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Opinião

Ateísmo e massificação

As três religiões monoteístas abraâmicas passaram a ser vistas como fonte de boa parte das mazelas do mundo atual.

Leandro Bueno

Publicado

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11 de setembro de 2001. Lembro como se fosse hoje: Estava eu dormindo no sofá da sala e, não na cama (um dos meus costumes de solteiro), quando acordei próximo das 9h00 da manhã, e liguei a minha televisão na Globonews e ainda com a cara amassada de sono, e com dificuldade de abrir os olhos, vi um prédio com 2 torres fumegando, após colisão de dois aviões. Sem entender direito, joguei uma água na cara e aí, sim, fui me deparar com o inusitado ataque terrorista que derrubou as Torres Gêmeas, em Nova York.

A partir daquele momento histórico, pudemos observar uma verdadeira reviravolta na visão que muitos passaram a ter da religião. O Islamismo, em especial,  o Cristianismo, e, em menor escala, o Judaísmo, ou seja, as três religiões monoteístas abraâmicas passaram a ser vistas como fonte de boa parte das mazelas do mundo atual.

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Neste momento do 11 de setembro, como reconhece a própria Fundação Richard Dawkins (uma das maiores entidades seculares do mundo, em seu site), nasceu o momento propício para uma modalidade nova de ateísmo, que ganhou a alcunha por alguns de “neo-ateísmo”, tendo como grandes nomes, Richard Dawkins, Sam Harris, o recém-falecido jornalista Christopher Hitchens e o filósofo Daniel Dennett, tendo a mídia apelidado esse quarteto de “cavaleiros do ateísmo”, fazendo uma alusão aos 4 cavaleiros descritos no livro de Apocalipse.

Posteriormente, outros se juntaram a esse grupo, como o apresentador de TV Bill Maher, o ativista e ex-pastor Dan Barker, o filósofo suíço Alain de Botton, o psicólogo Michael Shermer e o físico Lawrence Krauss.

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Com efeito, cria-se toda uma indústria editorial, congressos financiados e até passeatas que cortam os EUA (chamadas ali de “rally”), em especial, advogando uma “era da razão”, entendida essa expressão, como uma “era sem Deus”. É como se quisessem implantar na cabeças das pessoas, que uma pessoa de fé não pode ser racional.

Ora, se ateísmo fosse sinônimo de ciência, ou religioso de ser irracional, o que dizer de caras geniais como estes cientistas e pessoas de fé?: Francis Bacon, Galileu Galilei, Isaac Newton, Francis Collins, Johannes Kepler, Robert Boyle, Carolus Linneaus, Lonhard Euler, William Herschel, James Parkinson, Jedidiah morse, John Dalton, Michael Faraday, Richard Owen, James P. Joule, George Stoke, Gregor Mendel, Louis Pasteur, William Thompson (Lord Kelvin), Bernhard Riemann, James C. Maxwell, John Strutt (Lord Rayleigh), John A.  Fleming, Ernest J. Mann, William Ramsey e Wernher von Brauns.

Não é exagerado dizer que hoje até esse novo ateísmo tornou-se um “BU$INE$$”, e é algo que interessa à parte da elite global. Penso dessa forma, porque todas as três religiões abraâmicas, elas possuem um código moral muito forte, a definir o que é certo e o que é errado.

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Isso, em um mundo globalizado e sem fronteiras, como quer a agenda global, a existência destas religiões trazem percalços grandes, pois  neste modelo, não devem haver barreiras de qualquer natureza, para um maior lucro das multinacionais, a começar pelas barreiras religiosas.

Pegue, por exemplo, a questão da maconha e das drogas em geral, que as religiões se opõem violentamente. A maconha, que até bem pouco tempo, era uma droga que ligavam aos foras-da-lei e desajustados da sociedade, depois na virada dos anos 60/70, passou a ser símbolo de liberdade na época do desbunde, do “Flower Power”, para agora, virar quase que uma substância milagrosa, e que não traz nenhum problema de saúde às pessoas ou quando muito no mesmo nível de um álcool ou de um cigarro.

Ou seja, rasgam-se da noite pro dia, vários estudos médicos sérios, demonstrando os malefícios para a saúde, fora a questão da alienação social que a droga gera.

O mesmo eu poderia dizer do mercado GLBT, que não é abraçado pelas igrejas, em geral. Ora, qualquer publicitário sabe que esse mercado é milionário, pois boa parte desta comunidade é ligada em modismos e consumismo, com diversos indivíduos que possuem um ótimo padrão econômico, até porque muitos não chegam a formar famílias estáveis e duradoras.

