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Política

Pastor critica PEC 241 e incentiva: “Ocupa Tudo”

Ariovaldo Ramos troca ministério pela militância política

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O pastor Ariovaldo já foi figura de destaque no meio evangélico brasileiro. Defensor da chamada Teologia da Missão Integral, tinha presença garantida na maioria das conferências de líderes organizadas no país.

Durante muito tempo esteve envolvido com a SEPAL e seus livros serviram para influenciar toda uma geração. Foi presidente da Aliança Evangélica do Brasil e da Visão Mundial. Por muitos anos serviu de interlocutor de uma parcela dos evangélicos com os governos petistas.

Contudo, ele parece ter trocado definitivamente o ministério pela militância política. Em um vídeo publicado nas vésperas do segundo turno das eleições, publicou um vídeo onde repete o discurso da esquerda militante do Brasil. Fala de “golpe” contra a “presidenta”, critica Michel Temer e convoca: “temos de tomar todos os espaços, a exemplo do que estão a fazer os estudantes, temos de ir para a rua, temos de ocupar o Brasil agora!… Nosso luto vem do verbo lutar!”

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Parece estranho ver um pastor que já gozou de influência ser reduzido a um “porta-voz para os evangélicos” dos movimentos marxistas. Apesar de toda a desgraça causada pelo bolivarianismo na Venezuela, mantém seu apoio a Chávez-Maduro.

A convocação feita por ele agora é uma crítica generalista da PEC 241, e remete às palavras de ordem do movimento de ocupação de instituições públicas. Além de não resolverem nada, ainda resultaram na morte de um aluno no Paraná.

Seu discurso vago não cita as igrejas, mas demonstra que existe ainda um maniqueísmo ideológico que persiste no seio da Igreja brasileira. O uso dos pronomes “nós” contra “eles” – que substitui o “coxinhas” versus “petralhas” das manifestações de rua – pode confundir parte da população evangélica.

O vídeo chegou às redes sociais e logo foi analisado pela escritora e missionária Bráulia Riberio, da JOCUM. Ela questionou: “Que tipo de arrogância é esta que te torna capaz de se empoleirar em seu Rocinante e decretar que é tempo de abrir guerra contra a sociedade brasileira?”.

O deputado Federal e pastor Sóstenes Cavalcante (DEM/RJ) também comentou a questão. “É a triste realidade da melancolia de todo esquerdista, especialmente por ele ser pastor. A esquerda fez o governo mais corrupto da história do país e quebraram a Petrobrás, Correios e os Fundos de Pensão”.

A postura de Ariovaldo se assemelha muito a de outros líderes religiosos como Leonardo Boff e Frei Betto, que tentam transformar o comunismo em uma “causa cristã”, como se os cristãos precisassem de outra causa além do Evangelho.

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Esse contraste chama mais atenção ainda por que o pastor Silas Malafaia publicou no dia seguinte um vídeo onde explica por que evangélicos não podem apoiar comunistas.

Malafaia X Ariovaldo

Logo no início do governo Lula, no longínquo 2003, alguns pastores se animaram com a possibilidade de mudanças sociais num país tão marcado pela desigualdade como o Brasil.

Faziam parte do Conselho Político Social e Econômico – apelidado de Conselhão – que serviria para ajudar o presidente a tomar decisões. Naquela época estavam lado a lado Silas Malafaia e Ariovaldo Ramos. Mas o tempo se encarregou de mostrar que o discurso populista não iria muito além de promessas.

O “Fome Zero” comprovou ser apenas mais uma peça de marketing e não teve efeito prático nenhum na qualidade de vida da população. Malafaia logo percebeu que fora enganado e se desligou do tal conselho. Ariovaldo, por outro lado, passou a se dedicar cada vez mais à militância.

Com a troca de Lula por Dilma, a maioria dos evangélicos que apoiavam o PT perceberam que a agenda de campanha foi trocada por bandeiras históricas da esquerda, que conflitavam abertamente com os valores cristãos. Veio a Lava Jato e pouco tempo depois o processo de impeachment da presidente, no qual a bancada evangélica teve papel de destaque.

Nesse ínterim, Ariovaldo reclamou várias vezes de Sérgio Moro e defendeu Lula levando vários outros líderes evangélicos a se posicionarem contra a Lava Jato. Curiosamente, não há registro que tenha reclamado das centenas de denúncias de corrupção que envolvem os governos de Lula e Dilma.

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