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Opinião

Brasil e Israel: bênção ou maldição?

“E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra”. Gênesis 12:3

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Brasil e Israel
Brasil e Israel. (Foto: AFP / Nelson Almeida)


As Sagradas Escrituras deixam bem claro a relação de bênção e maldição com o Patriarca Abraão e seus descendentes, incluindo a nação de Israel, desde a antiguidade como na atualidade, uma vez que a aliança de Deus com seu povo Israel é eterna (Jeremias 31:35-37) e baseada em um eterno amor: “Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3b).

Na história bíblica os reis das nações que foram amigas de Israel foram abençoadas, como por exemplo, Ciro, o grande, que foi chamado de Messias (Ungido) por Deus e que recebeu aprovação divina para conquistar as nações da terra, conforme a profecia de Isaías: “Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão” (Isaías 45:1); além de receber a bênção divina para governar sobre elas (Isaías 45:2-3).

Há também o caso dos gibeonitas, moradores de Canaã que se recusaram a participar de uma aliança canaanita contra Israel, buscando tal aliança por ter certeza de que lhes traria proteção e bênção, mesmo que por meio de trapaça (Josué 9). Tal bênção de fato manifestou-se quando a cidade de Gibeom foi atacada pelas nações de Canaã e Israel veio em seu socorro e derrotou seus inimigos (Josué 10).

Na monarquia, o caso de Hirão, rei de Tiro na época do rei Davi e Salomão, testemunha a bênção que é ter Israel como aliado. Hirão se tornou próspero em sua aliança com Israel e grande parceiro do rei Salomão, fornecendo a madeira de cipreste e o cedro do Líbano para a construção do templo de Israel em Jerusalém (1 Reis 5).

Por outro lado, aquelas nações que se levantaram contra Israel caíram em desgraça devido ao juízo divino, mesmo as superpotências como Babilônia, Assíria, Grécia e Roma.

Como escreveu o escritor e viajante Mark Twain (1835-1910):

“Se as estatísticas estão corretas, os judeus são apenas 1% da humanidade – uma faísca insignificante no brilho da Via Láctea. Normalmente não se deveria ouvir falar dos judeus, mas ouvimos no passado e ouvimos ainda hoje falar deles. Na questão de popularidade e do sucesso, eles podem concorrer com qualquer povo da terra, e seu significado na economia e no comércio não está em razão proporcional ao número de seus integrantes. Sua contribuição na lista dos grandes nomes da literatura, ciência, arte, música, finanças, medicina e erudição profunda é igualmente surpreendente. Israel impressionou grandemente o mundo durante os séculos – e isso com as mãos amarradas às costas. Israel poderia estar orgulhoso de si mesmo com razão. Os egípcios, babilônios e persas chegaram ao poder, tomaram o mundo com seu brilho, e entraram em declínio. Seguiram-se os gregos e romanos, fizeram muito barulho, e, depois, desapareceram. Outros povos se levantaram, sua tocha brilhou por algum tempo, depois se apagou, e hoje eles se encontram na penumbra ou desapareceram por completo. O judeu viu a todos eles, derrotou a todos e é hoje o que sempre foi, sem mostrar decadência ou apresentar sinais de velhice, sem fraquezas, sem uma redução em sua energia, sem ofuscar seu espírito vivo e dinâmico. Todas as coisas são mortais, menos os judeus; todas as outras forças se vão, eles ficam. Qual é o mistério de sua imortalidade?” (apud. LIETH, 1999, p.17).

Minha única resposta a pergunta de Twain é: DEUS!

