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Como interpretar com segurança profecias escatológicas

Tentar prever o dia do por do sol definitivo da humanidade não é uma aposta segura.

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O fim do mundo por John Great. (Foto: Reprodução/Wikipedia)

Olá, caro(a) amigo(a) leitor(a) do Gospel Prime!

Alerta vermelho: muito cuidado com interpretações proféticas “mirabolantes” sobre o tempo do fim!

Neste tempo em que o mundo está vivendo tantas crises desafiadoras: crise pandêmica, crise econômica, crise moral, e crise espiritual, é urgente procurar o ponto gravitacional, ou melhor dizendo, o ponto de equilíbrio do elemento preditivo da literatura bíblica profética. Infelizmente, existe muita teologia especulativa rolando por aí neste sentido.

Ao que se percebe, muitas vezes, as notícias são lidas pelos “caçadores de profecias escatológicas de plantão” e encaixadas forçosa e erradamente no texto bíblico. No entanto, o intérprete da Bíblia não pode esquecer que a Palavra de Deus tem um “sensus unum” – um só significado. Portanto, é preciso descobrir qual o sentido que o autor bíblico intentou quando ele escreveu tal e tal profecia, invés de sair por aí interpretando a Bíblia à luz das manchetes do dia, invés de interpretar a Bíblia pela Bíblia, como propõe a boa exegese.

A interpretação distorcida da profecia escatológica trás muitos malefícios e “queima o filme do cristianismo” – para dizer o de menos. É um verdadeiro embaraço para a credibilidade da cristã aos olhos dos céticos que só querem uma desculpa para criticar o povo de Deus.

Assim, gostaria de oferecer a você, duas armas de combate contra a má interpretação das profecias bíblicas escatológicas:

1 – Mantenha a profecia futura no futuro ​

Neste sentido, deveríamos fazer como sugere o título do filme: viajar “de volta para o futuro”. Por exemplo, o sermão de Jesus no Monte das Oliveiras, e os eventos do livro de Apocalipse ainda estão por acontecer em torno do começo da tribulação, e vão ter desdobramentos no milênio e na criação dos novos céus e nova terra. A psicologia diz que “ansiedade é excesso de futuro”, então, que tal deixar o futuro no lugar a que ele pertence: no futuro?

Já é tempo de pararmos de trazer para os nossos dias atuais, acontecimentos proféticos futuros, como se eles estivessem se cumprindo neste exato instante, porque eles não estão. Como diria a senhora Tweed ao Sr. Tweed, no filme “a fuga das galinhas”: “It’s all in your head” (está tudo na sua cabeça).

Na prática, se você receber uma vacina de lote 666 ou uma crachá de identificação 666 no trabalho, não existe razão absolutamente nenhuma para você sentir um frio subir na espinha… você não está na tribulação e recebendo “a marca da besta”. Uma coisa não tem simplesmente nada que ver com a outra. Só porque esses números apareceram juntos, isso não implica dizer que a profecia bíblica está se cumprindo. Quanto às guerras e rumores de guerra, pestilência, terremotos e turbulência em torno de Israel e baques econômicos… tudo isso sempre aconteceu em diferentes proporções no mundo, mas quando este bloco de acontecimentos são citados no discurso de Jesus no sermão do monte, isso tem relação com a tribulação e com a segunda vinda dele, não com o presente.

No meio da cristandade, há muitos que usam a expressão estamos vivendo “os últimos dias”, sem saber exatamente a que isso infere na Bíblia, cometendo assim um erro anacrônico.

O fato é que, na Bíblia, a expressão “últimos dias”, no Antigo Testamento, não se refere aos cristão de agora, mas ao período da tribulação, quando Deus volta a lidar com a nação de Israel. Para o povo de Israel, existia a era presente e a era futura. Existia a era durante a qual a vinda do Messias era antecipada e, então, a era em que o Messias viria e estabeleceria o seu reino.

Por exemplo, perceba que em Isaías 2.2, Deus está profetizando a chegada do reino de Israel. O profeta prenuncia: “Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do SENHOR será estabelecido”. Aqui, a expressão “últimos dias” é uma profecia do milênio relacionada à Israel, não é uma expressão da era da igreja referente à igreja. Geralmente, a confusão sobre o termo “últimos dias” acontece quando não estabelecemos a diferença entre o programa de Deus para Israel e o programa de Deus para a igreja. Em contrapartida, no Novo Testamento quando vemos a expressão “últimos dias”, precisamos entender que ela está primariamente se referindo não a um evento escatológico isolado, mas sim, ao período inteiro entre o nascimento de Jesus como homem até o retorno dele.

Hebreus 1.2 diz que “Deus, nesses últimos dias, tem nos falado através do seu Filho”. Aqui, cabe uma pergunta: Deus só tem falado através de Jesus nos dias próximos ao arrebatamento? Claro que não. Deus tem falado a todos através de Jesus desde a encarnação do Verbo. Assim, a expressão “últimos dias” nessa passagem se refere à toda a era em que nós vivemos. Os últimos dias vêm acontecendo há mais 2.000 anos. Em 1Pedro 1.20, o apóstolo diz que “Jesus foi pré-ordenado como um sacrifício pelo pecado desde a fundação do mundo, mas que foi manifestado nesses últimos dias por vocês”. Os últimos dias da manifestação dele ocorreram durante a a vida e morte dele.

Pedro diz, em sua segunda epístola, que, “nos últimos dias, virão escarnecedores”. Os escarnecedores estão resumidos à geração do arrebatamento? Não, o mundo sempre esteve explodindo de escarnecedores. Na verdade, Pedro prossegue dizendo que os escarnecedores vêm escarnecendo desde os dias de Noé, e que continuarão a ser escarnecedores até o tempo do arrebatamento, e mesmo depois. Então, o fato de que o mundo está infestado de escarnecimento não é um sinal de que estamos vivendo “na última geração”.

