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Opinião

Desculpe-me por ser homem

Essa fala infeliz e covarde, dita por homem, foi rapidamente assimilada pela militância progressista que a tem transformado numa espécie de confissão, quase obrigatória, a todo menino acima de 15 anos.

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Homem chorando. (Photo by Andrea Bertozzini on Unsplash)


“Desculpe-me por ser homem”, é a controversa frase proferida pelo líder trabalhista neozelandês David Cunliffe em julho de 2014 em um fórum para mulheres refugiadas em Auckland na Nova Zelândia. Essa frase acabou servindo de abertura para o livro “The Boy Crisis” de Warren Farrell nos EUA, lançado há um ano. Creio que ainda não há tradução disponível.

Essa fala infeliz e covarde, dita por homem, foi rapidamente assimilada pela militância progressista que a tem transformado numa espécie de confissão, quase obrigatória, a todo menino acima de 15 anos.

O cuidado que um cristão deve ter ao simpatizar com essas ideias, aparentemente inocentes, perfumadas com ideologias da moda e travestidas num verniz benevolente é que elas não existem isoladas; no escopo da cosmovisão que as gerou há outras tantas que a sustentam, mas divergem e confrontam diretamente os princípios bíblicos.

Exemplo disso é que David Cunliffe, autor desse inconsequente pedido de desculpas pelo simples fato de existir, também é a favor de pautas esquerdistas tais como descriminalização da prostituição, da união civil entre pessoas do mesmo sexo e da criminalização do castigo corporal imposto pelos pais; por aqui conhecida como a lei da palmada. Também votou contra a definição do casamento entre um homem e uma mulher e votou a favor da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Um exemplo evidente, acontecido no Brasil, dessa complacência com narrativas que favoreçam pautas progressistas é a polêmica desproporcional que foi gerada por conta da declaração da ministra Damares Alves, atual ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, quando disse que meninos devem usar azul e meninas rosa. Uma frivolidade, que não fosse a militância ativa que domina os grandes canais da mídia, passaria tão despercebida quanto alguém bebendo um copo d’água.

Mas vivemos num contexto de guerra de narrativas. Cada palavra proferida em telejornais, rádios ou impressa adquire um peso absurdamente surreal e torna-se tão ou mais perigosa que os próprios fatos em si. As pessoas temem mais a palavra que o ente real ao qual ela representa. É como ter medo de ser mordido pela palavra cachorro e não pelo animal em si.

Se a transgressão suprema de metade da humanidade é ter nascido homem, então efetivamente temos uma grave crise com os meninos da nossa geração, como aponta o título do livro de Farrell. Essa afirmação é cruel e irresponsável porque condena metade da humanidade como intrinsecamente nociva – apenas por existir – cuja finalidade é unicamente fazer o mal e que toda uma engenharia social, ressignificação e deformação de princípios bíblicos estabelecidos há milênios precisam ser aplicados a qualquer custo para corrigi-la. E claro, quem decide tudo isso, sobre nossos destinos e de nossos meninos são as mentes iluminadas que dominam os centros de difusão de narrativas e suas ideologias, através de escolas, universidades, arte, cultura secular, ONGs, jornais, revistas, editoras, blogues etc, absolutamente alheios à nossa Fé e desrespeitando nosso arbítrio e direito de educarmos nossos filhos de acordo com nossas convicções.

A destruição da masculinidade não é uma trivialidade, é uma crença estúpida, que vem sendo incutida em corações e mentes, ignorando que o homem é tão essencial para a civilização quanto as mulheres. Assim como o livro de Farrell é uma resposta apaixonada e contundente para aqueles que assistem passivamente à desumanização empreendida na destruição da masculinidade, nós cristãos também devemos dar a nossa resposta, nos levantar e nos posicionar contra essa deturpação e desvalorização leviana de um ser criado à imagem e semelhança de Deus.