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Outro exemplo? Veja diversas das revistinhas de ciência que se vende nas bancas para os adolescentes. Quase 100% delas traz uma matéria, atacando a fé, para polemizar e lucrar em cima. Geralmente são reportagens fraquíssimas, para qualquer pessoa que se proponha a confrontar o que ali está escrito.

E o que, em especial, diferencia o ateísmo desta nova onda de ceticismo, que ganhou o apelido de “neo-ateísmo” ?

O ateu “clássico”, se assim podemos chamar, seria aquele indivíduo que possui a convicção interior de que sua vida é um mero acaso, já que não existe um ente superior inteligente que gerou a vida e o universo. Com efeito, para essa pessoa, a vida ela se resume ao significado que cada um dá a ela, nos poucos anos que passa por esse mundo, não existindo, assim, um propósito “maior” na existência. Essas são as conclusões lógicas que nascem de uma visão de mundo sem Deus. Ou seja, nossa existência seria algo totalmente irrelevante para um universo frio e impessoal à nossa presença.

Por sua vez, o “neo-ateísmo”, ele toma uma posição bem mais agressiva, de confrontação,  no momento em que busca fulminar as religiões, atacando praticamente toda a manifestação de religiosidade do povo, sob a alegação de que é preciso preservar o “estado laico”, apesar deste termo nunca ter sido sinônimo de repulsa ou desconfiança da fé ou vontade de silenciar a fé nas pessoas e, sim, de mera neutralidade às religiões. Daí, a diferença entre laicismo e laicidade, respectivamente.

Assim, é que vemos frequentemente investidas contra crucifixos em tribunais e órgãos públicos, ações judiciais querendo questionar a expressão “Deus Seja Louvado” nas cédulas, quando não debanda para condutas surreais, como vemos nos Estados Unidos, onde grupos seculares apoiam até construção de monumentos satânicos, não porque acreditem no diabo, mas como uma forma de confrontar a “supremacia” cristã.

Neste contexto, uma das principais armas que esses neo-ateus têm utilizado para fazer novos “discípulos” é a INTERNET. Ou seja, apesar dela ser um excelente meio de comunicação para se adquirir informações as mais variadas possíveis, ela também vem sendo veículo de divulgações de várias mentiras ou meias-verdades, que buscam confrontar a fé.

Para uma sociedade, como a nossa, onde a leitura de livros e o confirmar de informações é algo pouquíssimo praticado pelas pessoas, essas mentiras vão se alastrando, e criando mais céticos ao redor do mundo.

Assim, esse meu artigo, busca não criticar o ateu como pessoa, longe disso, até porque cada um prestará suas contas a Deus, sobre suas vidas e o uso que fez de seus talentos. Fora que não posso fazer acepção de pessoas, discriminar indivíduos, por não terem fé em Deus.

Mas, abaixo busco evidenciar apenas duas destas “armadilhas” que vêm sendo usadas como ataque à fé, e aqui, em especial, o Cristianismo, em total deturpação à realidade como um todo.

O uso de rótulos depreciativos para quem tem fé

Hoje, se você ouve muitos dos chamados “formadores de opinião” ou os gurus da “geração Y” (também chamada por alguns de geração MILLENIAL, os nascidos pós-2000), observa-se com extrema frequência esse pessoal rotulando o tempo todo cristãos como indivíduos homofóbicos, sexistas, misóginos, reacionários, fascistas, atrasados da época do Bronze, “evanjegues”, etc.

Ora, rótulo é algo que evidencia quem não quer pensar, até porque ninguém pode julgar o todo pela parte. O uso de rótulos no contexto aqui que menciono tem a finalidade de silenciar os valores judaico-cristãos da esfera pública, como muito bem explicado em um livro recente que li, chamado The Silencing (“O Silenciar”, ainda sem versão em Português), da conceituada jornalista americana Kirsten Powers.

Neste livro, ela explica, com inúmeros exemplos irrefutáveis, como o uso de rótulos é um claro DIVERSIONISMO, ou seja, o recurso de usar artimanhas, a fim de prejudicar a discussão de um ponto. Assim, se um cristão quer expor seu ponto de vista, grude logo nele um rótulo e os outros terão dificuldade de querer ouvir suas ideias.

Por exemplo, é fácil falar que cristão não tem moral para o debate público, por pertencer a uma religião que matou várias pessoas na Inquisição, mas, não saber essa mesma pessoa que invoca esse passado da Igreja Católica, que, em um único ano da Revolução Francesa, os jacobinos, que eram violentamente antirreligiosos, mataram mais gente que em três séculos de Inquisição.

