Siga-nos!

Política

Damares Alves diz que ministério é um “chamado divino” 

“Deus está nos preparando para uma nova fase, que é a transformação da sociedade”, defende futura ministra

em

Desde que seu nome foi anunciado como futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves vem recebendo um tratamento preconceituoso por parte da mídia brasileira. Ao invés de analisarem os fatos e as decisões tomadas por ela, preferiram atacar o fato de ela ser pastora e tentaram ridicularizar sua fé destacando trechos de depoimentos que deu nos púlpitos de igrejas pelo Brasil afora.

Nos primeiros dias após a confirmação de seu nome em uma pasta estratégica e que sabia-se seria observada de perto pelos movimentos sociais, a grande imprensa tentou colocá-la como uma “fanática religiosa”, tirando de contexto sua história de vida e como, sendo uma criança vítima de pedofilia, ter visto Jesus em um pé de goiaba.

Os memes e distorções do fato irritaram o futuro mandatário do país. Pelo Twitter, Bolsonaro classificou como “extremamente vergonhoso debocharem do relato”.

Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, publicada neste domingo (23), Damares conta que foi surpreendida pelo convite de Jair Bolsonaro. Ela só aceitou por entender que se tratava de um “chamado divino”.

Quem conhece a história da futura ministra sabe que ela tem um extenso currículo na área de defesa de direitos humanos, questões indígenas, luta contra o aborto e pedofilia, além de, como advogada, trabalhar junto a várias ONGs. Ela ficou nacionalmente conhecida como assessora do senador Magno Malta (PR/ES), mas seu trabalho incessante no Congresso em favor de pautas conservadoras não passou despercebido pelo presidente eleito. Bolsonaro sabia quem Damares era e do seu potencial, além de reconhecer um discurso afinado em muitas das bandeiras levantadas por ele durante a campanha deste ano.

Igreja mudando a sociedade

Devido à falta de missionários evangélicos no Nordeste, onde foi criada, Damares se tornou pastora muito jovem. Foi ordenada pela Igreja Quadrangular em que seu pai foi fundador. Atualmente está na Igreja Batista da Lagoinha. Em 2013, durante um dos cultos em que pregava, ela questionou: “A igreja evangélica cresceu demais, amém, mas o que de fato está fazendo para mudar a sociedade?”. Em seguida, ela mesmo respondia, em tom profético: “Deus está nos preparando para uma nova fase, que é a transformação da sociedade.”

O deputado federal Sóstenes Cavalcanti (DEM/RJ) revela que Damares é admirada no meio evangélico pela “dedicação para valorizar a vida, os direitos humanos e conservadores”. Ele acredita que é esse é o desejo da maioria do povo brasileiro. “Ela tem competência técnica e experiência para ser uma ministra em plena sintonia com Bolsonaro.”

O assessor parlamentar Luiz Carlos Bassuma, que trabalhou com Damares, conta que pesou na decisão dela o fato de a Funai passar a ser responsabilidade da pasta que vai comandar. “Eu disse a ela: ‘você não buscou isso, não pleiteou, não pode negar’. É um chamado de natureza espiritual, para cumprir uma missão na nação”.

Damares vê a função de ministra de Estado como uma missão divina. Até nisso está em sintonia com Bolsonaro, que deu declaração semelhante ao longo da campanha e reiterou após a eleição.

Isso não significa que ela irá transformar o ministério numa Igreja ou coisa do tipo. Nas primeiras entrevistas que deu após ser nomeada, Damares deixou muito claro que nada tem a ver com o rótulo de “intolerante” que tentaram impor a ela. Por exemplo, rebateu veementemente o argumento que transformaria a pasta em uma agência missionária. “Essa afirmação de evangelização dos índios é absurda. Quem está assumindo esse Ministério é uma advogada e militante dos Direitos Humanos. A pastora fica lá na igreja, no domingo”, assegurou, traçando uma linha divisória importante.

No papel de ministra de Estado, Damares teve encontros com lideranças indígenas, grupos LGBTQ, políticos de várias vertentes e vem recebendo muita pressão. Sua formação como advogada atenta que ela está ciente das leis em vigor no país. Ela vem adotando um discurso conciliador, dizendo que o papel é lutar pelos direitos humanos de todos os brasileiros, segundo a Constituição.

As convicções pessoais dela, como evangélica, sempre a fizeram lutar contra diferentes tipos de injustiças sociais justamente por entender que a luta pela justiça é um preceito bíblico. Isso fica mais patente quando ela declara que deseja um “Brasil sem Aborto”, Afinal, além do “direito à vida” ser o terceiro na Declaração Universal dos Direitos  Humanos, está previsto no quinto artigo da Constituição Federal.