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Política

Damares escolhe evangélico como novo secretário da Criança e Adolescente

Maurício Cunha nega acusações de ser “de esquerda”.

Neto Gregório

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Maurício Cunha. (Foto: Reprodução / Instagram)

Doutorando em Políticas Públicas e com formação em Administração, Mauricio Cunha afirma que ainda se considera um “missionário”. Tendo atuado em cerca de 30 países pela JOCUM e pelo CADI, ele agora é o titular da Secretaria Nacional dos Diretos da Criança e do Adolescente (SNDCA).

A escolha da ministra Damares Alves não está isenta de polêmica. Se, de um lado, movimentos de esquerda torcem o nariz para todos os evangélicos que ocupam postos importantes no Governo Federal, um grupo de pastores acredita que Cunha é “de esquerda”.

Procurado pelo Gospel Prime, ele disse lamentar que as pessoas não tenham buscado conhecer seu histórico antes de atacá-lo e à ministra. Mensagens bastante difundida por WhatsApp nas últimas semanas afirmavam que ele defendia Lula e pautas socialistas”.

A base para tal acusação é um vídeo antigo, de um evento onde ele aparece ao lado de Ariovaldo Ramos, falando sobre o papel social da Igreja.

Questionado pelo Gospel Prime sobre o tema, o Secretário é enfático: “A Bíblia fala sobre a restauração de todas as coisas caídas. Portanto, que outra missão há, senão uma missão integral, isto é, que abarque todas as áreas da vida? Somos cooperadores com Deus na Obra de reconciliação de todas as coisas!”.

Prossegue, destacando crer que “a fé cristã é uma visão de mundo”. Foi esta visão e o desejo de acolher crianças vulneráveis que o fez fundar o CADI – Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral (cadi.org.br), coalizão de 10 organizações que atuam em 7 estados brasileiros na área da proteção da infância em territórios de vulnerabilidade.

A percepção de Maurício da necessidade de evangélicos serem protagonistas na esfera pública é derivada do tampo que morava nos Estados Unidos e conheceu o trabalho do pastor Darrow Miller, autor de vários livros, entre eles: “Discipulando as Nações: o poder da Verdade para transformar culturas”.

“Quando retornei ao Brasil, em 1994, como expressão do meu Chamado missionário, fundei uma Organização Social de proteção da infância e desenvolvimento comunitário, o Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral. O projeto começou com um pequeno trabalho de recreação orientada para cerca de 20 crianças na periferia de Curitiba, e hoje alcança cerca de 14.000 beneficiários em 7 estados brasileiros. Ao longo destes 25 anos de vida, o CADI tem recebido vários prêmios e reconhecimentos pelo seu trabalho de transformação de vidas, atuando sempre em parceria com igrejas locais no campo e inspirado e capacitado centenas de líderes, missionários e empreendedores sociais cristãos que fazem o nosso curso de formação missionária”, destaca Cunha.

Parte do quadro do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos desde o início do ano, Maurício Cunha assumiu este mês a Secretaria que cuida de crianças, uma das “prioridades absolutas” de Damares. Porém, Cunha ressalta que a escolha se deu por critérios técnicos.

“É fundamental esclarecer que o critério de escolha dos gestores do MMFDH tem sido técnico, por competência e experiência, além, é óbvio, do alinhamento com as diretrizes, a visão e os valores do governo atual. Hoje, felizmente, há muitas pessoas evangélicas que preenchem este perfil, e estão nas suas funções por mérito e por aquilo que são capazes de entregar à sociedade brasileira, de acordo com o marco legal e normativo de um Estado laico, e não para que haja imposição de uma visão religiosa”, destaca.

Analisando o desafio que o governo Bolsonaro, e mais especificamente do ministério de Damares tem pela frente de “mudar a situação das crianças e adolescentes”, Cunha destaca que a mudança da nação não virá pela ação apenas de políticas públicas.

“Minha ênfase para a Igreja sempre foi chamá-la e envolver-se com as populações vulneráveis, especialmente crianças e adolescentes, como forma do seu testemunho profético e transformador, e como manifestação do senhorio cósmico de Cristo sobre todas as dimensões da vida”, encerra.

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