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estudos bíblicos

A mordomia da alma e do espírito

Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 3 do trimestre sobre “Tempo, Bens e Talentos”.

Tiago Rosas

em

Bíblia. (Photo by Aaron Burden on Unsplash)

II. A mordomia da alma: “o homem interior”

Esperamos que o leitor não tenha perdido o fôlego diante das conceituações do primeiro tópico. Na verdade, essa aula de hoje tem como foco não a tripartição humana (o tema de nossa Lição não é Antropologia, A doutrina do homem), embora esse conhecimento seja importante para estabelecer as bases da mordomia espiritual. O que realmente não podemos perder de vista é o cuidado que precisamos ter para o bem-estar da nossa alma e do nosso espírito.

1. A tricotomia do homem

Os teólogos estão divididos quanto a distinção da alma e espírito. Os que defendem que alma e espírito são entidades distintas do ser humano, porém, inseparáveis, são chamados de tricotomistas, isto é, acreditam que o ser humano é formado de três partes (corpo, alma e espírito); mas os que defendem que alma e espírito são uma única entidade, sob aspectos diferentes, são chamados de dicotomistas, ou seja, acreditam que o ser humano é formado de duas partes (corpo e alma/espírito).

É possível apontar bases bíblicas para ambas as posições (conf. 1Ts 5.23; 2Co 4 e 5); só não há fundamento para o materialismo, que é aquela filosofia que defende que o ser humano é apenas matéria, isto é, um mero aglomerado de células, um amontoado de compostos químico fadados à morte e à destruição, mas sem qualquer entidade espiritual eterna. O materialismo é engodo do diabo! Entretanto, quanto à natureza do homem, se optarmos por uma compreensão dicotômica ou tricotômica não nos fazemos hereges por causa disso, desde que aceitemos biblicamente tanto a realidade do “homem exterior” como do “homem interior” (2Co 4.16).

2. Mordomia da alma

A má administração de cuidados com a nossa alma pode repercutir em danos para o nosso corpo. José Delgado comenta:

Evidentemente existem algumas emoções que são claramente prejudiciais à nossa saúde. Por exemplo, a raiva produz distúrbios nervosos; a ansiedade gera úlceras estomacais; guardar rancor ou ficar remoendo desgostos afeta o fígado. Devemos, então, evitar essas emoções, bem como outras semelhantes, tais como a angústia e o medo. Pelo contrário, deixemos que o Espírito Santo produza em nossa vida o seu fruto abundante e maduro… [4]

O Senhor adverte-nos sobre os cuidados que devemos ter em nossa alma, livrando-nos da ansiedade quanto as provisões futuras para o corpo. A ansiedade neutraliza as forças, antecipa sofrimentos e expulsa a para fazer abrigar a dúvida e o desespero no íntimo do nosso ser. Por isso, Jesus instrui seus discípulos: “Não andeis ansiosos com as coisas da vida…” (Mt 6.25). O apóstolo Paulo também ensina: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Fp 4.6); Pedro igualmente exorta: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.7).

É curioso notar que etimologicamente as palavras alma e ânimo têm a mesma origem na língua latina: alma – anima, que é sopro, ar, vida; ânimo – animus, que é a forma masculina de anima e significa disposição de espírito, vida, humor, força. Uma pessoa animada é uma pessoa com alma avivada, isto é, com vida, com força e disposição; ao contrário disso, uma pessoa desanimada, é aquela desprovida de força de vontade, de alegria, de bom humor.

Estamos vivendo dias em que a depressão e o suicídio têm se disseminado em nosso país como epidemias devastadoras. Infelizmente, muitos estão perdendo o ânimo e lançado suas almas sobre a escravidão da negatividade ou precipitando-se na solidão devido frustrações na vida sentimental, perdas na vida financeira, tribulações na família e outros sofrimentos diversos. Mas como disse a Josué, o Senhor também nos diz hoje: “Esforça-te e tem bom ânimo!” (Js 1.6,7,9). Fortifiquemos nossas almas na graça de Deus! (2Tm 2.1)

O remédio sugerido por Tiago, irmão de Jesus, aos que padecem sofrimentos vários, não é entregar-se ao sentimento de derrota, à clausura e à depressão, mas entregar-se a Deus através da oração. “Está alguém entre vós sofrendo?”, pergunta ele e logo recomenda: “Faça orações” (Tg 5.13). A segunda estrofe do hino 200 da Harpa Cristã, intitulado O bondoso amigo, da autoria do irlandês Joseph Scriven, nos direciona para a oração nestes momentos em que nossa alma está tomada de dores:

Tu estás fraco e carregado,
De cuidados e temor?
A Jesus, refúgio eterno,
Vai com fé teu mal expor!
Teus amigos te desprezam?
Conta-Lhe isso em oração,
E com Seu amor tão terno,
Paz terás no coração

A alma do crente se abate diante das tribulações da vida? Claro que sim. O apóstolo Paulo dizia que somos abatidos, mas não destruídos (2Co 4.9). Como o justo vive pela fé e não pelo que vê (2Co 5.7), então precisamos tomar o exemplo dos salmistas e buscarmos a Deus quando nossa alma sentir o peso do fardo diário (é essa a atitude que vemos expressa no Salmo 42). No mais, para uma mordomia correta da nossa alma, façamos como disse Jeremias: trazer à memória aquilo que pode dar esperança (Lm 3.21; veja na versão Almeida Atualizada).

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Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros.

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