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escatologia

Duas lentes diferentes

“Eis que eu vo-lo tenho predito” (Mateus 24.25)

Eguinaldo Hélio Souza

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Paisagem noturna exposta sob lente (karan naik / Unsplash)

Nós, cristãos bíblicos, não vemos as coisas como os demais, não usamos a mesma lente, e, portanto, não reagimos da mesma maneira. E isso precisa ficar cada vez mais claro. Pois a tendência daqui para frente é que tudo se acelere e os rumos da história do mundo se dirijam à consumação dos séculos, ainda que poucos percebam.

Ao escrever aos tessalonicenses, o apóstolo Paulo escreveu:

Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; porque vós mesmos sabeis muito bem que o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite. Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão. (1 Tessalonissenses 5.1-3) 

Se o texto parasse por aqui, poderíamos ter a impressão que ele igualou a percepção de todos, crentes e incrédulos, diante dos acontecimentos futuros. Todavia, ele continua:

Mas vós irmão, já não estais em trevas para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão…” (v. 4).

Esse simples “Mas” é a indicação de um contraste, um antagonismo abismal entre a percepção e a atitude do crente e do não crente. Para nós não é um ladrão que vem para nos tirar algo e sim o Senhor que tanto amamos, vindo para nos levar para si. Não é um susto. É uma surpresa. Não é tragédia. É esperança que se realiza.

Por isso, a pandemia não é só uma pandemia. É um sinal. Creiam os ímpios ou não. Por acaso não foi o próprio Jesus quem disse que isso seria um princípio das dores, um sinal de sua vinda? (Mateus 24.3, 7).

E, se para o mundo, a intervenção de organizações mundiais é um oráculo a ser obedecido cegamente, para nós é o prenúncio de um governo mundial que exercerá domínio sobre “toda tribo, língua, povo e nação” (Apocalipse 13.7). A sombra do Império de sete cabeças e dez chifres, já se projeta na areia da praia. (Apocalipse 13.1).

Não esperemos que o mundo veja do mesmo modo que nós vemos. Sem as lentes da revelação, o homem natural é um míope, capaz de abraçar o anticristo como um salvador da mesma forma que no passado muitos abraçaram Hitler.

Não importa o conhecimento que adquiriram, a cultura que conquistaram ou academicismo de seus discursos. “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1.22). Na verdade, “em seus discursos se desvaneceram e o seu coração insensato se desvaneceu” (1.21). Não podem ver os eventos corretamente, tudo lhes é turvo e indefinido. “…ao mal chamam bem, ao bem, mal; fazem das trevas luz e da luz trevas; ao amargo chamam doce e ao doce, amargo!” (Isaías 5.20).

Sim, vemos as coisas muito diferentes. O que eles chamam de liberdade sexual, nós vemos como mera escravidão aos desejos da natureza humana decaída. O que eles veem como fim ao preconceito contra os homossexuais, nós vemos como sodomização da cultura.

Seu discurso contra a homofobia, não passa de criminalização aos cristãos. Seu feminismo é destruição da mulher. Sua “saúde reprodutiva” é um disfarce para assassinato de bebês no ventre. Aquilo que é chamado de “progressismo”, não passa de um retorno ao paganismo, um “aumento da iniquidade” apontado por Jesus como mais um indicativo do fim (Mateus 24.12).

Na verdade, todas essas coisas somadas são claramente um prelúdio para o juízo divino que se aproxima. Certamente, este juízo será desdenhado por aqueles que não possuem as mesmas lentes que nós possuímos.

Será desdenhado até que as consequências se façam arder e a reversão seja impossível. Mesmo que nem tudo seja muito claro hoje, os que buscam ver as coisas com as lentes de Deus, caminharão no seu caminho enquanto muitos se perderão.

Dias virão em que tudo isso mudará. Bem-aventurados os que aprenderam a andar em meio a escuridão deste mundo sob a luz da luz de Deus (2 Pedro 1.19)

No mundo dos homens, atualmente são poucos os contornos que se destacam. A raça acha-se decaída. O pecado trouxe confusão. O trigo cresce junto com o joio, as ovelhas e os cabritos coexistem, as terras dos justos e injustos ficam lado a lado na paisagem, a missão tem o bordel como vizinho. As coisas, porém, não serão sempre assim. Está chegando a hora em que as ovelhas serão separadas dos cabritos, o joio do trigo. Deus dividirá novamente a luz das trevas e todas as coisas se agruparão segundo a sua espécie, O joio irá para o fogo junto com o joio, e o trigo para o celeiro com o trigo. A névoa se levantará como acontece com a neblina e todos os contornos surgirão nítidos. O infer­no será sempre reconhecido como inferno e o céu irá revelar-se como o lar de todos os que possuem a natureza do  Deus  único. (A.W. Tozer)

Pastor, jornalista, professor de teologia e história no Vale da Bênção. Palestrante nas áreas de apologética, seitas, escatologia, Israel e vida matrimonial.

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