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estudos bíblicos

Contra a cultura miserabilista

Conceitos como “pouco” e “muito” são relativos. Há quem faça muito com pouco e quem, tendo muito, faça muito pouco ou nada. Com Jesus cinco pães e dois peixes alimentaram uma multidão de milhares de pessoas.

José Brissos-Lino

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Mãos com sementes (Joshua Lanzarini / Unsplash)

O texto de Lucas 12:31-32 fala de buscar o reino de Deus como prioridade de vida e está associado à promessa de suprimento das necessidades básicas.

Também se fala que, por determinação do Pai, o reino está destinado ao “pequeno rebanho”. A tendência humana é desprezar o pouco e o pequeno, em especial quando ao lado parece que temos o muito e o grande.

Vejamos alguns exemplos. 

O exemplo da

Muita ou pouca, a fé que deve ser usada é a que temos. Ela é um dom (dádiva) de Deus, e não a usar quando necessitamos de o fazer é uma espécie de insulto ao próprio Deus, que no-la deu. Por outro lado, a fé é como um músculo. Se não a usarmos definha, mas se a usarmos ganha tonicidade, força e eficácia, isto é, fica fortalecida.

Aliás, quando os discípulos pediram ao Mestre que lhes aumentasse a fé, Ele ensinou que, se tivessem fé do tamanho dum grão de mostarda – uma coisa minúscula – poderiam fazer grandes coisas:

“E disse o Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te daqui, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria” (Lucas 17:6).

O exemplo dos talentos

A parábola invocada por Jesus em Mateus 25:14-30 explica que a prova da nossa fidelidade está em não desprezarmos o pouco que temos. Caso contrário corremos o risco de perder até esse pouco. Mas quem investe o que tem, seja pouco ou muito, será recompensado:

“E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:21).

Ora, este ensino está em consonância com o que o apóstolo Paulo transmite à comunidade cristã de Corinto no I século:

Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel” (1 Coríntios 4:1,2).

O exemplo da semente

Pouca ou muita, o lavrador tem que a lançar à terra, senão morre de fome, ele, a sua família e os seus animais. Nenhum agricultor opta por não semear nada só porque acha que dispõe de pouca semente. Seria estultícia.

O exemplo das coisas pequenas

O profeta Zacarias proclama que não devemos desprezar as coisas pequenas:

“Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas?” (4:10), e a Bíblia ensina que ninguém deve desprezar sequer as tarefas desempenhadas por uma criança.

O exemplo da nuvem de Elias 

Depois da seca prolongada em Samaria Deus falou com o profeta para esperar chuvas copiosas. A princípio ele apenas enxergou uma nuvem longínqua do tamanho da mão dum homem, porém não a desprezou e logo mais veio uma grande chuva:

“E disse ao seu servo: Sobe agora, e olha para o lado do mar. E subiu, e olhou, e disse: Não há nada. Então disse ele: Volta lá sete vezes. E sucedeu que, à sétima vez, disse: Eis aqui uma pequena nuvem, como a mão de um homem, subindo do mar. Então disse ele: Sobe, e dize a Acabe: Aparelha o teu carro, e desce, para que a chuva não te impeça. E sucedeu que, entretanto, os céus se enegreceram com nuvens e vento, e veio uma grande chuva; e Acabe subiu ao carro, e foi para Jizreel” (1 Reis 18:43-45).

O exemplo das coisas menores da terra

Salomão ensina também sobre a importância das coisas pequenas:

“Estas quatro coisas são das menores da terra, porém bem providas de sabedoria: As formigas não são um povo forte; todavia no verão preparam a sua comida; Os coelhos são um povo débil; e contudo, põem a sua casa na rocha; Os gafanhotos não têm rei; e contudo todos saem, e em bandos se repartem; A aranha se pendura com as mãos, e está nos palácios dos reis” (Provérbios 30:24-28).

O exemplo da cidade onde nasceu o Salvador do mundo

Até a cidade onde Jesus nasceu era pequena, mas apesar disso trouxe à luz o Salvador do mundo:

“E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miqueias 5:2).

De facto, a bênção de Deus não é para os grandes, mas para todos:

“Vós, os que temeis ao Senhor, confiai no Senhor; ele é o seu auxílio e o seu escudo. O Senhor se lembrou de nós; ele nos abençoará; abençoará a casa de Israel; abençoará a casa de Arão. Abençoará os que temem ao Senhor, tanto pequenos como grandes (Salmos 115:11-13).

Conceitos como “pouco” e “muito” são relativos. Há quem faça muito com pouco e quem, tendo muito, faça muito pouco ou nada. Com Jesus cinco pães e dois peixes alimentaram uma multidão de milhares de pessoas.

Agradece a Deus pelo que tens, seja muito ou pouco e sê fiel no pouco e no muito. Lembra-te que a matemática divina é diferente da nossa:

Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos ímpios” (Salmos 37:16).

“Como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve de menos” (2 Coríntios 8:15). 

“Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” (Filipenses 4:12,13).

Nasceu em Lisboa (1954), é casado, tem dois filhos e um neto. Doutorado em Psicologia, Especialista em Ética e em Ciência das Religiões, é director do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, em Lisboa, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e investigador.

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