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Internacional

Documentos vazados revelam detalhes sobre campos de lavagem cerebral na China

Centros de detenção em Xinjiang seriam administrados como prisões de alta segurança.

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Cruz x Xi Jinping
Cruz sendo retirada de igreja na China e o presidente chinês. (Foto: Reprodução / Montagem)

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ – sigla em inglês) receberam documentos secretos com dados sobre os campos de lavagem cerebral da China.

Divulgados neste domingo (24), os documentos dizem que centenas de milhares de muçulmanos uigures que vivem na região de Xinjiang, oeste da China, são trancados em centros de concentração onde são submetidos a uma espécie de treinamento ideológico.

Segundo o ICIJ, os documentos incluem uma lista classificada de diretrizes que foram aprovadas pelo principal oficial de segurança da região que serve como um manual para a operação dos campos.

O vazamento também inclui informações de inteligência que detalham como os agentes de segurança chineses são guiados por uma enorme coleta de dados que ajuda a selecionar categorias de residentes a serem detidos.

Os documentos vazados também parecem contradizer a alegação do governo chinês de que a rede de centros de detenção construídos em Xinjiang nos últimos anos só existe como locais de reeducação voluntária para ajudar muçulmanos com tendências extremistas a seguirem o caminho certo.

Os documentos chegaram ao ICIJ através de uma cadeia de uigures exilados, entre eles está um um memorando de nove páginas enviado a oficiais que operam os campos pelo então secretário-adjunto do Partido Comunista de Xinjiang, Zhu Hailun, em 2017.

O ICIJ diz que a autenticidade dos documentos foi confirmada pelos principais especialistas. A BBC relata que o memorando explica que os centros de detenção em Xinjiang devem ser administrados como prisões de alta segurança, com punições rigorosas e sem escapatória.

O memorando também ordena que as autoridades dos centros de detenção “aumentem a disciplina e punam as violações comportamentais”, tornem os estudos de mandarim corretivos uma prioridade e “promovam o arrependimento e a confissão”.

Segundo o The Guardian , o memorando também revela que os presos nos campos devem servir pelo menos um ano, mas podem ser detidos indefinidamente.

O memorando de 2017 afirma que os campos devem ser administrados em um sistema de pontos em que os presos ganham pontos por “transformação ideológica”, “conformidade com a disciplina” e “estudo e treinamento”.

Ao tomar conhecimento dos novos documentos vazados, o embaixador da China no Reino Unido, Liu Xiaoming, chamou as reportagens do vazamento de “notícias falsas”.

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