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Internacional

Crise da Venezuela não acaba por que Maduro tem apoio de Irã, Rússia e China

Entrada de migrantes sem verificação apropriada pode trazer perigos para o Brasil

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Putin e Maduro
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A denúncia não é nova, mas vem convenientemente sendo ignorada pela grande mídia. Porém, voltou à tona pelo levantamento de Joseph M. Humire, um especialista em segurança e diretor do Centro Por Uma Sociedade Livre e Segura.

O regime de Nicolás Maduro – reconhecidamente uma ditadura – afirma estar pronto para enfrentar a ameaça de uma ação militar por parte dos EUA. O secretário de Estado Rex Tillerson sugeriu no início do mês que os militares poderiam ser “o agente da mudança” no regime venezuelano, o que foi interpretado como o prenúncio de um golpe de Estado.

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Contudo, qualquer ação armada ou intervenção militar na Venezuela por um país do Ocidente, precisa levar em conta o papel do Irã, da Rússia e da China na crise que domina o país sul-americano há quase uma década. Rússia e China foram mencionadas de forma proeminente por Tillerson durante sua visita à região nas últimas semanas.

A maioria dos analistas lembra que a Venezuela se tornou um país tomado por Cuba, com mais de 30.000 soldados cubanos espalhados em seu território, sendo que muitos deles fazem parte do um sistema de “inteligência” que visa garantir Maduro no poder.

Contudo, a maior influência no regime – que o impede de ser derrubado pelas manifestações populares e os inimigos do chavismo são precisamente a Rússia e a China. Só isso explica como uma nação falida economicamente, pode fazer altos investimentos em armamentos de última geração.

Assim como na Síria, e historicamente na América Central, a Rússia é o principal fornecedor de ajuda militar, além de apoio financeiro e técnico às forças armadas venezuelanas. São mais de US $ 11 bilhões gastos com equipamentos militares de fabricação russa. Além disso, a empresa de energia estatal russa Rosneft forneceu à Venezuela cerca de US $ 17 bilhões em financiamento desde 2006. Moscou alavancou seus acordos na região adquirindo grande participação nos campos petrolíferos da Venezuela, o que garante ao governo de Putin o controle dos ativos de energia daquela nação.

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De acordo com o Instituto Internacional de Finanças, a China é outro parceiro importante. É o maior credor da Venezuela, sendo responsável por mais de US $ 23 bilhões em empréstimos e linhas de crédito. Pequim é o principal benfeitor e principal banqueiro da nação sul-americana.

As empresas de energia chinesas estão ganhando uma participação crescente no campo de petróleo mais lucrativo da Venezuela, a Faja Del Orinoco (FDO). Com uma concessão de terras de 25 anos para o FDO, a China garantiu o acesso ao território estratégico na Venezuela. Em troca, a China financiou muitos dos programas sociais da República Bolivariana, como subsídios para habitação e clínicas médicas gratuitas.

Xi Jinping e Nicolas Maduro

O papel dos agentes de Cuba é valorizado justamente por seu conhecimento operacional do equipamento fornecido pela Rússia, além de seus laços de longa data com as redes comunistas chinesas.

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Neste cenário, é difícil imaginar que se remova o governo da Venezuela sem primeiro passar por Moscou ou Pequim.

Com menos visibilidade, o Irã opera de forma independente na Venezuela, tendo criado uma rede clandestina e mais robusta, como a que vem desenvolvendo na América Latina há mais de meio século.

As ligações estreitas de Teerã com Caracas tiveram início quando Hugo Chávez se aliou ao então presidente Mahmoud Ahmadinejad (e também a Lula e Fidel Castro) na concepção de “países não alinhados”. A amizade dos seus líderes era tão grande que Ahmadinejad chegou a dizer que Chavéz ressuscitaria, “levantando-se junto com Jesus Cristo e o último imã (Mahdi) para trazer a paz mundial nos últimos dias”.

