Siga-nos!

Opinião

Andas ansioso?

Que possamos estar descansando em Deus

Leandro Bueno

em

Homem correndo. (Photo by Andy Beales on Unsplash)

O psicólogo Martin Seligman, considerado precursor da Psicologia Positiva, observou, depois de pesquisas, um ponto em comum entre os que relataram uma felicidade duradoura: eles sabiam no que eram bons ou quais eram suas fortalezas e conseguiam aplicar essas características a serviço de algo ou alguém além de si mesmo – a família, a sociedade, a natureza, uma religião. Também eram sociáveis, estavam em um relacionamento amoroso e tinham amigos.

Muito disso estava sentindo fato, eis que ultimamente, observei uma grande perda de rendimentos nas minhas atividades diárias, esquecendo coisas corriqueiras e compromissos, além de haver momentos onde sentia uma ansiedade ou angústia que não sabia da onde vinha.

Comecei a notar isso quando não conseguia terminar nem de ler uma matéria em uma revista, um livro, sendo que a leitura sempre foi o meu maior hobby. Outra pessoa que me alertou muito para isso foi minha esposa, ao notar que mesmo estando todos os dias com ela, é como se eu estivesse longe, absorto nos meus pensamentos, no meu mundo.

Ademais, estava com algo que no inglês, já tem até um nome: FoMO (Fear of Missing Out), ou seja, o medo de estar perdendo algo. Assim, estava sempre checando novas mensagens no Facebook, ia para eventos pensando nos posts para o Instagram com as fotos mais bonitas, rolar a timeline do meu Twitter até que não tivesse mais novidades, etc. E isso me causava exaustão.

Neste contexto, o filósofo coreano Byung Chul Han, radicado na Alemanha, escreveu um belo livro chamado Sociedade do Cansaço, onde aborda muito deste cansaço que estamos vivenciando hoje no mundo. O mercado de palestras e livros motivacionais está crescendo e não mostra sinais de desaquecimento e só nos é ensinado a não parar, não respirar. Algo um tanto adoecedor em um triunfalismo vazio.

E com tudo isso, me lembrei de buscar a Deus mais intimamente, e me lembrei de Filipenses 4, 6-7, que diz para que não andemos ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejamos os nossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Uma medida que tomei e que começou a mudar este quadro para mim foi buscar ter um tempo de oração diária, meditando na palavra. Geralmente, tenho feito isso em um local isolado em minha cidade, onde muitas vezes só se ouve o canto dos pássaros e o barulho do vento. Isso tem me feito extremamente bem.

E lembro-me do que disse Viktor Frankl, um dos precursores do estudo sobre propósito na vida: pode-se tirar tudo de alguém, menos a liberdade de escolher como reagir às circunstâncias – e dar sentido a elas. Ou seja, Deus nos dá a oportunidade de estarmos fazendo um caminho diferente daquele que o fluxo da vida nos apresenta, mas temos que buscar ter atitude, coragem e resiliência, pois a nossa tendência é continuar sempre da mesma forma que estamos.

Por isso, que acredito na sabedoria por trás do shabat, quando Deus decidiu descansar após o mundo maravilhoso que criou. Aquilo simboliza que em nossas vidas, as pausas, as paradas, os descansos são OK também. São parte do ciclo natural, do nascer e morrer e depois ressuscitar. Que possamos estar descansando em Deus. É meu desejo a todos. Amém.

Publicidade