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Opinião

Apenas uma mente psicopata politiza o dia da dor

Um aviso a você que deseja defender o desarmamento civil de qualquer jeito, em qualquer circunstância: atente-se à sabedoria eclesial, onde se prevê que há tempo para todas as coisas.

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Velório das vítimas do massacre em Suzano
Velório coletivo de vítimas do massacre da escola Raul Brasil, na Arena Suzano. (Foto: Amanda Perobelli/Reuters)


Estamos numa arena política e ideológica. Há uma evidente batalha pela narrativa onde o que vale é estabelecer um pensamento que se torne hegemônico na sociedade. Portanto, o que mais importa para muitos é ter a razão, mesmo que isso seja conquistado ou estabelecido no dia da dor.

Somente uma mente doentia e psicopata politiza sobre a dor humana. Apenas uma pessoa desprovida de faculdades psíquicas ignora o sofrimento alheio para suscitar uma discussão política quando o que se espera num dia como esse – onde infelizmente ocorreu-se um massacre bárbaro e inesquecível de estudantes e funcionários de uma escola em Suzano (SP) – é exatamente um espalhar de manifestações públicas, empáticas, que de alguma forma produzam uma reflexão sobre a dor que nos assola quando menos esperamos e uma postura que se vale da premissa do evangelho que é chorar com os que choram.

No entanto, me parece que alguns já foram subsumidos pela paixão partidário-ideológica, o que faz com que esses só possam vociferar nas redes e na mídia que o desarmamento ou o armamento civil é isso ou aquilo.

Vocês não percebem a doença mental que está dirigindo e coordenando seus pensamentos e ações? Nem nas guerras antigas em Tróia ou na era Viking os guerreiros agiram com tanta insensibilidade, arrogância e imaturidade.

Ver tantos políticos, jornalistas e pessoas comuns politizando e tentando estabelecer um diagnóstico em cima e no dia do massacre – buscando a prevalência do seu viés ideológico – me causa não apenas tristeza e espanto, mas, também, um sentimento de ojeriza. Entendo que isso não é uma expressão de humanidade, e sim de um completo desprezo e desdém pela santidade da vida – o que é simplesmente lastimável.

Um aviso a você que deseja defender o desarmamento civil de qualquer jeito, em qualquer circunstância: atente-se à sabedoria eclesial, onde se prevê que há tempo para todas as coisas.

Não queira falar no dia em que é sábio e prudente ficar calado. Não queira lacrar quando o que se espera de você é uma postura condolente. Na falta de palavras, o silêncio soa bem melhor.

Futuramente, me proponho a produzir um texto que trate deste fato deplorável sob a perspectiva política conservadora, me contrapondo à cosmovisão prevalente na grande mídia e em grande parte dos intelectuais brasileiros, formadores de opinião e comentaristas políticos de que a arma em si é o problema da nossa insegurança pública.

Podemos discutir se o atentado cessou ou se deu início porque profissionais armados, capacitados e em condições de reagir estavam no local do crime ou não. Podemos também refletir se os jovens agiriam se soubessem que aquele local era vigiado pela Guarda Municipal ou por uma Segurança Privada. Ainda abordaremos [em tempo] sobre a questão das leis, do comércio e do tráfico de armas, das políticas públicas na imensidão de quilômetros de fronteiras em nosso país e até da manipulação de dados e da realidade para que a própria narrativa seja imposta, mesmo que ela não se comprove eficaz em nenhum lugar do mundo.

Só que tudo isso fica para depois.

No luto, não debatemos. No luto, não nos dividimos. No luto, nos unimos pelos que sofrem. Que Deus tenha misericórdia das famílias e de todos que viveram esta manhã de horror num ambiente de aprendizado e crescimento pessoal que é o ambiente escolar.



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