Siga-nos!

Estudos Bíblicos

A nuvem de glória

Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 12 do trimestre sobre “O Tabernáculo – Símbolos da Obra Redentora de Cristo”.

Tiago Rosas

em

Chegamos à penúltima Lição do trimestre em que estivemos abordando desde abril o tema geral O tabernáculo: símbolos da obra redentora de Cristo.

Assim, sem perder de vista que Cristo é o antítipo do tabernáculo, desenvolveremos este estudo de hoje também buscando fazer as aplicações tipológicas da nuvem de glória sobre a pessoa de Jesus Cristo. Com a Bíblia, caneta e papel na mão, mergulhe fundo nos próximos parágrafos!

Leia mais...

I. A coluna de nuvem: a glória divina sobre Israel

1. Quando a nuvem cobriu a tenda da congregação

A nuvem do Senhor esteve com o povo desde a saída do Egito (Êx 13.21-22), e sempre se colocava à porta da antiga tenda do encontro fora e longe do arraial, a partir da qual o Senhor falava com Moisés (Êx 33.7-11). Mas esta nuvem trouxe uma glória especial para o meio do arraial dos hebreus peregrinos quando o tabernáculo fora erguido entre as tribos de Israel, menos de dois anos depois de haverem saído do Egito.

Como está escrito:

“Então a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo; de maneira que Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo” (Êx 40.34,35).

É curioso notar a semelhança entre este relato referente ao tabernáculo com o registro da inauguração do templo construído por Salomão:

“E acabando Salomão de orar, desceu o fogo do céu, e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do SENHOR encheu a casa. E os sacerdotes não podiam entrar na casa do Senhor, porque a glória do Senhor tinha enchido a casa do Senhor” (2Cr 7.1,2).

Embora não se mencione mais a nuvem neste episódio (ao que tudo indica ela já não mais estava sobre Israel em caráter permanente desde os dias em que o povo se assentara em Canaã), há a menção da glória do Senhor preenchendo todo o ambiente e de tal modo irradiante que nem mesmo as autoridades religiosas podiam adentrar ao recinto sagrado.

2. A glória de sua Presença

Na nuvem que pairou sobre o tabernáculo estava a “kabod Yavé”, ou seja, a glória do Senhor revestindo e preenchendo o santuário portátil que acabara de ser construído! Essa glória do Senhor, que no hebraico bíblico é kabod (e no grego neotestamentário é doxa), mas a que a literatura judaica e cristã tem feito costumeira menção como Shekinah, é o fulgor ou esplendor da Presença e da atuação divina.

Richard Gaffin destaca que esta glória divina “geralmente está ligada ao fenômeno da luz ou fogo, às vezes com brilho irresistível e intensidade insuportável, coberta por uma nuvem” [1]. Não à toa os poetas de Israel costumam dizer: “Pelo resplendor da sua presença brasas de fogo se acenderam” (2Sm 22.13; Sl 18.12)

Ainda segundo Gaffin,

a glória de Deus é sua presença manifesta que, sem nenhuma mediação, destruirá suas criaturas, mas que permite expressões de mediação que envolvem uma comunhão mais íntima com ele. No NT, Jesus Cristo é a expressão final e permanente da glória divina (cf. Jo 1.14; 2Co 3.13,14). (…) Nele a revelação da glória divina encontrou sua máxima expressão. Vista por Isaías (Jo 12.41), ela é marcada principalmente pela “graça e verdade” em comparação com a revelação manifestada por Moisés (1.17; cf. 7.18). Dessa maneira, os milagres de Jesus manifestam “sua glória” (2.11) como “a glória de Deus” (11.4,40). (…) Cristo é o auge da revelação da glória de Deus. a sua glória mediada pelo Espírito é a glória da nova aliança (2Co 3.3 – 4.6). [2]

Desse modo, é interessante notar que ainda que se tratasse de uma teofania (manifestação de Deus), a nuvem servia para atenuar o fulgor da manifestação, a fim de que os homens ao vê-la não viessem a ser aniquilados pelo peso da glória de Deus. Afinal, “homem nenhum verá a minha face, e viverá”, diz o Senhor (Êx 33.20).