Outro erro primário, quando não má-fé, destes divulgadores do neo-ateísmo, é querer julgar os eventos do passado, com o olhar de hoje. Ou seja, citam guerras, genocídios, etc., presentes no Antigo Testamento, e esquecem completamente o período de total barbárie que se vivia naquele momento histórico e até bem recentemente. Muitos dos direitos humanos que conhecemos hoje são conquista muito recentes, e nasceram no seio de nações de herança judaico-cristã, apesar de muitos destes céticos negarem isso. Basta lembrar que até em países nórdicos, que estão entre os mais avançados, até pouco tempo atrás a eugenia era algo legalizado.

Outrossim, merece ser citado uma curiosidade para aqueles que enchem a boca que quase todas as guerras no mundo foram por causa de religião: na recente compilação abrangente da História das Guerras Humanas, a “Enciclopédia das Guerras”, dos especialistas bélicos Charles Phillips e Alan Axelrod documentam 1.763 guerras, das quais 123 foram classificadas como envolvendo algum conflito religioso.

Então, o que alguns ateus militantes açodados tem colocado como a “maior causa das guerras” não chega a 7% do total. Vale observar que 66 desses conflitos (mais de 50%) envolveram o Oriente médio, quando o Islã nem existia ainda como religião institucionalizada. Ademais, se esses ateus militantes estivessem corretos, a nação industrial mais religiosa, os Estados Unidos da América, deveria estar envolvida em mais guerras religiosas que qualquer outro país. No entanto, apenas a “Guerra ao Terror”, entre todas as 17 guerras americanas, envolve um componente religioso.

Fora, que muitas vezes a religião, em um ambiente de guerra, é apenas um elemento identificador do grupo envolvido no conflito, sendo invocada apenas para esconder os reais motivos geopolíticos que deflagraram aquela guerra. É muito mais fácil falar que precisamos matar, porque Deus mandou do que assumir os reais interesses envolvidos. Exemplo são as próprias cruzadas, onde as elites, em um primeiro momento, invocaram a necessidade de preservar os lugares santos em Jerusalém, mas, era inequívoco que o motivo  era abrir rotas comerciais para se chegar aos mercados de especiarias no oriente. Ou seja, frequentemente usam o nome de Deus em vão.

Assim, cria-se perante determinados grupos sociais uma verdadeira ojeriza aos religiosos. Não é por outra razão que vejo frequentemente em debates nas redes sociais, homossexuais que se dizem ateus, não porque, aparentemente o sejam, mas, como uma espécie de visão que se criou que todo cristão seria um homofóbico, pelo menos em potencial.

E infelizmente, em algumas igrejas, esses homossexuais foram, sim, feridos e desprezados. Porém, esses pensadores, de forma persuasiva, buscam implantar na cabeça de muitos a ideia de que Deus está no mesmo pacote da religião, como se fossem a mesma coisa. Muitas vezes conseguem êxito, pois há pessoas que não conseguem dissociar Deus do comportamento dos líderes de igrejas, dos pecados e hipocrisia que vemos em muitos templos. Ou seja, é fácil falar que é preciso olhar para Deus, e não para o homem que peca, difícil para alguns é ter essa consciência, de fato, para entender que Deus não tem nada a ver com aquilo. Ou seja, eu não posso querer dizer que sou um ateu, simplesmente por eu ser um amargurado, um ser adoecido pela religião, ainda que muita da dor dessas pessoas possa ser plenamente compreensível. Mas, ateísmo não se confunde com ranço antirreligioso ou anticlerical.

E a mídia usa e abusa desta “guerrinha santa” para fomentar ainda mais divisões. Apenas para ficar em um exemplo, próprio termo HOMOFOBIA, talvez seja um dos mais mal-aplicados no contexto atual, e quase onipresente. Como leio vários jornais, fico impressionado, como em muitos casos, um homossexual é morto e, sem qualquer investigação prévia, dizem que aquilo foi um ato homofóbico, para depois se descobrir que teve outra motivação bem diferente. Mas, aí, a mídia nunca dá o mesmo estardalhaço que deu quando o corpo da vítima ainda nem havia esfriado.

O mesmo acontece hoje no ataque às religiões afros. Terreiros pegam fogo e até uma menina leva uma pedrada na cabeça, e a mídia logo sapeca que são evangélicos os autores, sendo que na maioria dos casos noticiados, não há prova nenhuma que demonstre concretamente essa intolerância.

Entenda que aqui, não estou negando que existam religiosos homofóbicos, ou que se enquadre nos rótulos que citei, mas, questiono é a generalização e o pouquíssimo cuidado com a manipulação ideológica, principalmente na cabeça dos mais jovens. Ora, caráter da pessoa não é medida a partir do fato dela pertenceu ou não a uma religião. É algo individual. Daí, a total ignorância e injustiça, a meu ver, quando usam destes rótulos, apenas para calar quem pensa diferente.

