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Política

Câmara cancela homenagens à causa palestina após pressão

Data é usada pelos muçulmanos para defender que Jerusalém pertence à Palestina.

Michael Caceres

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Rodrigo Maia
Rodrigo Maia. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
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A Câmara dos Deputados cancelou uma sessão solene pelo Dia Mundial de Jerusalém (Al-Quds, em árabe), data usada pelos muçulmanos para defender que a capital de Israel pertence à Palestina. A sessão foi cancelada pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), após pressão do PSL e da Frente Parlamentar Evangélica.

O presidente da Câmara havia atendido ao pedido do deputado Evandro Roman (PSD-PR), que tem laços com a comunidade muçulmana em Foz do Iguaçu. Ele fez o requerimento no dia 10 de abril e a sessão foi autorizada por Maia em 27 de maio, mas voltou atrás.

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Segundo o jornalista Lauro Jardim, do O Globo, Rodrigo Maia afirmou que ainda deseja fazer “uma homenagem a povos árabes e muçulmanos. Mas não quer que a Câmara promova um evento com qualquer conotação de disputa entre árabes e judeus”.

O Dia Mundial de Al-Quds foi criado em 1979 pelo aiatolá Khomeini, líder da revolução iraniana deflagrada naquele ano, e atualmente é comemorada por alguns países islâmicos na última sexta-feira do Ramadã, que em 2019 foi de 6 de maio a 4 de junho.

O deputado Evandro Roman disse que não foi informado por Rodrigo Maia do cancelamento e que foi pego de surpresa.

“Ano passado nós fizemos e não teve problema nenhum. A Câmara dos Deputados é uma casa da tolerância e uma casa democrática, dos representantes do povo”, disse o parlamentar ao Congresso em Foco.

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Uma das responsáveis pelo pedido de cancelamento, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou que atendeu ao pedido da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e da Hebraica de São Paulo, que denunciaram que em países como Canadá, Reino Unido e EUA, a data é marcada por manifestações de ódio a Israel e ao povo judeu.

“No Brasil pode não ter acontecido nada [na homenagem à data na Câmara em 2018], mas você concorda que neste ano nós estamos vivendo um ambiente na política muito mais polarizado do que no ano passado?”, questiona.

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