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Opinião

Aborto: um remédio ineficaz para a angústia humana

O que estamos tratando aqui é algo clarividente: a remoção unilateral da vida humana de dentro de um ventre materno.

Maycson Rodrigues

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Esta semana tivemos no noticiário que a primeira turma do STF descriminalizou a prática do aborto nos três primeiros meses de gestação. Então, a mulher que entender que não deve ter o bebê que foi gerado, até a semana 12, pode então procurar uma clínica abortista e realizar o assassinato, digo, o aborto do feto.

Alguém irá se ofender com o meu “equívoco programado” de confundir as expressões “assassinato” e “aborto”, e talvez se motivará a sugerir novas expressões eufemistas do tipo “esvaziar o útero” ou “encerrar a gravidez”, mas, sinceramente, não vai colar comigo. O que estamos tratando aqui é algo clarividente: a remoção unilateral da vida humana de dentro de um ventre materno.

Eu quero nas próximas palavras tratar da questão humana da gestante, que é o grande aio argumentativo pró-abortista, e que não pode ser subsumida da problemática. A mulher nem sempre engravida sob circunstâncias dignas, naturais.

A mulher, nesta era que coisifica gentes e personifica coisas, é sim objetificada e muitas vezes vítima de assédios que redundam em abusos ou estupros. A mulher, nesta sociedade absurdamente adoecida na sexualidade, é uma grande (se não a maior) vítima da degeneração moral e ética do ser humano, e diariamente corre riscos de lidar com a angústia de uma gravidez jamais sonhada, nunca idealizada.

Temos um desafio pastoral sobre muitas mulheres que, diante da angústia do bebê não sonhado no seu ventre, se situam entre a cruz e a espada do aborto ou da gestação completa da criança que, independentemente do que a sua genitora viveu ou não, culpa alguma tem de estar ali.

Mas, se ignorarmos a alma da mãe que sofre – que lida silenciosa e de um modo agoniante com a dor e o sentimento de estar vazia e só, mesmo estando preenchida por outro ser humano que, a despeito de não poder falar, não a deixa sozinha nem por um instante dessas até 36 semanas – incorreremos no grave erro de, pela nossa indiferença, matarmos a esperança da pessoa violentada e duramente oprimida.

A causa do que sofre é uma causa do Reino de Deus e nós nos importamos, pastoreamos, cuidamos e aconselhamos as mulheres que engravidam por razões da violência e truculência do homem desumanizado, desconstruído de sua originalidade por causa do pecado.

Mas, o grande ponto convergente se dá no outro sujeito da questão que também sofre (e muito), que também é humano, e que também clama pelo direito à vida tanto quanto a mulher: o bebê.

Como se dá o processo de um aborto até 12 semanas? A técnica a ser utilizada neste caso é a de sucção a vácuo. Um aspirador até vinte vezes mais potente que um aspirador de pó, efetua o esquartejamento do feto, arrancando-lhe os membros pela força da sucção, que o mata e “limpa” os restos mortais de uma vez. É este o processo que o STF está considerando “prática lícita” na sociedade. A criança de até três meses de vida, na atual conjuntura da coisa jurídica, pode ser morta pela aspiração hostil que a removerá por completo do ventre materno.

Sendo que todos nós sabemos que este é primeiro “avanço” na abordagem da questão pelo nosso sistema político e judiciário.

Então, muito em breve poderemos ter a notícia de que o feto com até 19 semanas pode também ser abortado (até que cheguemos ao feto com até 36 e depois alcancemos a criança no seu pós-parto, pois há uma questão mais profunda em voga na discussão – a questão do instinto humano de esmagar quem quer que nos atrapalhe). E com até 19 semanas, o método é o seguinte [bem mais complexo]: A criança é desmembrada no útero, com uma espécie de alicate que vai cortando membro por membro até que, enfim, é realizado o esmagamento do crânio e a raspagem que remove o que resta.

Acima de 20 semanas, o método é mais bizarro. Melhor não descrevê-lo.

Nem toda pessoa está apta a assistir um processo de aborto, ainda que seja num feto de até 12 semanas. Não há também como não reconhecer que trata-se de matar uma vida humana, e usurpá-la o direito de adentrar à existência e ter uma história que pudesse impactar a sua geração.

Moisés, o líder do Êxodo hebraico, foi gerado mesmo quando havia um decreto faraônico sobre a nação de que todo bebê hebreu macho sofreria um “aborto” se nascesse, ou seja, se o seu processo gestativo fosse completado. Imagina se a sua mãe Joquebede, aos seus três meses de vida, decidisse abortá-lo? Como seria a história da civilização humana? Não seria a mesma, certamente. E Jesus Cristo? Maria também não podia gerá-lo, de acordo com a cultura de sua época, pois engravidou milagrosamente, estando ela virgem. Já pensou se a Maria decidisse pelo aborto do Salvador?

Essas mães romperam com a angústia e geraram os seus filhos. No caso de Maria, jamais se passaria por sua mente ser mãe naquele momento. Deus, no Éden, utilizou a gestação como um instrumento redentivo sobre a humanidade (Gênesis 3:15).

A gravidez é sagrada na cultura do Reino e a mulher é o símbolo da manutenção da vida, bem como a sua multiplicação e perpetuação. A mulher tem um valor incomensurável para Deus, e a criança no seu ventre é digna do Reino dos céus. Temos de considerar estas coisas ao tratarmos do assunto, de modo que não dá para ignorá-lo na nossa cosmovisão.

Sobre o aborto, não tem escolha: ou você será progressista no sentido de tentar empoderar a mulher e dar-lhe a liberdade plena e soberania sobre o próprio corpo, ou você será conservador e buscará a preservação da criança unido ao cuidado pastoral à mulher que deseja o seu aborto, a fim de que ambos tenham o direito à vida garantido.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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