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Estudos Bíblicos

Cristo em Adulão

Quando no sofrimento, confiando no Senhor.

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Caverna. (Foto: Joshua Sortino / Unsplash)

“Davi retirou-se dali e se refugiou na caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele. Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens.” 1 Sm 22.1-2

A história do rei Davi é conhecida por todos nós. De forma resumida, o Senhor achou por bem escolher um novo rei para Israel, quando no reinado de Saul, e o homem eleito foi este jovem ruivo, pastor das ovelhas de seu pai.

Davi normalmente é lembrado por seus feitos, por ser um “homem segundo o coração de Deus”, ou até mesmo pelos pecados que cometeu. Vemos, neste rei, independente do momento em que se encontrava em sua história, um exemplo para todos nós. Quando em momentos de alegria, glorificando a Deus. Quando ao pecar, reconhecendo seus erros. Quando no sofrimento, confiando no Senhor.

No versículo em questão, a história nos conta que Davi, fugindo de Saul, refugia-se na caverna de Adulão. Em questão de pouco tempo, seus parentes e alguns outros homens refugiam-se à sombra de Davi, encontrando neste homem a imagem do líder que desejavam.  Passam-se anos, e em 1 Cr 11.10 vemos que estes homens, agora, após uma vida ao lado de um grande rei, tornaram-se conhecidos por seus incríveis feitos e maravilhas, recebendo a alcunha de “Valentes de Davi”. Chegaram ao seu senhor sem méritos, sem algo a oferecer, e obtiveram tudo que necessitavam. É neste ponto que desejo demonstrar-lhe, querido leitor, que acontece o mesmo conosco e Cristo.

Aqueles homens foram a Davi por terem ouvido falar que seu rei, ungido pelo profeta do Senhor, Samuel, estava na caverna, refugiado. Da mesma forma, só somos capazes de ir a Cristo após recebermos em nossos corações a Palavra de Deus. É a pregação da Palavra que nos encaminha no primeiro passo de ir ao Salvador. Vemos isto, por exemplo, de forma bem expressa na carta de Paulo aos Romanos, capítulo 10.

“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” Rm 10.17

Estávamos todos endividados, com contas a serem prestadas a Deus (Cl 2.14). Éramos “os homens que se achavam em aperto”. A realidade é que até Cristo morrer na cruz e pagar o preço pelo nosso pecado, justificando a cada um de nós, estávamos todos em péssimos lençóis. O cálice amargo da ira de Deus haveria de se derramar sobre nossos lábios. Entretanto, encontramos, em Jesus, o Salvador por Deus escolhido, a medida exata do preço que nunca poderíamos pagar (Sl 49.7-8).

Conforme nos demonstra o versículo estudado, aproximaram-se de Davi todos os homens que, além de endividados e em estado de aperto, estavam “amargurados de espírito”. Cristo nos dá, além do preço pela remissão de nossos pecados, o descanso para nossas almas. Como nos disse o Mestre, em um episódio narrado por Mateus, no capítulo 11 e versículos 28 ao 30:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” Mt 11.28-30

Vemos que, assim como Davi se “fez chefe sobre todos eles”, Cristo é o nosso Cabeça. Somos todos um corpo repleto de membros, e precisamos ter a ciência de que este corpo, o “Corpo de Cristo” (1 Co 12.12), está sob as ordens de nosso Mestre, a saber, Jesus. Devemos temor, respeito, honra, a Deus por nossa salvação. Ele nos comprou, nos resgatou, e se colocou sobre nós como Cabeça – de onde vem toda e qualquer espécie de ordenança.

De forma semelhante ao que aconteceu com aqueles homens, que antes eram o “pior da sociedade” e, com o passar do tempo e sua convivência com Davi, tornaram-se “valentes” e “heróis”, podemos crer que Deus assim o fará conosco. Não estou pregando que teremos reconhecimento humano, ou que receberemos honrarias e títulos. Esta transformação que falo acontece mediante o agir do Espírito de Deus, quando Ele opera em nós tanto o “querer quanto o efetuar” (Fp 2.13).

Estou aqui tratando sobre a Santificação – quando o Senhor nos faz sermos mais semelhantes a Ele, de maneira que nos separamos de tudo aquilo que Lhe desagrada. Esse processo de Santificação durará até nossa morte ou vinda do Senhor, porém, é certo nos eleitos do Pai e necessário para que vejamos o céu em glória (Hb 12.14).

Por fim, da mesma forma como o rei Davi tomou a iniciativa de comandar aqueles homens, Deus é que tomou as rédeas de nossa salvação – nós nunca conseguiríamos dar o primeiro passo. Estávamos mortos (Ef 2.1)! Éramos todos escravos do pecado (Rm 6)! Precisávamos de alguém mais forte de quem habitava em nós, alguém “ainda mais valente” que nos libertasse das amarras de Satanás, e este alguém, querido leitor, é Cristo (Lc 11.21-22)!

Sob a Graça,

Membro da Igreja Presbiteriana de Florianópolis, é advogado, especialista em Direito Digital e Compliance. Atua na liderança do grupo de jovens de sua igreja, além de auxiliar como professor de Escola Bíblica Dominical. Autor do livro "A Reforma Protestante e a Gênese do Estado Moderno", lançado pela Teneo Publishing House.

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