilmente chegará lá, pois os interesses dos empresários geralmente são mais de âmbito individual do que coletivo.

Mais um exemplo. O pensamento político da esquerda é mais simpático a um modelo de nação que valoriza a indústria nacional e o crescimento comercial da produção interna. Com isso, o próprio brasileiro é incentivado (inclusive fiscalmente) a adentrar o mercado com sua mão de obra, o que acaba como consequência gerando mais empregos. Na teoria isso é excelente, só que carece de ser aplicado sem a participação corrupta de muitos burocratas.

No entanto, é basilar a compreensão de que poucas das ideias progressistas se alinham à cosmovisão bíblica ou cristã, porque geralmente os proponentes destas filosofias são ateus ou mesmo céticos quanto à presença da espiritualidade na vida do sujeito.

O cristão pode ser de esquerda? Creio que não. Contudo, não creio que, com isso, um cristão deve ser ‘de direita’, pois vemos outras discrepâncias também no pensamento conservador ou patriota.

O melhor caminho para um cristão é buscar na Escritura a base para formar seu pensamento político. Assim, de alguma forma o indivíduo que busca viver segundo os princípios e valores do evangelho conseguirá identificar no progressismo e no conservadorismo algo bom, que certamente é fruto daquilo que chamamos na teologia de “graça comum”, que é a expressão da bondade de Deus ao capacitar homens caídos a produzirem no campo do saber e na própria existência humana informações e conhecimento que glorificam ao nome do Senhor e facilitam bem como melhoram a qualidade de vida neste mundo.

Ser totalmente de um espectro político ou de outro não é o melhor caminho. Você, que confessa a Cristo como seu Senhor Soberano e Único, precisa submeter todo saber político humano à glória da revelação bíblica para que, assim, não incorra no pecado e possa se conduzir de forma equilibrada, madura e cheia de autoridade para fazer uso dos instrumentos da democracia vigente para promover a verdade e a paz entre o povo.

Não se preocupe em debater na internet sobre direita e esquerda, Lula ou Bolsonaro, bandeira vermelha ou verde e amarela. Preocupe-se com defender um projeto de Brasil que possa se sujeitar filosoficamente à Escritura, de modo que as injustiças, desigualdades, corrupções e imoralidades republicanas sejam confrontadas com efetividade racional e competência política, para que tenhamos uma nação mais próspera, feliz e abençoada.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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