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Opinião

Bancada Evangélica: pare de brigar por migalhas e comece a lutar por justiça

Igrejas não precisam mais de isenções

Maycson Rodrigues

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Bancada Evangélica. (Foto: Reprodução / Facebook)

Perdoem-me mesmo a paráfrase praticamente indevida, mas a vontade que eu tenho é de dizer: “nem só de isenção viverá o deputado evangélico, mas de toda relevância política na luta por um país mais livre, mais justo e com menos pobreza e miséria”.

É de espantar a baixa capacidade desta bancada de lutar por aquilo que é essencial, enquanto fazem videozinho comemorando isenção de impostos para o benefício de suas estruturas de poder eclesiástico.

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Não posso generalizar e sempre acho uma postura leviana por parte de quem o faz, contudo, a verdade é que o Brasil precisa de melhores políticos, começando pelos que se dizem ser parte do povo de Deus. Ainda são muitos os oportunistas que se aproveitam da influência que conseguem na igreja para galgarem o poder público e não fazerem absolutamente nada pelo povo.

O que esperamos de um deputado ou senador? Que ele lute por leis mais justas, que se coloque no combate à impunidade e trabalhe para que as pessoas tenham mais acesso aos serviços públicos básicos e fundamentais, como saúde e educação. Esperamos que eles legislem para o povo e não em causa própria.

E se o político evangélico assume um cargo no Executivo? Esperamos que trabalhe para que os impostos diminuam, sem que o serviço público seja defasado. Elegemos um prefeito ou governador ou mesmo o presidente da República para que lutem pela nossa dignidade enquanto cidadãos e pelas liberdades individuais e o direito à vida. Tudo o que não queremos é que somente se esforcem para que façam política com o desejo de se perpetuarem no poder.

Aliás, o político que está tramando meios de permanecer na política por longas datas talvez esteja pensando apenas no poder, e não no serviço, que é o que deveria ser o objetivo principal de alguém assumir a vida pública.

Chega a ser patético a quantidade de movimentações na pautas morais e, simultaneamente, a inércia na luta política em pautas sociais. Impedir a relativização da prática do aborto é algo importante; porém, tão importante quanto é que a população tenha acesso ao saneamento básico e consiga ir e vir todos os dias do ano.

Quando é que estes políticos evangélicos vão se colocar na linha de frente pela redução dos impostos sobre os produtos e serviços? Quando que vão postar um vídeo celebrando alguma emenda parlamentar que ajudou o Brasil a gerar mais empregos? Sabemos que tem político na bancada evangélica que votou contra a Reforma da Previdência, inclusive, porque nem se deu o trabalho de estudar a proposta apresentada pelo governo.

Já chega de hipocrisia. Vocês precisam produzir infinitamente mais e nós esperamos que exerçam suas autonomias e não se tornem em marionetes de político algum nem mesmo de família alguma de político. E sendo mais direto, peço que parem de se ancorar no presidente e mantenham uma distância de segurança política necessária para que possam criticar quando for preciso.

Uma coisa é você apoiar as mudanças corretas que o governo está propondo e se alinhar politicamente em certas pautas; outra é você se tornar capacho e se amarrar politicamente por inteiro, não podendo mais discordar de algo que possa estar errado. Agora, só vai assumir este tipo de posição aquele político evangélico que de fato está no Congresso para servir, não para ser servido.

Que neste ano a população fique bastante atenta ao político que vai usar o Fundão (por exemplo) e que vai continuar lutando por isenções que acabam por culminar em mais taxação de impostos justamente do mais pobre. O que queremos é que vocês lutem mais por justiça do que pelas migalhas que caem da mesa presidencial.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ), na juventude da PIB de Vilar Carioca e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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