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Vida cristã

“A igreja sempre cresceu em cenários de crise”, lembra pastor

Luciano Subirá fala sobre o papel da igreja em meio à pandemia e o que Deus está dizendo ao mundo.

Neto Gregório

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Luciano Subirá. (Foto: Reprodução / Instagram)

Continuando a nossa série de entrevistas com líderes e pastores de diversas denominações para entender o momento que estamos vivendo, como a igreja deve se portar e o que Deus está dizendo ao mundo, conversamos com o pastor Luciano Subirá.

Luciano Subirá é coordenador do Orvalho.com, um ministério de ensino bíblico interdenominacional. É autor de diversos livros, entre eles “Até que nada mais importe” e “Impacto da santidade” e conferencista nacional e internacional. Pastor há 26 anos, é casado com Kelly e pai de Israel e Lissa.

Para Subirá, o papel da igreja em meio à pandemia de Covid-19 continua o mesmo. “A evangelização do mundo, o cuidado, treinamento, preparação e o envio dos novos convertidos para que estes, por sua vez, façam a mesma coisa e que o ciclo não seja quebrado”, afirma.

O pastor acredita que há “oportunidades ampliadas” para igreja nesse momento. “Tem muita gente fragilizada, chocada em como a vida e o mundo podem mudar de uma hora para outra”, assevera. “As pessoas estão mais vulneráveis à ação do evangelho”, afirma.

“Não deveríamos nos assustar diante de uma crise”, lembra o pastor, mas, mesmo que estejamos “alarmados”, isso pode servir para “um despertamento” espiritual dos cristãos.

O teólogo cita o capítulo 12 de Hebreus e diz que Deus está “abalando as coisas abaláveis para que as inabaláveis permaneçam – o reino de Deus”. Luciano aconselha os cristãos a “ir direto ao ponto e ‘colocar o dedo na ferida'” lembrando aos não-cristãos de se voltarem para Deus nesse tempo de crise.

O que podemos aprender?

Para o pastor, “o formato como vivemos e praticamos igreja sofreu reviravoltas”. Ele acredita que igrejas com grupos pequenos (células) e que se dedicaram a comunicação estão conseguindo, apesar da quarentena, “manter um pouco mais de contato”, outras, por sua vez, “estão completamente desconectadas”.

“As coisas não vão voltar a ser como eram antes”, enfatiza. “Nós vamos aprender a usar melhor as ferramentas que negligenciamos e, que, mesmo depois da crise, vão ser importantíssimas”, observa.

Subirá cita uma analogia que ouviu de um amigo sobre a água e a garrafa de água, lembrando que a água não vence, mas a garrafa de água tem prazo de validade. “O evangelho é o mesmo, mas o formato que a gente decidiu viver” pode ter vencido.

“Há um evangelho sendo pregado que leva as pessoas a confiar demais naquilo que é terreno, em vez de tratar como passageiro”, lamenta.

“Eu acredito que vamos ter uma grande reviravolta na aplicação prática do cristianismo”, afirma e exemplifica que muitas pessoas não estão conseguindo se manter com a família dentro de casa. “A pandemia não trouxe problemas, ela está revelando problemas”.

O que se modificará?

“Precisamos entender que a igreja nunca foi o prédio, o auditório, nem o templo”, diz. Ele ensina que para um cristão primitivo, se alguém falasse em “ir à igreja” causaria uma confusão, porque naquele tempo a “igreja eram os santos, não um local de reunião”.

O pastor defende que “fundamentos como este precisam ser resgatados” e que nesse momento de isolamento e quarentena, nós podemos “assimilar melhor” o que é isso.

Precisamos “trabalhar melhor o conceito de ser igreja” e a maneira como entendemos o corpo de Cristo, afirma.

Subirá cita com entusiasmo exemplos da igreja brasileira onde “muito crente tem ajudado ao próximo” como igrejas distribuindo alimentos, ajudando idosos, fomentando o contato entre empreendedores entre outros.

Para ele, são os relacionamentos que “merecem mais nossa atenção” nesse momento.

Luciano Subirá no The Send (Foto: Renato Lied)

Estamos preparados?

“A igreja sempre se fortaleceu e sempre cresceu em cenários de crise”, ensina. “Mesmo que a gente não se sinta tão preparado para atender um mundo em pânico”, diz, “eu acredito que estamos em condições melhores do que o resto do mundo”.

O pastor cita o caráter comunitário da igreja e a forma como os relacionamentos funcionam em uma comunidade, nos colocando “a frente daqueles que estão sozinhos”. “Me disseram que os crentes italianos estão assustados, mas os não-crentes estão apavorados”, conta.

“Não é que o cristão não sentirá medo”, salienta, mas é que estamos num lugar “que temos recursos para gerenciar nossos problemas”.

“A igreja vai descobrir muitas limitações”, mas também “descobrirá que tem graça e sabedoria do alto” para criar estratégias e “tocar e servir o mundo” em meio à pandemia.

“Nós vamos nos sair melhor do que muitos estão esperando, porque veremos a manifestação da graça e do socorro do alto”, profetiza.

O que Deus está dizendo?

“Deus está tentando chamar a atenção do homem”, afirma.

O pastor cita o episódio em que Cristo vai curar um cego e os discípulos o questionam sobre quem havia pecado – ele ou seus pais-, ao passo que Jesus responde que o motivo maior era para que se manifestasse a glória de Deus.

“A razão pela qual o problema surgiu não é mais importante. Importante é entender como Deus pode gerenciar e reverter algo para que sirva para a glória Dele”, ensina. “Deus está chamando nossa atenção para Ele”, completa.

Conclui citando as aflições vividas pelo apóstolo Paulo que mesmo na fartura ou na necessidade, estava sempre alegre. “Posso todas as coisas… enfrentando a prosperidade sorrindo, mas posso enfrentar a escassez sorrindo”.

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