Atualmente, aproximadamente 60% dos cerca de 150 mil habitantes da cidade de As-Suwayda no sudoeste da Síria também possuem cidadania venezuelana. Por causa disso, o distrito de As-Suwayda (mesmo nome da cidade) foi apelidado de “Pequena Venezuela”. Estima-se que mais de 300 mil sírios vivam em solo venezuelano. O falecido presidente Hugo Chávez chegou a afirmar que seu país recebeu mais de um milhão de sírios. Isso em 2010, muito antes da guerra civil causar a crime migratória atual.

Para Joseph Humire, a conexão Síria-Venezuela na verdade encobre uma rede clandestina administrada pelo Irã e que foi fundamental para o avanço da “revolução bolivariana” de Chávez.

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Como no conflito da Síria, o principal papel do Irã é preparar o campo de batalha venezuelano através de uma série de operações em guerra clandestinas, usando substitutos não estatais para ganhar influência sobre a população. Sua posição muitas vezes não é visível, mas é sentida através da repressão aos manifestantes que invadiram as ruas para pedir a saída de Maduro.

Durante as grandes manifestações dos últimos dois anos, os membros das milícias civis conhecidas como “coletivos” demonstravam terem sido treinados pela milícia paramilitar iraniana Basij. O papel do Basij em acabar com a tentativa de contrarrevolução no Irã, em 2009, serviu como experiência para lidar com grandes manifestantes anti-regime meia década depois, na Venezuela.

A extensão da influência do Irã na Venezuela tem sido uma fonte de debate para os analistas de segurança do mundo todo. De muitas maneiras, o Irã se posicionou na Venezuela para capitalizar com a influência econômica da China e a “pegada” militar russa. Por exemplo, o Ministério da Defesa do Irã e a Logística das Forças Armadas fizeram um grande número de projetos em conjunto com a indústria militar da Venezuela, participando também dos contratos de petróleo russos e chineses com a estatal de petróleo (PDVSA) para se proteger de sanções internacionais.

Terrorismo e narcotráfico

A face mais visível da união do regime chavista com forças militares iranianas é o vice-presidente de Maduro, Tareck El Aissami, filho de sírios. Ao mesmo tempo em que é apoiado por grupos como Hezbollah, tornou-se o favorito para eventualmente substituir Maduro.

Percebe-se a mesma estratégia iraniana usada na Síria, onde a Força Quds (braço da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) trabalha juntamente com o Hezbollah libanês para aumentar a pressão social contra os opositores do presidente.

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Sua ascensão ao poder no país sul-americano pode ser vista não só na abundância de árabes no governo venezuelano, mas também na forma como a crise venezuelana se desenrolou, seguindo o mesmo padrão de culpar as “forças estrangeiras” pelos problemas econômicos e sociais.

Assim como na Síria, a Venezuela enfrenta uma crise humanitária que resulta na saída de milhares de refugiados para países vizinhos enquanto o governo só se mantém por causa do apoio de quem negocia com ele de maneira pouco transparente. Isso sem falar nas ligações do regime venezuelano com o narcotráfico.

Embora difíceis de serem provadas, foram denunciadas pelo governo Trump no ano passado, quando os EUA incluíram Tareck El Aissami na lista de sancionados – pessoas que tiveram congeladas todo o seu patrimônio em território norte-americano. A justificativa é que El Aissami desempenha “papel significativo no narcotráfico internacional”.

Anteriormente, dois sobrinhos de Maduro foram presos e condenados a 18 anos de prisão por carregarem 800 kg de cocaína. O mais velho, Campos Flores, de 33 anos, foi criado como filho na casa do presidente.

Com o número crescente de migrantes venezuelanos entrando no Brasil, mereceria atenção o fato de a Venezuela ter usado sua agência de imigração para fornecer identidades e documentos venezuelanos a milhares de pessoas vindas do Oriente Médio. Conforme foi amplamente noticiado, não há na fronteira uma verificação adequada de quem entra, abrindo a possibilidade para que entrem agentes com essa dupla cidadania árabe.

Em ano de eleição, também é válido lembrar o papel expressivo que o Partido dos Trabalhadores, em especial no governo do ex-presidente Lula, tivera na instituição do regime iniciado por Hugo Chávez. Em 2013, logo após assumir a presidência, Nicolás Maduro declarou que Lula era “pai” do regime bolivariano.

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