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Opinião

Animais bem-vindos, pessoas toleram-se

Atualmente, você lê revistas e jornais, vê televisão e fica impressionado, como os animais são tratados praticamente como pessoas.

Leandro Bueno

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Talvez, uma das mais famosas passagens bíblicas que aprendamos quando nos convertemos é a que está em Gênesis, capítulo 1, versículos 26 e 27, que diz que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus.

Apesar de ser uma passagem muito conhecida pelos cristãos, muita gente não sabe bem o que significa esse ser feito à imagem e semelhança de Deus.

Se analisamos o capítulo 1o, versos 1 a 25, de Gênesis, vemos ali Deus como um ser pessoal, racional (dotado de inteligência e vontade), criativo, governando o mundo que criou.

Por sua vez,  os versículos 28 a 30 mostram Deus abençoando os seres humanos que acabara de criar, conferindo-lhes o poder de governar a criação como seus representantes e delegados, dando-lhe condição de comunicar-se e relacionar-se com outros seres e com o próprio Criador.

Este é o contexto bíblico, quando fala em “imagem e semelhança de Deus”, pois o ser humano, diferente dos outros animais, é dotado de inteligência, racionalidade, criatividade, e com o mandato cultural concedido por Deus, deve cuidar de toda a natureza.

Ocorre que atualmente, a ideologia secular/ateísta busca jogar por terra esse conceito bíblico ou, no mínimo, confrontá-lo, minando-o e tirando o status superior concedido aos homens em relação aos animais, para nos igualar a eles.

É interessante, como essa mensagem  vem sendo incutida na cabeça da população, de forma bastante sutil e paulatina, sendo a forma como os animais hoje são percebidos a maior evidência disso.

Como assim? Hoje eu tenho 43 anos, ou seja, ainda sou jovem e, fico impressionado, com a rapidíssima mudança nas últimas décadas desta percepção, tendo ocorrido uma total modificação na forma como os animais são tratados e vistos.

Atualmente, você lê revistas e jornais, vê televisão e fica impressionado, como os animais são tratados praticamente como pessoas humanas, alguns até com mais direitos e regalias, não sendo raras às vezes de ouvir pessoas dizendo que preferem os animais aos seres humanos, pois os primeiros não dão trabalho.

Até no campo da homossexualidade, os animais são invocados para alegar uma “similitude” com o gênero humano, esquecendo-se que a sexualidade humana possui vários elementos totalmente diversos, como o envolvimento afetivo, a cumplicidade de almas, etc. Para essas pessoas que buscam tecer tal paralelo indevido, aparentemente, a sexualidade se resumiria apenas ao ato mecânico de cópula.

Outro exemplo é o próprio Papa Francisco que recentemente disse que os animais irão para o céu. Procuro na minha Bíblia, e não encontro respaldo nenhum para tal afirmativa. Fica no ar, se uma afirmação como essa não se traduz apenas como mais uma assertiva “politicamente correta” dele, mesmo sem qualquer respaldo bíblico, para ser bem-aceito na agenda global do nosso tempo atual (zeitsgeist).

Isso ocorre muitas vezes, pois se hoje você invoca na nossa sociedade os valores bíblicos, buscam silenciá-lo de toda forma no ambiente público, dizendo que você só pode externar sua fé dentro das quatro paredes de sua igreja.

Ademais, essa tentativa de silenciar os que têm fé se dá também pela invocação de rótulos que não dizem nada, fora de seus conceitos verdadeiros.

Rótulos como fundamentalista, retrógrado, fascista, adorador da época do bronze, etc. Pegue 10 discursos destes “formadores de opinião” auto-proclamados de “progressistas” que fazem sucesso na mídia e verá em 9 deles, o uso cansativo e recorrente destes rótulos a que me referi totalmente fora de contexto. É uma pobreza discursiva impressionante.

Por outro lado, em momento nenhum, estou advogando que animais não devam ser bem tratados, cuidados com afetos, até porque essa é uma das missões que nos foi outorgada por Deus, quando nos deu o mandato cultural sobre tudo o que há neste mundo, para que o governássemos.

Eu, mesmo sou dono de um bulldog inglês de nome Khaled (“eterno” em árabe) e sinto um carinho por ele, que só trouxe mais afetividade para o meu lar e de minha família. Tive que recentemente cuidar dele, até pagando uma cara intervenção cirúrgica, sob pena de que ele poderia ficar cego. Antes de casado, tive uma gata siamesa por anos a fio como bicho de estimação.

Na história da Igreja, temos até um santo católico, o italiano Francisco de Assis, que é visto como uma espécie de “padroeiro” dos animais, tal era a sua intimidade com eles e o amor pelos demais elementos da natureza.

Em resumo, o que busco levantar aqui no texto, é quando uma ideologia ateísta busca esvaziar o sentido de quem é o HOMEM, para reduzi-lo a um nível como o de qualquer outro animal na Terra.

Ou seja, nós, homens, a partir desta ótica, não seríamos nada, além de meros seres, cuja única função neste mundo seria, em última instância, apenas perpetuar a espécie.

O próprio “sentido maior” da existência  não existiria nesta ideologia secularista, sendo que o sentido da vida se resumiria apenas aqueles “pequenos sentidos” que criamos para nossas vidas, nos poucos anos que passamos por esse mundo.

E o interessante é que, em vários ambientes, se você invoca o padrão bíblico ou se insurge com relação a tal banalização da pessoa humana, você é colocado como um ser egotista, vaidoso, alienado e pretensioso, por ver-se de forma superior a outros animais, quando essa nunca foi a intenção bíblica mostrada em Gênesis e em Provérbios 12:10, 1a parte, que diz, verbis: “O justo cuida dos seus animais domésticos”.

É o mesmo que você vê nas pessoas de certos cientistas e pensadores quando invocam que o nosso mundo é apenas um pontinho azul no Universo, para defenderem a nossa total insignificância, como se fôssemos meros “pó de estrelas” no meio de bilhões de galáxias, iludidos com a ideia de um Deus que se importa e se envolve conosco.

Concluindo, que estejamos atentos para essas filosofias e ideologias que vão sendo cauterizadas nas cabeças das pessoas, principalmente os mais jovens (e a internet tem sido um instrumento). ímpar para tal fim), e que acabam por nos fazer frios à realidade da fé.

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