Contribuição Judaica Mundial

Não podemos esquecer da imensa contribuição do povo judeu para a humanidade na área da medicina: foi o judeu Albert Sabin que descobriu a vacina Antipólio (poliomielite), contra a paralisia infantil (Sabin esteve várias vezes no Brasil, acompanhando pessoalmente o combate à poliomielite, tendo se casado em 1972 com a brasileira Heloisa Dunshee de Abranches); do pesquisador judeu Ludwig Traube que descobriu a Digitalina, tônico que faz parte do arsenal terapêutico para tratamento de insuficiência cardíaca; dos cientistas judeus Spiro e Eiloge que descobriram a pyramidon (piramidona, dipirona, novalgina), composto químico derivado da antipirina e superior a ela, como antipirético e analgésico, especialmente usado para dor de cabeça; Oskar Liebreich, também judeu, que teve a ideia de usar o Hidrato de Cloral para combater as convulsões; as pesquisas de outro judeu, chamado Oskar Minkowski, levou outros médicos e cientistas à descoberta da insulina como tratamento para a doença do diabetes (esse último reconheceu o Senhor Jesus como seu Salvador pessoal); além de muitos outros ganhadores de prêmios Nobel, como: Volitzer, Barangay, Otto Warburg, Judasson, Bruno Bloch, Uma Oppennhhein, Kronecher, Benediel Fraenkel, etc.

Na música, temos a canção de Natal “Noite Feliz”, executada no mundo inteiro, de autoria dos compositores judeus George Guerchwin e Irving Berlin; a clássica Marcha Nupcial de Mendelsson e também os clássicos de Mahler.

Graças ao povo judeu podemos usufruir de todos os inventos maravilhosos que surgiram no século 20 em face da era nuclear, o que só foi possível graças à teoria da relatividade do físico judeu Albert Einstein.

O Brasil e o Novo Estado de Israel

O Brasil teve um papel importantíssimo no nascimento do novo Estado de Israel. Quando o diplomata Oswaldo Aranha foi secretário da Organização das Nações Unidas (ONU), presidiu a sessão para tratar da “Partilha da Palestina”, que teve início no dia 26 de Novembro de 1947, e interrompeu-a devido a seu excessivo prolongamento, retornando somente no dia 29, depois do feriado de Ações de Graças, o que – segundo alguns estudioso – possibilitou um trabalho de convencimento nos bastidores pelos diplomatas judeus de alguns países que estavam indecisos sobre a questão.

Enfim, graças à decisão de Oswaldo Aranha, no dia 29 de Novembro de 1947, a Assembleia Geral da ONU em Nova York votou em dividir a Palestina em um Estado Árabe e um Judeu, com 33 votos a favor, 13 votos contrários e 10 abstenções. No ano seguinte, em 14 de Maio de 1948, foi declarada a Independência do Estado de Israel. Ademais, em 7 de fevereiro de 1949, o Brasil se tornou um dos primeiros países a reconhecer o Estado de Israel. Deste modo, mesmo antes do renascimento de Israel, o Brasil desempenhou um papel significativo no estabelecimento do Estado judeu moderno, incluindo sua participação em favor do Plano de Partição da Palestina.

Uma “coincidência” histórica positiva entre o Brasil e Israel após a liderança de Oswaldo Aranha na ONU foi que (apesar do petróleo brasileiro ter sido descoberto em 1939) a fundação da Petrobrás deu-se em 1953, isto é, seis anos após a “Partilha da Palestina” na ONU, cinco anos após a independência de Israel e quatro anos após o reconhecimento do Brasil sobre o Estado de Israel no Oriente Médio, nas terras de seus antepassados.

Israel na atualidade

Apesar de ser obrigado a investir cerca de 10% do PIB na defesa do país, Israel é o país que mais gasta com pesquisa e desenvolvimento (P&D): são 4,4% do seu PIB, quase o dobro da média (2,4%) dos 34 países desenvolvidos que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Toda empresa multinacional de tecnologia do mundo tem um centro de P&D em Israel, incluindo Intel, IBM, Microsoft, Google, Facebook e Apple. O país também possui mais empresas listadas na Bolsa Eletrônica “Nasdaq” do que toda a comunidade europeia junta. Israel possui o segundo maior número de companhias startups no mundo, logo depois dos Estados Unidos.

