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Opinião

Chamada à vida

“Disse Jesus: Tirai a pedra”

José Brissos-Lino

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Jesus em The Bible. (Foto: Divulgação)

Durante o seu ministério público Jesus Cristo fez várias chamadas a diferentes pessoas. O caso de Lázaro inspira-nos especificamente sobre a chamada à vida que o Mestre lhe fez quando, retirada a pedra, o chamou para fora do sepulcro.

“Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.
Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?
Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido.
Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste.
E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.
E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir.
Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera, creram nele” (João 11:39-45). 

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Este episódio, relatado por João Evangelista, remete-nos para um conjunto de significados à volta da ressurreição de Lázaro. Quando Jesus nos chama à vida chama-nos, de facto em diferentes dimensões e a realidades diversas:

Das trevas para a luz

Chama-nos da escuridão do sepulcro para a luz do dia: “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (Efésios 5:8).

Do desânimo para a esperança

Chama-nos da falta de ânimo para a esperança, independentemente das circunstâncias: “Já havia quatro dias que estava na sepultura” (v17). Quando Jesus está presente tudo é possível.

Do isolamento para a comunhão

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Chama-nos da solidão para a comunhão com os outros: “Foi, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos. Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele” (12:1,2). Lázaro ressuscitado estava à mesa em comunhão com Jesus e outras pessoas.

Da tristeza para a alegria

Chama-nos do abatimento para a alegria da comunhão. Maria tinha ido chorar ao sepulcro (31); amigos e vizinhos choraram (33); Jesus chorou (35). Ele é quem transforma o nosso choro em canto: “E exultarei em Jerusalém, e me alegrarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor” (Isaías 65:19); “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30:5b).

Da dificuldade para a superação

Chama-nos a superar todos os obstáculos: “Disse Jesus: Tirai a pedra” (39). Aquilo que nós podemos fazer, Deus não faz.

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Do passado para o presente e o futuro

Chama-nos dum passado por vezes difícil para o presente abençoado e um futuro glorioso: “Eis que faço uma coisa nova, agora sairá à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo” (Isaías 43:19).

 Do imobilismo para a acção

Chama-nos da imobilidade para o movimento e a liberdade: “E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir” (v44). 

Jesus é o caminho, a verdade e a vida, portanto, quando Ele nos chama à vida chama-nos a Si mesmo. E aquele que está em Cristo tem futuro, tem vida verdadeira, com abundância: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida (João 5:24). 

Talvez não estejas morto, mas tenhas deixado morrer os teus sonhos. Cristo chama-os à vida: “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância (João 10:10). Apenas crê: “Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” (João 11:40).

Nasceu em Lisboa (1954), é casado, tem dois filhos e um neto. Doutorado em Psicologia, Especialista em Ética e em Ciência das Religiões, é director do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, em Lisboa, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e investigador.

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