Há toda uma terminologia disponível para classificar homens com etiquetas de toda ordem e de acordo com a orientação da ideologia que a gerou. Hoje, se fala muito dos incels (celibatários involuntários; na prática, homens recusados pelas mulheres por inúmeros motivos). Outro termo muito difundido é o da masculinidade suave, “uma das coisas mais deletérias, satânicas e odiosas”, como bem aponta a jornalista Claudia Wild. Masculinidade suave nada mais é que da desconstrução da figura masculina e da figura paterna. Uma figura muito mais feminina que masculina, quase um arremedo de mulher, incapaz de exercer sua masculinidade, frágil, amestrado, entorpecido e indolente com as mazelas impostas pela ideologia que o gerou, “um inofensivo panaca, surgido das catacumbas do delírio marxista”, conclui Wild.

Caso é, que essa classificação bizarra é fruto da destruição paulatina que somos submetidos, na qual se sobressaem os tipos decadentes, grotescos, pervertidos em detrimento dos valorosos, dedicados e honrados que se destacam pelo esforço e pelo mérito.

Farrell defende que para mantermos a virilidade de nossos meninos é preciso que os pais se acheguem e dediquem mais tempo a eles. Uma forma muito simples é passar a jantar juntos, com seus celulares desligados, desenvolvendo um diálogo sadio e genuíno interesse mútuo. Nós cristãos temos como tradição os cultos domésticos que são normalmente liderados pelos homens. Portanto, se você seguir essa tradição cristã, você estará naturalmente mantendo e protegendo seu filho de ideologias nocivas a masculinidade dele.

O vice-presidente general Mourão disse uma verdade incômoda – contrariando a narrativa da grande mídia – e causou desmedida polêmica por semanas. Ele simplesmente disse o óbvio e patente: “família sem pai ou avô tem muito maior propensão de gerar elementos desajustados.” Obviamente que comparada à melosa e complacente afirmação do líder neozelandês há uma evidente contradição de valores que provocou reação de uma pequena parte do público afeito a tais maneirismos midiáticos.

Quando Farrell trata da paternidade, se confirma a fala do general Mourão que aponta que meninos com pais ausentes são muito mais propensos a abandonar os estudos precocemente, tornarem-se alcoólatras, delinquentes e terminarem na prisão.

Crise de propósito

Houve época que o propósito dos meninos era ser guerreiros, líderes, pais de família e isso vem se perdendo. Atualmente, meninos vivenciam um esvaziamento de propósitos, sentimento de alienação como se estivessem deslocados da realidade que se encontram, excessiva valorização de sentimentos, sensibilidade descomedida em detrimento da resiliência e do mérito.

Junte-se a esses fatores acima mencionados o efeito denominado imediatismo, provocado pela assimilação das tecnologias digitais, celulares, computadores e jogos. Isso gera tremenda ansiedade e ninguém quer mais esperar ou mesmo cultivar a paciência para se obter algo. São como viciados em recompensas imediatas sem aplicar esforço algum para nada. Tudo isso se converte num isolamento dos meninos, numa cultura de descarte, na qual nada, nem mesmo relacionamentos são feitos para durar.

Não tem como não lembrar da brilhante passagem do apóstolo Paulo aos Romanos quando ele diz: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. (Romanos 12:2)

Nossas famílias são bombardeadas diuturnamente com ideias que ferem princípios da Palavra de Deus. É preciso empenho dos homens em assumir seu papel na sociedade e no modelo perfeito de família e de indivíduo que Cristo deixou-nos. Homem algum deve desculpas a quem quer que seja por existir. Se você existe é porque o Eterno traçou um plano exclusivo para sua vida.

Aos homens, é necessário que assumam o sacerdócio do lar, conduzindo espiritualmente sua família, orando com os filhos e pelos filhos; estudando a Palavra de Deus em família, nos cultos domésticos. Além da fidelidade à sua esposa, o homem deve conduzir seus filhos a uma vida de santidade, acompanhando e aconselhando com o objetivo de se aperfeiçoarem no relacionamento com Cristo.

Como vemos, o momento não é de desculpar-se com quer que seja por existir como homem, mas de arregaçar as mangas e ir cumprir o seu papel, munido da autoridade que a Palavra de Deus lhe confere, mas igualmente transbordando do amor de Cristo.

Finalizo, lembrando ao cristão que “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”, (2 Coríntios 4:4), e que é nosso papel não deixar essa luz se apagar e refletirmos em nossas vidas a glória de Cristo.



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