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Opinião

Conselhos contraditórios

O religioso que “ama sem gostar” e “respeita sem honrar”

Artur Eduardo

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Microfone no palco. (Foto: Ilyass SEDDOUG / Unsplash)

Os que afirmam, num momento como este, que “o caminho está em Deus e não nos homens” ou “não há messias entre os homens, mas é Jesus”, confundem alhos e bugalhos e, na maioria das vezes, tais declarações servem apenas e somente de “indiretas”.

Esta é a mais inegável característica do arrogante, do mentiroso, do soberbo. É uma prova de #religiosismo – e falo com amor, sem demagogia -, pois esse discurso NÃO atrai as pessoas a Deus, mas tem o efeito exatamente oposto: os que querem argumentar normalmente, denunciar o mal, falar sobre princípios de justiça, equidade, verdade, honra, pela efervescência de um momento como o nosso, por exemplo, olharão com AINDA mais desconfiança e descrédito para os “crentes”; com desdém e desprezo, inclusive, para aquele(a) que assim se presta a falar.

É nítido, todavia, o seu sentimento fingido de superioridade. É o resultado da pior das arrogâncias: a espiritual. Estas pessoas me lembram o “partido de Jesus”, em Corinto. “Eu sou de Paulo”, “Eu sou de Apolo”, “Eu sou de Cefas”, “Eu sou de Cristo”, diziam os últimos. Estes eram #precisamente os piores!!! É por isso que Paulo pergunta: “Está Cristo dividido?”: para expor-lhes a falsa espiritualidade.

Quem, em sã consciência, num momento crucial para a nação, está “depositando a fé em homens”? Só um idiota alienado age assim. Defender um PRINCÍPIO, representado por um homem, significa defender o homem, goste-se dele ou não!!

Mas, como isto é difícil demais de ser absorvido pelo religioso que “ama sem gostar”, que “respeita sem honrar”, porque sua espiritualidade é aquilo mesmo, exposto por Paulo – PARTIDÁRIA, divisora, ingrata, cruel, implacável (como aqueles coríntios foram com o apóstolo) -, escondem sua natureza frágil através de palavras de “conselhos” que, efetivamente, não produzem nada: nada constroem, nada ligam, nada reconciliam, nada ensinam.

Quem quer orar, somente, simplesmente ora!! O faz, porque, de fato, faz o que acredita! Quem se arvora a dizer algo como “a resposta não está no homem, mas em Deus”, como se estivesse descobrindo a roda, não está na verdade nem aí para Deus. É insensível àquilo em que vive e com quem convive. E mais: quer a atenção de alguém que, muito provavelmente, seca de invejar.

Não falo de ninguém especificamente, pois a coisa mais BAIXA que existe é a tal da indireta. É coisa de “fofoqueiro de puteiro”. O que se constata vem de uma análise fria de um fato perceptível, abrangente, que pulula em nosso meio, cristão evangélico, aqui e ali, e que deve ser percebido e abandonado.

Nosso problema, quase sempre, é de MORAL e, por vivermos em uma era tão IMORAL, é cada vez mais comum vermos conselhos e orientações que são, elas próprias, aquilo que supostamente se propõem a combater!!

Os “partidários de Cristo” da época de Paulo deveriam dizer: “Pessoal, todos vcs estão errados. Só quem está certo é Cristo. Mas o ‘nosso’ Cristo. Não o de Paulo, ou de Apolo ou de Cefas”. Falavam da unidade de Cristo, fragmentando-a! Pregavam a pureza do Evangelho, contaminando seu fundamento! Exaltavam a Cristo, reduzindo-o a um partido!!  Eram, sem dúvida, especialmente carentes da exortação paulina.

Bacharel em Teologia e Filosofia. Pós-graduado em Gestão EaD e Teologia Bíblica. Mestre e Doutorando em Filosofia pela UFPE. Doutor em Teologia pela FATEFAMA. Diretor-presidente do IALTH -Instituto Aliança de Linguística, Teologia e Humanidades. Pastor da IEVCA - Igreja Evangélica Aliança. Casado com Patrícia, com quem tem uma filha, Daniela.

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