Assim entendemos também um dos propósitos da encarnação do Verbo divino; é que ao esvaziar-se de sua pujante glória, ele pode, na carne, aproximar-se de suas criaturas, especialmente do homem pecador e miserável, para restabelecer-lhes a plena comunhão com céu. Se Isaías temeu pela própria vida apenas num vislumbre da glória irradiante do Senhor (Is 6.5), e se o apóstolo João caiu como morto aos seus pés diante da visão do Cristo glorificado e glorioso (Ap 1.10-15), quem poderia subsistir diante dos raios de sua glória infinita? Nós não suportamos nem contemplar o sol do meio dia, que dirá Aquele diante de quem o sol e as estrelas perdem o seu resplendor (Jl 3.14,15)?

3. “Glória” no hebraico e no aramaico

Popularmente tem se ouvido tanto pregadores como cantores fazerem referência à glória de Deus em sua expressão máxima como sendo a Shekinah de Deus. Como já dissemos, isto também é costumeiro na literatura cristã, mesmo em obras acadêmicas. É sabido que a palavra shekinah não existe nos textos originais bíblicos, e também nota-se certo abuso no uso da mesma. Infelizmente qualquer “animação” na igreja que provoque arrepio de pelos já é tida como a manifestação da Shekinah.

Tem-se banalizado a referência à glória divina. Não precisamos ser tão rigorosos quanto os judeus místicos que, entre muitas coisas, evitaram mencionar a kabod Yavé, mas deveríamos sim demonstrar mais temor e tremor ao mencionar a glória divina como manifesta visivelmente em esplendor! Se devemos oferecer a Deus um “culto racional” (Rm 12.1) e fazer tudo com ordem e decência (1Co 14.40), então precisamos saber quem Deus é e o que é a sua glória, para lhe oferecermos uma adoração genuína, “em espírito e em verdade” (Jo 4.23,24). Como os sacerdotes que ministravam no tabernáculo, precisamos descalçar os nossos pés ante a majestade divina!

Para explicar o uso da palavra shekinah na literatura judaica e um adequado uso dela na literatura ou adoração cristã, transcrevemos abaixo as anotações do pastor e respeitado exegeta pentecostal Esdras Bentho (fizemos algumas adaptações necessárias para este estudo):

– Sentido etimológico –

“SHECHINAH”, significa “habitação”. Se ainda me lembro bem das aulas primárias de línguas bíblicas, este vocábulo procede do aramaico shekēn, isto é, “habitar”, e refere-se à Habitação de Deus sobre a pessoa, a congregação de Israel, ou objeto sagrado como a arca ou o tabernáculo. A ideia é que Deus “pousava” ou “pairava” sobre algo, irradiando seu kabōd [glória]. Segundo os rabinos, a SHEKINÁH “pairava” ou “pousava” sobre os judeus que oravam ou citavam o Shēma. O termo não aparece nas páginas das Escrituras Hebraicas, sendo, portanto, um vocábulo tardio, próximo talvez da época do Segundo Templo [época de Ageu e Zacarias].

– Conceitos judaicos –

Na literatura midrashica o termo é usado para substituir o Nome divino. Preocupados com o emprego indevido do Nome Sagrado, os exegetas judeus usavam vez por outra o vocábulo SHEKINÁH para substituí-lo. SHEKINÁH referia-se à Presença ou Radiância de Deus, ou até mesmo ao próprio Senhor manifestado. De acordo com a compreensão dos exegetas e místicos do judaísmo, a SHEKINÁH era uma teofania muito frequente no relacionamento entre Deus e Israel. Neste sentido, a manifestação divina a Moisés, na teofania visível e audível da sarça ardente, era a aparição da SHEKINÁH, ou a presença da deidade pairando sobre a sarça. Afirmavam ainda os exegetas talmúdicos que a SHEKINÁH “abraçou” amorosamente a Moisés no monte Sinai, assim como uma galinha aos seus pintinhos.

