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Sociedade

Bolsonaro deve barrar reitores de esquerda em Universidades Federais

ANDIFER defende o direito dos funcionários e alunos escolherem a reitoria

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Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Entre as suas atribuições como presidente, Jair Bolsonaro poderá escolher os reitores de 11 Universidades Federais neste primeiro ano de mandato. Diante disto, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (ANDIFES) teme a demissão de reitores de esquerda.

Em uma nota pública, a entidade que é uma espécie de sindicato, declarou que “a democracia é um valor universal” e insinuar que está insatisfeita com os resultados das eleições.

Eles afirmam que a escolha deve respeitar colégio eleitoral de suas respectivas universidades. “Sendo garantido assim um elemento definidor da democracia, que é o respeito à vontade da maioria”, declara.

Antes da lei aprovada no final do governo de Michel Temer, quem decidia a reitoria das universidades federais eram os funcionários e alunos, através de eleições.

A ANDIFES defende que sejam conduzidos ao cargo de reitor aqueles docentes autonomamente indicados no primeiro lugar pelo colégio eleitoral. “A indicação do primeiro colocado deve, pois, ser respeitada, por um lado, como um valor da democracia e, por outro, em respeito à autonomia de cada instituição”, diz a nota.

Leia a nota:

Nota da Andifes sobre a nomeação de reitores nas universidades federais
Publicação:Quarta-Feira, 23/01/2019
A democracia não é um simples meio, mas um valor universal. Como método mais legítimo de expressão da vontade coletiva, não pode ser descartada, necessitando, sim, ser sempre aprimorada. A democracia exige permanente aperfeiçoamento e constante reafirmação, de modo que as decisões sejam tomadas com plenitude de condições, transparência, dados verdadeiros e debate autêntico que permitam, enfim, a decisão autônoma e soberana das comunidades concernidas. E é importante que isso seja reafirmado, por mais que possamos estar insatisfeitos com quaisquer resultados eleitorais, e por mais que devamos sempre enfrentar as decisões de quantos, uma vez eleitos, ajam contra os princípios da democracia.

Nos próximos quatro anos, todas as universidades federais vivenciarão a renovação ou mudança de seus gestores. É essencial, então, afirmar publicamente a importância de serem conduzidos ao cargo de reitor ou reitora aqueles docentes autonomamente indicados no primeiro lugar pelo colégio eleitoral de suas respectivas universidades, sendo garantido assim um elemento definidor da democracia, que é o respeito à vontade da maioria. Nos marcos da legislação atual, o envio de uma lista pela instituição deve ser respeitado. Entretanto, não podemos deixar de defender a indicação de quem teve mais votos no colégio eleitoral. A indicação do primeiro colocado deve, pois, ser respeitada, por um lado, como um valor da democracia e, por outro, em respeito à autonomia de cada instituição.

Devemos, portanto, garantir o reconhecimento da expressão legítima da vontade da instituição, também com o claro benefício político e administrativo de que, dessa maneira, contribuiremos para a agregação interna de uma comunidade voltada à realização de ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Não respeitar a indicação de um primeiro lugar não é simplesmente fazer um juízo contrário à qualidade administrativa ou às posições políticas de um candidato ou candidata, mas, sim, de modo bastante grave, desqualificar a comunidade universitária e, também, desrespeitar a própria sociedade brasileira, atentando contra o princípio constitucional que preza a autonomia das universidades públicas.

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