Siga-nos!

estudos bíblicos

Atitude de fé

Há uma diferença entre fé e atitude de fé. Mas também existem inúmeros equívocos sobre o que é a fé, essa centralidade de toda a vida cristã.

José Brissos-Lino

em

Mãos esperando receber uma oração (Jeremy Yap / Unsplash)

O homem de fé não é aquele que grita muito, que elabora grandes proclamações em público. A fé não é alvoroço, ajuntamento, multidões, mas apenas uma atitude do coração.

Tem que ver com o interior do ser e não tanto com o que se projecta e muito menos em público. Onde podemos encontrar o exemplo mais perfeito de fé é em Jesus Cristo, visto ser ele a referência maior para qualquer dimensão da vida espiritual.

A essência da fé não é a proclamação que se faz da boca para fora. Apesar disso a fé deve ser confessada:

“Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos. A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Romanos 10:8,9)

Por outro lado, as nossas palavras devem expressar a fé que nos anima: “Cri, por isso falei” (Salmos 116:10a).

O Livro de Hebreus dá-nos talvez as melhores definições de fé, quando diz que Abraão creu contra a esperança: “O qual, em esperança, creu contra a esperança” (Romanos 4:18), ou quando afirma que “(…) a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam.”

Porque uma mulher grávida crê que vai ter uma criança prepara o quartinho para o bebé. Ela não tem uma prova material de que vai levar a gravidez até ao fim, sem saber ao certo se aquela criança vai nascer viva, mas crê que sim.

O autor da Epístola aos Hebreus diz ainda que a fé é “a prova das coisas que se não vêem.” De facto não se trata de uma prova material, como nos tribunais, mas de convicção profunda de algo que Deus prometeu, mesmo que ainda não possamos estar a ver. Mas também é preciso que tenha sido mesmo Deus a prometer e não a vontade ou o desejo humanos.

Atitude de fé

O que Deus espera de nós é uma atitude de fé.

Desde logo porque sem essa atitude não lhe podemos agradar: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe” (v 6). Quando somos recebidos por uma personalidade muito importante procuramos cair no seu agrado, ou porque necessitamos do seu favor ou simplesmente porque queremos deixar uma boa imagem.

Por outro lado Deus não aceita aproximações desconfiadas: “porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe”. A criança confia no seu pai, a menos que tenha fortes razões para não o fazer. Mas isso não chega. Também é necessário crer que o Pai celestial é abençoador e tem planos de paz para os seus filhos. Ou seja, que Ele “é galardoador dos que o buscam.”

Mas uma atitude de fé não é mandar Deus fazer o que eu quero! Deixo um conselho aos “soberbos da fé”. Estudem as orações que Jesus dirigiu ao Pai, quando estava a só com Ele, e que ficaram registadas nos evangelhos.

Há ali alguma exigência, algum ultimato, algum relembrar as Escrituras para o “empurrar” a fazer o que aquele que ora pretende? Não. Leia-se a oração do Getsémani, descrita em Lucas 22:41,42:

“E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.”

Apenas humildade e sujeição à soberania divina.

Deus não procura fezadas, isto é, pessoas com grande quantidade de fé, pois a fé não se mede a metro nem ao quilo! Aliás, quem tiver fé do tamanho de um grão de mostarda poderá fazer grandes coisas:

“Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé. E disse o Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te daqui, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria” (Lucas 17:5,6).

Deus não procura supercrentes, até porque eles não existem, e os que se armam em tal apenas revelam soberba espiritual, pois Jesus era manso e humilde de coração.

O que Deus procura é adoradores genuínos: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24), ou seja, pessoas que se chegam a Ele numa verdadeira atitude de fé. Por outras palavras, pessoas que crêem no amor e confiam no cuidado de Deus.

Se achas que tens pouca fé, não te preocupes com isso. Mas chega-te a Deus numa atitude de fé e confia inteiramente n’Ele.

Nasceu em Lisboa (1954), é casado, tem dois filhos e um neto. Doutorado em Psicologia, Especialista em Ética e em Ciência das Religiões, é director do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, em Lisboa, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e investigador.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Trending