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Internacional

“Cyberchurch” de Hong Kong prepara cristãos para lutarem por democracia

Igrejas tradicionais impedem os cristãos de participarem da defesa por direitos civis

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Patrick Chu durante culto na Cyberchurch. (Foto: Anna Kam)

O pastor Patrick Chu, da Umbrella City Cyberchurch (UCC), em Hong Kong, tem incentivado os cristãos a lutarem pela democracia no país que vive três meses de protestos e manifestações.

Na visão do religioso, os cinco pontos defendidos pelos manifestantes são alcançáveis, sendo que o principal deles – a retirada do projeto de extradição de Pequim – já foi atendida. Mas eles têm outros pedidos como a renúncia do chefe executivo da cidade, Carrie Lam, a responsabilização da polícia pela violência contra os protestantes e a anistia aos manifestantes que foram presos.

A UCC nasceu em 2014 durante a chamada ‘Revolução Guarda-chuva’ que durou 79 dias com a população protestando pela democracia e resistindo às mudanças planejadas por Pequim para o currículo escolar. Os críticos diziam que as mudanças forçavam uma “lavagem cerebral” nas crianças em prol do Partido Comunista da China.

O site Religion Unplugged conta que durante os protestos, as pessoas usavam guarda-chuvas para se protegerem dos policiais e, por isso, esses objetos se tornaram um símbolo da justiça e liberdade.

Os fundadores da Cyber-Igreja são Common Chan e Lau Tsui-yuk, que viram durante a revolução que muitos cristãos tinham que escolher entre a fé ou lutar por seus direitos, pois as igrejas mais fundamentalistas os impediam de participarem das manifestações.

Segundo Chan, uitas igrejas locais em Hong Kong estão desapegadas de questões sociais e por isso ele ensina que os cristãos têm a responsabilidade de se engajar na defesa política dos direitos humanos.

A UCC atua como igreja em rede, disseminando sua teologia para igrejas e organizações parceiras, principalmente em plataformas online como o Facebook . Ela também tem serviços religiosos em locais físicos e se descreve como “alternativa”.

Toda autoridade foi dada por Deus

Em um culto recente, Chan falou sobre Romanos 13, a famosa passagem bíblica que diz que todo poder na terra é dado por Deus e o povo de Deus deve obedecer a essas autoridades terrenas ou sofrer os castigos que podem ocorrer por se rebelar.

Alguns líderes da igreja em Hong Kong apelam a esta passagem para afastar os cristãos dos protestos. Há uma ressalva, porém, que cristãos como Chan e Chu são rápidos em apontar: a Bíblia também está cheia de histórias do povo de Deus se rebelando contra autoridades governamentais que vão contra os princípios de Deus, como justiça e livre arbítrio para todas as pessoas.

A teoria da guerra justa, apresentada na Igreja Católica, opera com o mesmo pensamento. “De fato, a polícia que representa a autoridade é a que está fazendo o mal e isso é irônico”, disse Chu.

Chan disse que o projeto de extradição vai contra sua fé e, em certa medida, o mesmo acontece com a eleição de Lam. “Carrie Lam foi eleita apenas por um pequeno círculo das elites de Hong Kong e, de fato, Pequim”, disse Chan. “Na fé cristã, todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.”

Chan explica que seu estudo de teologia e educação na Alemanha mudou sua perspectiva de como sua fé deveria alimentar os protestos, principalmente para manter a não-violência e solicitar mudanças dentro do próprio governo. Ele compara a luta pela democracia em Hong Kong com a luta de Jesus contra o Império Romano. “Jesus foi um exemplo de mártir-guerreiro”, disse ele.

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