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opinião

A morte da confiança

Como pessoas “de bem” compram as narrativas que lhes interessam.

Alex Esteves

em

Jornal Fake News. (Rawpixel / Envato)

Fake news e teorias da conspiração constituem apenas parte de um fenômeno sociopolítico muito maior e mais complexo, difícil de resumir num artigo como este, mas que o leitor poderá perceber se reunirmos algumas peças – é que uma onda de supostos “conservadores” que apelam aos valores da família, da pátria e do cristianismo tem disseminado mentiras, tolices e teorias estapafúrdias, além de arranjar narrativas e desculpas infundadas para afastar as suspeitas que pesam sobre seus políticos preferidos, os quais teriam a missão de “salvar” o Brasil da ameaça comunista e do império da Globo.

É preciso, antes de mais nada, reconhecer que essa onda pseudoconservadora foi ensejada por uma reação legítima aos desgovernos corruptos e ideologicamente nefastos do PT, havendo razão em questionar a doutrinação ideológica nas escolas e universidades, a ética anticristã da esquerda socialista, o marxismo cultural, a falta de representação política e midiática do cidadão comum e, enfim, a parcialidade da grande imprensa em favor de toda sorte de falsificações do progressismo e seu esquema politicamente correto. Bem por isso, em algum momento se verifica uma interseção entre as críticas dos verdadeiros conservadores e as críticas de reacionários que pensam ser conservadores.

No entanto, é imperioso diferenciar o conservadorismo desse movimento que nada tem de genuinamente conservador, e penso que um dos aspectos mais importantes passa pelo que podemos chamar aqui de “morte da confiança” ou “crise da confiança”.

Com efeito, está em curso uma espécie de síndrome de desconfiança, pela qual cidadãos comuns, políticos e até pessoas cultas ou minimamente bem informadas desacreditam na história, na ciência e na imprensa, enquanto agregam para si uma história alternativa, uma ciência alternativa e uma imprensa alternativa, rumando em busca de uma… verdade alternativa…

É claro que é recomendável ter juízo crítico, consciência crítica, devendo-se avaliar com inteligência o que se estuda num livro de história, o que se lê num artigo científico ou o que se veicula em meios de comunicação. Entretanto, não é de simples questionamento que estamos falando: esses mesmos que fuzilam de críticas a história, a ciência e a imprensa dão crédito a um emaranhado de narrativas forjadas por especialistas selecionados, ao mesmo tempo em que boatos absolutamente desonestos são semeados e absorvidos pelo solo fértil de corações inclinados a frutificar as ervas daninhas da falsificação e da obscuridade.

A prova cabal de que não se trata de mero ceticismo em relação à imprensa progressista está no fato de que simplesmente se substituem fontes de mentiras por outras fontes de mentiras, num contexto de que participam blogueiros do submundo, jornalistas que odeiam o jornalismo, especialistas que gostam de aparecer, políticos oportunistas e gente que pretende se aproveitar com a suposta “onda conservadora”.

Se surge um especialista dizendo o que não convém à narrativa desses reacionários, eles vão correndo buscar a opinião de um daqueles jornalistas “isentos” ou algum artigo de um cientista que anda na contramão. Não lhes interessa a verdade, mas a construção de narrativas, estratégia que denunciavam como sendo própria do marxismo cultural, mas que acabam imitando alegremente. É a isto que chamam de “guerra cultural”: mentir em prol do bem.

Não há nada mais anticonservador do que contender com a lógica e a verdade. Antes de ser ideologia, o conservadorismo é uma atitude, uma disposição, um temperamento, uma inclinação a reconhecer as instituições fundamentais da sociedade, o valor da história, a força do que foi provado pelo tempo e pelas crises da existência humana.

Nessa esteira, o conservadorismo (verdadeiro, não esse embuste que aí está!) valoriza a confiança social, como que num pacto para que a história, a ciência, a imprensa, a família, o direito, o governo e a religião desenvolvam, com alguma segurança, o seu papel, sob os olhos críticos da cidadania.

A seu turno, é muito anticonservador erigir um universo paralelo de falsa história, falsa ciência e falsa imprensa para veiculação de uma ideologia, qualquer que seja, principalmente se ostentar pendores autoritários, antidemocráticos e populistas como os que ora testemunhamos. Recorrer à linguagem cristã para semear mentiras, redesenhar a realidade e promover determinada bandeira política é algo com o que jamais poderei concordar.

Diante disso, o que temos é mais complexo do que nos poderiam sugerir as chaves bastante conhecidas da credulidade ou do ceticismo: assistimos, em nossos dias, à edificação de uma sociedade parcialmente embrulhada num manto que mistura confiança cega e desconfiança que reinventa a roda. É óbvio que isso não pode acabar bem – mas até o conceito de óbvio eles já devem ter revogado…

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Ministro do Evangelho (ofício de evangelista), da Assembleia de Deus em Salvador/BA. Co-pastor da sede da Assembleia de Deus em Salvador. Foi membro do Conselho de Educação e Cultura da Convenção Fraternal dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Estado da Bahia, antes de se filiar à CEADEB (Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia). Bacharel em Direito.

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