No período mais tardio, próximo à época do Segundo Templo, a palavra SHEKINÁH foi usada para substituir a linguagem antropomórfica empregada para Deus. Quando alguns aspectos da filosofia neoplatônica foram inseridos na teologia judaica através dos escritores alegóricos e midrashicos, o uso de SHEKINÁH, para referir-se à deidade, foi aliado à expressão Bat kol, isto é, “a Voz de Deus”. Os dois vocábulos foram usados intercambiavelmente, e a distinção entre ambos não está clara na literatura cabalista e talmúdica. Mesmo após a destruição do Segundo Templo, 70.d.C., os judeus entendiam que a SHEKINÁH ainda os acompanhava.

– Considerações Neotestamentárias –

Nas páginas do Novo Testamento também não encontramos qualquer menção à SHEKINÁH, conforme a concepção talmúdica. É possível que o escritor aos Hebreus (1.1-4) tenha usado o termo grego απαύγασμα [apaugasma] (v. 3), “efulgência”, “brilho”, “radiância”, “esplendor” como referência desta manifestação divina no AT. Todavia, a SHEKINÁH fora substituída pela encarnação do Verbo: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Eis aqui a verdadeira SHEKINÁH: nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, encarnado, manifestado em carne, com toda δόξα (doksa) do Pai. Ele é, conforme Hb 1.1-4, a hypóstasis (υπόστασις), a “essência”, a “substância”, a própria “natureza” do Pai encarnada, ou ainda a “impressão”, a “estampa”, a “gravação” – o χαρακτηρ (kharakter) do Pai. Também o Filho é descrito como απαύγασμα, o esplendor do Pai. Esta última palavra, sendo neutra no grego, tem o sentido ativo de emitir brilho, a glória ou a SHEKINÁH que radiava Dele. [3]

II. A Shekinah que esteve presente nas peregrinações de Israel

A primeira menção à nuvem que acompanhou o povo de Israel durante toda a peregrinação no deserto se encontra em Êxodo 13.21-22, onde está escrito:

“E o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite. Nunca tirou de diante do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite”.

Três coisas são merecedoras de destaque nesse texto:

Em primeiro lugar – é dito que o Senhor (Yavé) ia adiante do povo em meio à coluna de nuvem/fogo. Ou seja, aquela não era uma nuvem comum, mas uma verdadeira manifestação divina, um sinal miraculoso permanente que certificava o povo de que Deus estava presente. Visto que a nuvem acompanhou o povo e “nunca se retirou” de diante dele, pode-se dizer que a presença de Deus esteve sempre visível para o povo ao longo da jornada.

Ao mesmo tempo em que é maravilhoso pensar nisso, deve também causar-nos espanto que o povo tenha tantas vezes ofendido a Deus com suas murmurações, idolatrias e toda sorte de pecados praticados bem diante da presença do Senhor manifesta no meio deles! Como puderam não temer aquela espécie de teofania? Como puderam ser tão indiferentes a ela, visto que “todo o povo via a coluna de nuvem” (Êx 33.10; 40.38)? Como bem disse o Senhor a Moisés, “Tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura cerviz” (Ex 32.9). Quando a dureza do coração é tão grande, o homem não teme pecar diante da presença do Senhor!

Em segundo lugar – a nuvem tinha formato de coluna (posição vertical) e embora esse texto pareça sugerir que à noite o fenômeno era outro (“coluna de fogo”), na verdade, tratava-se da mesma nuvem do dia, mas que em meio à escuridão da noite revestia-se de refulgente luz, à semelhança do fogo. O texto de Número 9.15 e 16 deixa isso ainda mais claro:

“No dia em que foi levantado o tabernáculo, a nuvem cobriu o tabernáculo, a saber, a tenda do testemunho. E, à tarde [isto é, ao final da tarde], estava sobre o tabernáculo uma aparência de fogo até a manhã seguinte. Assim acontecia sempre: a nuvem o cobria, e, de noite, havia aparência de fogo”.

