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Arqueologia Bíblica comemora os 10 anos das escavações em Magdala

Magdala é um dos mais importantes sítios arqueológicos dos últimos 50 anos.

Cris Beloni

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Sítio arqueológico de Magdala
Sítio arqueológico de Magdala (Foto: Divulgação/Sítio Magdala)

Um dos mais importantes sítios arqueológicos dos últimos 50 anos fica em Magdala, em Israel, onde provavelmente viveu Maria Madalena. Para a arqueologia bíblica, as descobertas têm sido essenciais para compreender como era o cotidiano dos cristãos no século I.

Há 10 anos, a arqueóloga e diretora Marcela Zapata Meza, deu início ao Projeto Arqueológico Magdala – um dos mais importantes sítios arqueológicos para os estudos do judaísmo e do Cristianismo na Galileia, região localizada no norte de Israel. A arqueóloga conta que, durante as extensas escavações com sua equipe e mais de 700 voluntários de todo o mundo, foram feitas muitas descobertas interessantes.

Sinagoga Magdala

Descoberta pela Autoridade de Antiguidades de Israel, em agosto de 2009. É uma sinagoga muito especial, já que a “Pedra Magdala” foi descoberta em seu interior, sendo uma alusão ao Templo de Jerusalém. Estando em Magdala (assentamento do século I), às margens do mar da Galileia, é muito provável que Jesus tenha pregado lá, embora não haja evidências arqueológicas para confirmação.

Tanques de purificação

A importância aos rituais do judaísmo, na cidade de Magdala, se evidencia através dos “tanques de purificação” que foram encontrados. “Os tanques usavam água corrente de alguma fonte local e não água de chuva, o que nos faz entender o termo ‘águas vivas’ mencionado na Bíblia Sagrada”, disse o arqueólogo Rodrigo Silva.

Inúmeros registros e trabalhos de conservação, restauração e manutenção foram realizados com o apoio de institutos e universidades. “Graças a essas obras, hoje sabemos que o assentamento de Magdala foi fundado entre 120 a 67 a.C., às margens do mar da Galileia”, comentou Marcela Zapata.

Segundo a arqueóloga, o levante judeu contra os romanos (67 d.C.), ocorreu na época de máximo crescimento urbano em Magdala, quando as cidades de Jotapata e Gamla foram destruídas. “Após a destruição do Templo (70 d.C.) também ocorreram modificações arquitetônicas em decorrência das mudanças sociais e culturais”, revelou.

Tanque de purificação de Magdala

Tanque de purificação de Magdala (Foto: Divulgação/Sítio de Magdala)

Sobre o nome da cidade “Magdala”

O nome Magdala pode ter duas origens, segundo o doutor em arqueologia bíblica, Rodrigo Silva. “Pode vir do aramaico magdalah que significa ‘grandioso’ ou, literalmente, ‘grande lugar’, mas pode vir do hebraico maghdal que significa ‘torre’ ou ‘farol’”, disse.

A região de Magdala era conhecida como o local onde se salgava o peixe. “Logo, é de se presumir que havia uma grande indústria pesqueira ali, que era uma fonte de renda próspera”, disse o arqueólogo. É dentro desse contexto que devemos entender a promessa de Jesus: “Eu farei de vocês pescadores de homens”.

Importância do sítio arqueológico em Magdala

É provável que as primeiras comunidades cristãs andaram pelas ruas da cidade de Magdala. Existe uma corrente forte de pesquisadores que acreditam que a arqueologia está oferecendo as evidências que mostram a veracidade do Novo Testamento, como um documento histórico e não um escrito para fortalecer uma ideologia ou para criar um movimento político. Segundo Marcela “a história e a arqueologia sempre andam de mãos dadas”.

Maria Madalena foi uma prostituta?

Fontes escritas costumam afirmar que Maria Madalena nasceu e viveu em Magdala. Se for verdade, é muito possível que ela tenha se encontrado com Jesus, pela primeira vez, nesta cidade. Sobre a ideia de ela ter sido uma prostituta, é mais provável que seja uma lenda.

“Não temos comprovações históricas, muito menos arqueológicas. Mas, eu não a imagino como uma prostituta e sim uma protagonista. Naquela época, as mulheres não se destacavam e, como ela se destacou, isso pode tê-la feito sofrer muito. E quando ela conheceu Jesus teve a vida transformada”, observou.

“Ela foi sim, uma mulher capaz de confrontar as mulheres e os homens de sua época para mostrar que a vida tinha um sentido maior, valor e dignidade. Ela queria seguir a Jesus, acompanhá-lo e estar perto dele nos momentos difíceis”, sublinhou.

“Penso nela como uma mulher sofredora, que teve dentro de si suas dores e confusões na vida espiritual. Quando ela teve um encontro com Cristo, ele lhe ofereceu transformação e a fez reviver, a fim de esquecer o passado”, frisou.

Marcela também sugere que Maria Madalena poderia ter pertencido a uma família com possibilidades econômicas, com condições de suprir todas as suas necessidades.

Paixão pela Bíblia e arqueologia

Marcela Zapata Meza disse que seu maior sonho, desde os oito anos de idade, era ser egiptóloga e se dedicar à arqueologia bíblica. “Tive o privilégio de trabalhar no Egito e agora, estou vivendo esse sonho, em Israel”, compartilhou.

“Posso dizer que, estando em Magdala, sou uma arqueóloga muito feliz e gosto muito do meu trabalho. Em termos acadêmicos, é muito importante para mim, já que sou a primeira mexicana a liderar um projeto de arqueologia fora do meu país. É uma grande responsabilidade cumprir os padrões internacionais”, explicou.

Além disso, a arqueóloga lembra que grande parte das pessoas que passaram por Magdala são mulheres. “Dos quase mil voluntários que temos, mais da metade é de mulheres. Carregamos pedras e baldes pesados. Magdala mostra muito isso, que a mulher precisa ser reconhecida e respeitada, e também precisa ser entendida como pessoa, e ser levada a sério”, continuou.

Ao longo da história, as mulheres nem sempre tiveram essa possibilidade. “Estar em Magdala, como mulher, é muito representativo para mim. Temos um papel muito importante dentro da sociedade”, finalizou.

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Jornalista e pesquisadora apaixonada pela Bíblia. Desenvolveu um trabalho de "Jornalismo Investigativo Bíblico", é autora dos livros Derrubando Mitos e Apocalipse Investigado. Seus temas envolvem missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análises de textos bíblicos.

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