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estudos bíblicos

A mordomia da igreja local

Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 5 do trimestre sobre “Tempo, Bens e Talentos”.

Tiago Rosas

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Homem com joelhos dobrados dentro de igreja. (Foto: Pexels / Pixabay)

III. A mordomia dos crentes na igreja local

1. É preciso congregar

Jesus garantiu aos seus discípulos se fazer presente em espírito sempre que dois ou três se reunissem em seu nome (Mt 18.20). Após a ascensão de Jesus, os discípulos se reuniam frequentemente no mesmo lugar (At 1.13,14; 2.1). Era comum os crentes se reunirem em casas, já que ainda não havia templos cristãos, para oração, louvor e edificação mútua (Rm 16.15; 1Co 16.19; Cl 4.15; Fm 1.2). Como toda ovelha deve ter um rebanho e um pastor, e como todo membro do corpo precisa estar ligado aos outros membros e todos unidos à cabeça, assim também o cristão precisa congregar numa igreja local e ser pastoreado!

É um equívoco dizer “A Igreja sou eu”, pois igreja é um termo coletivo (em grego ekklesia, que quer dizer assembleia, os que foram chamados, reunião). Da mesma forma, “Noiva do Cordeiro” é um termo que se aplica somente à coletividade dos salvos em Cristo e que desfrutam de comunhão uns com os outros. É estranho pensar num homem dizendo publicamente “Eu sou a noiva de Cristo” – poderá se fazer alvo de chacota por sua ingenuidade. Nós somos a Igreja! Nós somos a noiva de Cristo! Sempre coletivamente…

A Igreja (com “i” maiúsculo) é um organismo vivo, um corpo espiritual constituído de todos os salvos em Cristo em todo mundo, independente de etnia ou denominação. Antigamente se falava nela como “a igreja invisível”, pois somente Deus vê e sabe quem são os verdadeiros membros desta Igreja em sua totalidade. A esta Igreja estão ligados todos os que professam a fé genuína em Cristo Jesus e vivem em conformidade com sua Palavra. Cristo é o cabeça desse corpo espiritual! (Ef 4.15).

Mas apesar de todo salvo já fazer parte da Igreja, precisa saber fazer parte de uma igreja (com “i” minúsculo), isto é, de uma congregação local onde possa ser pastoreado, instruído e ter seus dons exercitados para glória de Deus e auxílio dos demais crentes. Paulo diz: “Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Ef 4.16). Você é um membro bem ajustado aos outros membros? Você está ligado aos outros irmãos na fé?

Ninguém pode ser crente vivendo isoladamente em sua casa ou nutrindo-se apenas de cultos nas redes sociais (mesmo que por motivo de enfermidade alguém se veja impedido de ir a uma igreja, poderá receber visitas da igreja em sua casa e assim manter-se em comunhão com o povo de Deus). Salomão dizia que o que se isola não é sábio (Pv 18.1), e Paulo falava da igreja que se reúne (1Co 14.26). A própria definição etimológica de igreja sugere ajuntamento de pessoas! Como pode alguém dizer que é igreja e ainda viver longe do ajuntamento do povo de Deus?!

O autor da Carta aos Hebreus, inspirado pelo Espírito Santo exorta: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb 10.25). Observe que o desigrejamento não é um fenômeno novo, pois desde o primeiro século alguns já estavam se acostumando em deixar a congregação. Mas o Espírito Santo nos estimula a permanecermos congregando para mútua edificação. “Oh, quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” (Sl 133.1).

2. Líderes cristãos como mordomos

Deus pôs lideranças na igreja (Ef 4.11), mas nenhum chefe! Não há caciques nem pajés dominando sobre o rebanho de Deus! Imperadores e déspotas não podem ter lugar entre os ministros do Senhor, pois o único soberano sobre a Igreja é aquele que disse “Eu edificarei a minha igreja” (Mt 16.18).

Líderes são mordomos, serviçais, obreiros aos quais o Senhor confiou o cuidado do rebanho. Paulo orienta os que presidem para que sejam cuidadosos (Rm 12.8), e Pedro adverte os líderes das igrejas locais a que não oprimam o rebanho: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1Pe 5.2,3).

Neste sentido, Elinaldo Renovato comenta:

Existem obreiros que, à frente de uma igreja – principalmente se for uma igreja grande –, não têm postura de servos e mais se parecem marajás, presidentes de multinacionais ou com generais! São inacessíveis aos humildes servos de Deus. Para falamos com eles, a burocracia é enorme. Precisamos falar com o secretário, marcar uma reunião, e, muitas vezes o irmão não pode nem chegar perto do líder por questões “de segurança”. Tais pessoas estão precisando fazer parte da “diaconia da bacia e da toalha”. [3]

A referência à diaconia da bacia e da toalha, nas palavras do comentarista acima nos remete ao episódio em que Jesus, sendo Mestre e Senhor, se cingiu de uma tolha, tomou uma bacia e lavou os pés de seus discípulos, deixando-nos exemplo de humildade e serviço em favor do próximo (Conf. Jo 13). A liderança que Deus se agrada é a liderança servidora!

3. A mordomia dos membros e congregados

Embora Deus tenha estabelecido lideranças na Igreja, isso de modo algum implica em que somente os líderes tenham responsabilidades para com a igreja local ou que somente eles deverão prestar contas a Deus. Todos os crentes têm deveres a cumprir, auxiliando seus irmãos na fé e cooperando com seus pastores locais. Como diz uma estrofe do hino 93 da Harpa Cristã,

Para cada crente, o Mestre preparou
Um trabalho certo, quando o resgatou,
O trabalho a que Jesus te chama aqui.
Como será feito, se não for por ti?

A igreja não é como um ônibus, que só um dirige enquanto os outros ficam confortavelmente sentados pedindo parada onde bem entenderem. A igreja mais se assemelha, por metáfora, a um barco de canoagem, onde todos os ocupantes precisam tomar o remo nas mãos e remarem conjuntamente, em sincronia, para que todos alcancem um mesmo fim! Desse modo, pergunto: na igreja, “que ocupação é a tua?” (Jn 1.8). Deus também te entregou talentos, que fazes com eles? Que terás para apresentar ao Senhor quando ele voltar e te pedir contas do teu trabalho?

Conclusão

Que ao término desse estudo possamos todos estar revigorados para servir nossas igrejas locais. É um privilégio fazer parte da família do Senhor, mas igualmente é uma responsabilidade sermos membros da Igreja universal e da igreja local. Descubramos qual a nossa vocação e empenhemo-nos nela! Nunca perdendo de vista nossa mui digna posição: servos de Jesus Cristo e de Sua Igreja!

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Referências
[1] Antônio Gilberto. Teologia Sistemática Pentecostal, CPAD, p. 185
[2] Donald Gee. Depois do Pentecoste, Vida
[3] Elinaldo Renovato. Tempo, bens e talentos…, CPAD, pp. 67,8

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Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros.

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