Em terceiro lugar – o propósito primordial dessa manifestação divina era dar orientação ao povo hebreu fugitivo do Egito, isto é, “para os guiar pelo caminho… para que caminhassem dia e noite”. Embora o povo pudesse contar com orientações humanas e naturais para se guiar rumo à Canaã (conferir o caso do cunhado de Moisés, Hobabe, que serviu-lhe de guia – Nm 10.29-33), Deus estava sempre presente para dar a orientação inequívoca, não só quanto ao caminho a ser percorrido, mas quanto ao tempo devido para percorrê-lo e as devidas pausas para o descanso. Como está escrito:

“Mas sempre que a nuvem se alçava de sobre a tenda, os filhos de Israel partiam; e no lugar onde a nuvem parava, ali os filhos de Israel se acampavam. (…) E, quando a nuvem se detinha muitos dias sobre o tabernáculo, então os filhos de Israel cumpriam a ordem do Senhor, e não partiam. E, quando a nuvem ficava poucos dias sobre o tabernáculo, segundo a ordem do Senhor se alojavam, e segundo a ordem do Senhor partiam” (Nm 9.17,19-20)

As posteriores gerações piedosas dentre os hebreus compreendiam que fora o Senhor quem orientou seu povo enquanto peregrino no deserto. O Salmo 136 é um convite para render graças e louvar a Yavé, que livrou a Israel da escravidão no Egito e que “guiou o seu povo pelo deserto” (Sl 136.10-16).

III. Algumas lições para hoje

1. A nuvem sobre o tabernáculo não era comum

Três características presentes naquela nuvem demonstram ser ela uma manifestação divina extraordinária, e não um elemento comum da atmosfera: primeiro, a nuvem tinha formato de coluna (ou seja, posicionava-se verticalmente e não horizontalmente); segundo, a aparência era de nuvem durante o dia (talvez em cor branca ou cinza), mas à noite revestia-se de uma aparência de fogo (um verdadeiro espetáculo bem diante dos olhos de todo o povo); terceiro, a nuvem não tinha um movimento uniforme, já que ela parava ou prosseguia em intervalos diferenciados, impossível de ser previsto.

No Novo Testamento percebemos que nuvens extraordinárias também estão ligadas ao ministério de Jesus, como estiveram ligadas ao ministério de Moisés (este um tipo daquele). Por exemplo, no episódio da transfiguração, Jesus foi envolvido por uma nuvem e também a partir da qual o Pai falara, como fora nos dias dos hebreus no deserto (Mt 17.5); na ascensão de Jesus, ele também subiu ao céu sendo ocultado de seus discípulos por uma nuvem (At 1.9); quanto ao retorno de Cristo, é dito que ele virá “sobre as nuvens do céu” (Mt 24.30; 26.64; 1Ts 4.17; Ap 1.7).

Duvido muito que estas “nuvens escatológicas”, vou chamar assim, tratem-se de nuvens comuns que vemos na atmosfera. Até porque Jesus poderá voltar num dia nublado, como também num dia de céu aberto, sem nuvens; poderá vir de dia sob nuvens esparsas, ou à noite sob o céu estrelado. O certo é que ele virá, e virá sobre nuvens extraordinárias, nuvens que irradiam luz, nuvens que ornamentam o cortejo celestial que virá retirar a Igreja desta terra e leva-la à presença do nosso Pai celestial!

2. A nuvem permanecia sobre o tabernáculo

A nuvem de glória não só ocupou o tabernáculo em sua inauguração, como estava constantemente sobre aquele templo portátil durante a longa peregrinação de quarenta anos do povo hebreu. O livro do Êxodo, que abrangeu os dois primeiros anos da saída do Egito, se encerra destacando a nuvem sobre o tabernáculo, quer erguendo-se sobre ele para fazer o povo caminhar, quer repousando sobre ele para fazer o povo descansar (Êx 40.36-38). Mas sempre sobre o tabernáculo!

Se podemos fazer uma aplicação tipológica daquela nuvem, diremos que igualmente Cristo permanece para sempre sobre sua Igreja. Ao discípulo fiel que guarda suas palavras, Cristo promete fazer nele morada (Jo 14.23); aos irmãos da fé que se reunirem em seu nome, Cristo promete estar presente no meio deles (Mt 18.20). Que mui grandiosa promessa nos fez o Senhor: “eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20).

A nuvem de Deus no deserto tinha quatro funções que bem podemos ver em Cristo:

(1) Certificar da constante presença de Deus no meio do seu povo. Igualmente Cristo está presente entre os seus, recebendo a adoração, fortalecendo os corações e guiando os seus passos.

