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Opinião

Caso Raíssa: devemos tratar adolescentes que matam como “pequenos infratores” ou assassinos mesmo?

A cultura atual tirou o foco da responsabilidade do indivíduo e passou a tratar tudo e todos como vítimas

Maycson Rodrigues

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Raíssa Eloá Caparelli Dadona. (Foto: Reprodução / Rede Globo)

Um crime bárbaro que ainda está sob investigação. Versões que se desencontram, uma terceira pessoa é cogitada pela polícia e o fato mais catastrófico e assustador: um adolescente cometeu um crime bárbaro, ou no mínimo participou diretamente.

Temos marcas de agressão na criança e sua morte por enforcamento foi confirmada. Raíssa Eloá Caparelli Dadona, de apenas 9 anos, foi morta de forma cruel neste domingo (29), no Parque Anhanguera, Zona Norte de São Paulo, e o sentimento que brota em nosso coração é o de profunda tristeza por vermos mais uma vida sendo ceifada pelo mal que habita seres humanos que, há muito, optaram pela desumanização.

Agora, a pergunta que propõe este artigo é: como devemos tratar um adolescente que mata uma criança? Como um “pequeno infrator”? Como uma “vítima social”? Ou como o que se demonstra ser: um assassino cruel com uma real possibilidade de ainda ser um psicopata?

Pelas leis altamente lenientes do nosso código penal, um adolescente como este não passa de três anos detido, e logo já retorna ao convívio social. Na verdade, em casos assim, temos um total amparo do Estado para que este responda como um adolescente que “não possui responsabilidade civil nem criminal”; logo, as chances de crimes como este acontecerem novamente são muito maiores do que deveriam ser.

O que eu defendo é que psicopatas precisam ir para um manicômio e ficarem lá por tempo indeterminado. Tira-se do convívio em sociedade e pronto.

Caso não se comprove clinicamente a patologia, então, eu entendo que já deveríamos ter uma reforma penal que pudesse contemplar a justiça e que não permitisse a perpetuação da impunidade no nosso País.

Inglaterra e EUA sanaram bem este tipo de problema tratando casos assim como “outstanding”, ou seja, o infrator é tratado como adulto e responde ao poder público, tendo de assumir toda a responsabilidade pelo que fez.

A cultura atual tirou o foco da responsabilidade do indivíduo e passou a tratar tudo e todos como vítimas de uma ‘cultura’ ou de um sistema que os empurra para a criminalidade, como se eles não tivessem autonomia o suficiente para decidirem por um caminho dentro da legalidade, do respeito e de tudo aquilo que é bom e correto.

Com isso, temos uma geração vitimizada que, inclusive, se autojustifica culpabilizando fatores externos a si.

Em outras palavras, o indivíduo comete um crime e a culpa é do governo, da mídia, da sociedade, dos pais, minha ou sua – nunca dele. E soma-se tudo isso ao sistema penal brasileiro absurdamente frouxo, e o que temos é impunidade, violência, ódio e medo.

Para o caso em si, cabe ainda um aguardo de nossa parte, pois as investigações estão em curso e todos possuem o direito de serem julgados dentro do que a lei prevê.

No entanto, o nosso olhar como sociedade para casos assim não pode ser um olhar de relativização do ato criminoso do indivíduo, mas, sim, a constatação de que um mal foi praticado e a devida punição precisa ser aplicada, para o bem comum dos cidadãos que buscam não infringir as leis.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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