Resumindo, toda a era da igreja constitui “os últimos dias” porque não existem sinais que anunciem ou engatilhem o arrebatamento. Essa era pode acabar nos próximos anos, mas também pode não acabar por milhares de anos.

Até lá, a igreja de Jesus deve seguir mantendo as suas vestes alvas – livres da sujeira do pecado; continuar semeando a boa semente do evangelho nos corações dos perdidos; e em expectante oração: “Maranata” – “vem, Senhor Jesus!”

Agora, vamos à segunda arma contra o abuso da interpretação das profecias bíblicas escatológicas:

2 – Evite arriscar marcar datas

Como disse o grande teólogo falecido, R. C. Sproul: “Você terá que esperar até amanhã para descobrir a vontade de Deus para amanhã”. Parafraseando e abrangendo as palavras de Sproul, eu diria que em se tratando dos eventos que fecham as cortinas do grande espetáculo da história do nosso mundo, não é possível nem mesmo saber em qual amanhã eles sucederão.

Mesmo assim, sempre houve quem arriscasse marcar datas para os eventos dos últimos dias. O próximo grande evento marcado no calendário profético da Bíblia é a remoção do povo de Deus da terra, por ocasião do arrebatamento. A palavra grega que o apóstolo Paulo usa para se referir a esse evento é “harpazo” (1Ts 4), que significa literalmente “arrebatar”, ou “retirar” de um lugar para outro. E este evento é iminente – pode acorrer a qualquer hora, num dia comum e pegará a todos de surpresa; ele não é antecedido por nenhum acontecimento que o prenuncie. É o contrário do advento da segunda vinda de Jesus, para o qual a Bíblia oferece muitos sinais.

Mas o que tem acontecido à séculos é que as pessoas observam os eventos de profecias para o fim, que são sinais que antecedem à segunda vinda, e elas os trazem para os dias atuais, forçando estes acontecimentos com se fossem prenúncios do arrebatamento. As pessoas que fazem isso podem ser futuristas na prática, mas são historicistas na teoria, quando aplicam os eventos proféticos futuros em dias presentes. E essa mancada já aconteceu tantas vezes na história, que o povo de Deus já deveria te aprendido com os erros dos outros à esta altura do campeonato.

Os montanistas do segundo século eram viciados em estipular datas. O pai da igreja Hipólito colocou na cabeça que Jesus voltaria em 500 d.C. Agostinho calculou que o fim da raça humana aconteceria entre 650 d.C. e, então, em 1000. Então, novamente, em 1044 e, então, em 1065. O grande cientista Isaac Newton, usando a teoria dos dias-eras, aventurou-se a afirmar que o fim não poderia acontecer antes do século 21. O erudito do Grego do Novo Testamento no oitavo século J.A. Bengel, imaginou que o milênio começaria em 18 de junho de 1836.

Uma data bem popular é 1843, que foi marcada por William Miller, um dos fundadores do Adventismo do Sétimo Dia. As testemunhas de Jeová marcaram vários eventos apocalípticos para 1874, 1878, 1881, 1910, 1914, 1918, 1925 e 1984. No século 19, um sacerdote católico romano estipulou a data do fim para 1847. Por ironia do destino, o livro dele não foi publicado até 1848. Ops!

Salem Kirban concluiu que as abelhas assassinas eram os gafanhotos de Apocalipse 9 em 1977. Em 28 de outubro de 1992, uma nuvem de milhares de sul-coreanos aguardaram avidamente o arrebatamento motivados pelos seus líderes. Estima-se que 5000 deles venderam suas casas, abandonaram seus empregos e famílias para esperarem o retorno de Jesus. Muitas mulheres grávidas fizeram aborto para que pudessem ser mais facilmente arrebatadas – é o que dizem. Dá para imaginar que horror? Como não lembrar do livro de Edgar Whisenant, com o título: “​88 reasons why the rapture could be in 1988”​ (88 razões pelas quais o arrebatamento pode acontecer em 1988). Um best-seller que vendeu para lá de 3 milhões de cópias. Obviamente, as vendas caíram em 1989… que fiasco, hein? Um certo “profeta”predisse, num programa de TV, que o arrebatamento aconteceria em 1993, depois adiou a data para o ano 2000.

É muito provável que você tenha escutado algumas profecias sobre o tempo do fim. A verdade é que estamos em 2021 e a volta de Jesus ainda não aconteceu. Isso é uma prova cabal de que tentar prever o dia do por do sol definitivo da humanidade não é uma aposta segura.

Pessoalmente, acredito que a melhor forma de se comportar em relação ao retorno de Jesus não é tentando prever o dia em que ele vai voltar, mas sim, vivendo cada dia com se nós já estivéssemos com ele.

Quando perguntaram ao grande evangelista inglês do século 18, John Wesley, o que ele faria se Jesus ­voltasse amanhã e esse fosse último dia dele neste mundo, ele disse: “Eu faria exatamente o que havia planejado”.

E você, qual seria a sua resposta?

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Bacharel em teologia pela Faculdade Teológica e Apologética Dr. Walter Martin e mestrando em teologia ministerial pela Carolina University - Winston-Salem/NC/EUA. Pastor sênior da Igreja Batista Candelária em Candeias, PE, desde 2016. Escritor - autor do livro: Endireita-te com Deus - 7 Passos para uma Vida Emocional e Espiritual Plena. Casado com Shirley Costa, e pai do João Gabriel.

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