(2) Demonstrar misericórdia e bondade. A revelação de Deus quando em meio aos trovões, relâmpagos, fogo e fumaça fazia o povo estremecer (conf. Êx 19.16-20; 20.18,19), pois para ele “o aspecto da glória do Senhor era como um fogo consumidor” (Êx 24.17). Mas a manifestação de Deus na coluna de nuvem de dia e fogo de noite trouxe quietude ao coração do povo, visto que tal manifestação era um gesto da bondade e misericórdia de Deus para auxiliar seu povo.

Igualmente Cristo não veio a nós trazendo raios e trovões de destruição, mas misericórdia e bondade: “o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (Lc 9.56; Jo 12.47).É certo que haverá um juízo e um castigo eterno, mas somente após se esgotarem os apelos da graça para este mundo e a porta da salvação finalmente se fechar para os transgressores. Até lá, a nuvem da misericórdia e da bondade nos seguirão todos os dias (Sl 23.6; 2Pe 3.7-9).

(3) Dar orientação ao povo. Já comentamos e noutras palavras agora dizemos que a nuvem de Deus era a bússola do povo hebreu. Não se perderiam no deserto enquanto estivessem olhando para a nuvem! Igualmente, Jesus é a direção para os homens perdidos encontrarem a Canaã verdadeira, a Jerusalém celestial! Disse Jesus: “Eu sou a luz” (Jo 8.12), “Eu sou o caminho” (Jo 14.6) e “Eu sou a porta” (Jo 10.7,9). Martin Luther King dizia que os homens conseguiram fabricar mísseis teleguiados enquanto eles mesmos, os homens, andam desorientados. Falta a luz do discernimento, o caminho da sabedoria, e a porta da salvação para eles!

Quem tem luz, encontra o caminho certo; quem anda pelo caminho certo, entrará pela porta e repousará tranquilo! Sem luz, os homens vagueiam nas trevas e tropeçam; sem saber o caminho, os homens se perdem; sem passar pela porta, os homens ficam do lado de fora e se privam de receberem as preciosas dádivas de Deus!

(4) Proteger o povo peregrino. Naquele dramático episódio da travessia do mar vermelho, quando os exércitos do faraó ameaçavam capturar os hebreus fugitivos, nos é dito pelo texto bíblico: “E o anjo de Deus, que ia diante do exército de Israel, se retirou, e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles. E ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era trevas para aqueles, e para estes clareava a noite; de maneira que em toda a noite não se aproximou um do outro” (Êx 14.19,20). A nuvem divina que orientava os hebreus, desorientava os egípcios! Mais um sinal do caráter extraordinário e divino da nuvem.

Cristo também é o grande Protetor da Sua Igreja. Quer através de suas intercessões feitas ao Pai no céu, quer através de seu Espírito que nos foi outorgado, quer através de suas próprias intervenções miraculosas, o bom Pastor está sempre guardando seus cordeirinhos contra os ataques dos maus. Ele já deu sua própria vida para proteger-nos (Jo 10.11,13), e dará todas as coisas que forem necessárias para manter-nos de pé até o dia de sua vinda!

Na longa trajetória da vida, prosseguimos debaixo dessa bendita promessa de nosso Senhor: “edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Aquele que carinhosamente disse a Israel, “não temas povozinho de Jacó” (Is 41.14), também agora diz à Igreja: “Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lc 12.32).

Conclusão

Em face da presença, da misericórdia, da direção e da proteção que Jesus Cristo nos tem concedido, só podemos finalizar este estudo de uma forma: cantando ao Senhor alegremente porque ele nunca nos deixou só.

“Como é maravilhoso,
Pertencer ao meu Jesus!
Ter a graça, o repouso
E ficar ao pé da cruz” [4]

_____________
Referências

[1] Novo Dicionário de Teologia Bíblica, Vida, p. 803
[2] op. cit., p. 804-6
[3] Fonte: http://teologiaegraca.blogspot.com/2008/12/shekinh.html
[4] última estrofe do hino 169 da Harpa Cristã, CPAD.

Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de dois livros: A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira (2016) e Biblifique-se: formando uma geração da Palavra (2018).

Continue lendo