A tentativa da desconstrução da pessoa de Jesus

Tempos atrás, viralizou na internet um documentário que fez grande sucesso entre os jovens chamado “Zeitsgeist” e em, 2008, o apresentador judeu-americano Bill Maher, lançou o documentário cômico “Religulous”, um trocadilho da junção das palavras “religion” (religião) + “ridiculous” (ridículo).

Jesus

Ambos traziam a lorota impressionante e repetida à exaustão, de que Jesus nunca teria existido, sendo apenas uma síntese de vários mitos anteriores. Um exemplo do desserviço prestado por esses dois filmes: Citavam que Jesus nasceu em 25 de dezembro, o que seria próximo ao solstício de inverno no Hemisfério Norte, quando teriam nascidos vários mitos de outras religiões.

Ora, a Bíblia nunca afirmou a data exata do nascimento de Jesus. O que ocorreu, por parte da Igreja Católica, foi uma tentativa de cristianizar os festivais “pagãos”, provavelmente no século IV.

Como sou curioso, fui pesquisar as “semelhanças” entre Jesus e os tais mitos, usando para tanto livros conceituados de mitologia. A semelhança que encontrei entre Jesus e estes mitos seria o mesmo que eu dizer que eu e minha esposa somos a mesma pessoa, porque temos dois braços, rsrs. Ou seja, algo totalmente sem sentido, mas que muitos compraram como “verdade absoluta”.

Outra coisa que nunca é dito por esses pensadores ateístas que atacam o Cristianismo é que fora as várias citações encontradas na Bíblia, por diferentes autores, existem várias fontes não-cristãs que citam Jesus, como Josefo, Tácito, Plínio, o Jovem, Flegon, Talo, Suetônio, Luciano, Celsus, Mara Bar Serapion e o próprio Talmude Judaico.  Quando muito esses ateus militantes atacam Josefo, dizendo que o seu texto foi interpolado (falsificado), porém, sem qualquer prova concreta disso.

Interessante saber também que se Jesus fosse um “ser fictício, ele seria o único caso no mundo onde criou-se toda uma filosofia de amor em cima de alguém que não existiu. Pior, seria um “ser inventado”, que conviveu com quase 30 personagens no Novo Testamento, que já são provados por escritores não-cristãos e/ou confirmados por meio da arqueologia: Agripa I, Agripa II, Ananias, Anás, Aretas, Berenice (mulher de Agripa II), Caifás, Cesar Augusto, Claudio, Drusila (esposa de Félix), Erasto, falso profeta egípcio, Félix, Filha de Herodias (Salomé), Gálio, Gamaliel, Herodes Antipas, Herodes Arquelau, Herodes Filipe I, Herodes Filipe II, Herodes, o Grande, Herodias, João Batista, Judas, o Galileu, Lisânias, Pilatos, Pórcio Festo, Quirino, Sérgio Paulo, Tiago e Tibério César.

Assim, como é impossível para essa gente negar a figura do Jesus Histórico, atacam dizendo que os escritos bíblicos não foram imediatamente escritos contemporaneamente a Jesus. O que ocorreu é que na comunidade cristã primitiva que se formou com Jesus, boa parte dos acontecimentos era transmitido de forma oral.

Porém, quando começaram a falecer os primeiros cristãos desta leva, viram a necessidade de deixar os ensinamentos do mestre escritos para a posteridade, sendo que talvez o maior pregador de todos os tempos, o apóstolo Paulo era contemporâneo de Jesus, sendo que suas cartas já tiveram há muito a autenticidade provada.

Concluo, o meu texto, dizendo que Deus não se prova como uma espécie de “ratinho de laboratório”, como parecem sugerir esses militantes ateus, mas, sim, a partir de um relacionamento com Deus, de saber quem Ele é na nossa vida. Se pudéssemos hoje provar Deus como se prova que 2+2=4, não precisaríamos de fé.

Mais a mais, creio, como o culto pastor Ed René Kivitz, que ficar discutindo com um ateu, se Deus existe ou não, é PERFUMARIA, é PERDA DE TEMPO, e assumo que já tive essa postura nas redes sociais com determinados céticos, em uma briga cega de egos que não levava a lugar nenhum, até porque quem convence o outro da fé, não sou eu, mas o Espírito Santo.

Mas, o correto é pensar como o doutor da Igreja, Tomás de Aquino, dizia: “Par aqueles que tem fé, nenhuma explicação é necessária. Para aqueles sem fé, nenhuma explicação é possível.”




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