Dentre as criações dos cientistas israelenses pode-se destacar: o telefone celular (laboratório da Motorola), a tecnologia de chips para o processador Pentium (laboratório da Intel), o sistema de armazenamento de voz (“voice mail”), o primeiro programa antivírus para computadores e o ICQ, programa de comunicação instantânea pioneiro na Internet.

Apesar dos limitados recursos naturais, o intensivo desenvolvimento industrial e agrícola ao longo das últimas décadas fez com que Israel se tornasse amplamente auto suficiente na produção de alimentos. O país é reconhecido mundialmente por suas tecnologias de ponta em reuso, dessalinização e controle de perdas de água. Israel nos últimos cem anos plantou cem milhões de árvores e é o único país no mundo que fez o deserto recuar.

É também o primeiro no ranking mundial per capita de número de artigos científicos e de patentes de equipamentos médicos.

Foi uma empresa israelense que desenvolveu: o exame de sangue que permite diagnosticar ataques cardíacos por telefone; o primeiro sistema para detecção de câncer de mama isento de radiação e monitorado por computador; a primeira filmadora em forma de cápsula ingerível, que permite o exame do intestino delgado e o diagnóstico de câncer e de disfunções digestivas.

Contando com apenas 0,2% da população mundial, os judeus já conquistaram 22% de todos os “Prêmios Nobel”.

Em termos educacionais, Israel também se destaca: possui o maior percentual em número de diplomas de curso superior e centros de referências em várias especialidades, como os institutos Technion (Tecnologia) e Weizmann (Ciências). A Universidade Hebraica de Jerusalém, está entre as 100 melhores do mundo.

Assim como as alianças estabelecidas com Israel no período Bíblico trouxeram bênção para seus aliados, da mesmo forma o povo judeu buscou, com suas descobertas, o bem estar da humanidade. O Estado de Israel continua incentivando a pesquisa na área da saúde, o empreendedorismo, nas startups, na busca de solução de problemas que afligem os seres humanos. Desde sua fundação, a Nação de Israel se dispôs à fraternidade com as demais nações, em especial por meio da ONU, por vezes até mesmo sem demandar reconhecimento, como quando retirava os rótulos da Estrela de David Vermelha (correspondente judaico da Cruz Vermelha) das doações de produtos de ajuda humanitária destinados a socorrer vítimas de catástrofes em países islâmicos ou em governos antissemitas.

Tudo isso me leva a acreditar que a parceria do Brasil com Israel nas áreas comercial, de tecnologia, de irrigação, de segurança e etc. trará grandes bênçãos para o Brasil.

A Igreja não pode esquecer das bênçãos espirituais compartilhadas por Israel ao mundo, como encontramos em Romanos 9:4-5: Adoção – condição física e “espiritual”; Glória – revelação divina; Alianças – posição de vassalo com o suserano; Lei – forma de relação e obediência (Sinai); Culto – forma de adoração; Promessas – bênçãos condicionais e incondicionais; Pais – patriarcas; e, sobre tudo, Cristo – o Messias, o Senhor da Igreja e Salvador do Mundo. Também devemos recordar as palavras do apóstolo Paulo, que nos orientam: “Porque, se os gentios foram participantes dos seus bens espirituais, devem também ministrar-lhes os temporais” (Romanos 15:27); isto é, devemos compartilhar com Israel bênçãos materiais, o que pode ser realizado por meio de um governo justo pró Israel.

Uma frase bem interessante que tem circulado pelas mídias sociais sintetiza corretamente as relações de Israel e Brasil: “Israel nunca recebeu um real do Brasil, [mas] enviou tropas, aeronaves e equipamentos para auxiliar no desastre de Brumadinho; [por sua vez,] nações que receberam bilhões do BNDES, [não realizaram] nem um pronunciamento expressando comoção. Estivemos por anos com ‘os amigos errados’”.



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