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opinião

A igreja cristã, sua essencialidade e o STF: “Ninguém detém, é obra santa”

A igreja seguirá triunfando, foi ela a única instituição que viu e continuará vendo a ascensão.

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STF
Fachada do edifício sede do STF (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Em um mundo que já enfrenta todo tipo de adversidade, crises e dilemas, a crise sanitária do novo coronavírus vem agravar toda essa realidade. Estamos convivendo com famílias, pessoas, empresas, escolas, comércio e todo tipo de agrupamento e deles ouvimos a mesma e clássica frase “as coisas estão difíceis”. E de fato estão e, a igreja é parte dessa difícil realidade e, enfrenta também seus grandes desafios, “não está fácil pra ninguém”.

Tenho acompanhado a discussão da essencialidade e sinceramente não acredito que ela esteja diretamente vinculada, nesse momento, à questão de ter ou não celebrações presenciais. Não resta dúvida que ela é essencial, a constituição federal garante essa essencialidade dando a (qualquer uma) o caráter de “inviolável”.

O debate sobre a essencialidade da igreja (fé) tem tomado a mídia, as redes sociais e alcançou o Supremo Tribunal Federal (STF). Lamentavelmente, o rumo que esse mesmo debate tomou não ajudou a igreja a aproveitar essa imensa oportunidade e agir de maneira racional, para não dizer inteligente. Sem querer ser o “inteligente” aqui e, apenas analisando os fatos podemos observar tudo isso por diferentes ângulos.

O ângulo do estado – O estado brasileiro, assim como tantos outros em diferentes partes do globo, estava despreparado para agir adequadamente e enfrentar a pandemia. No caso do Brasil claro ainda mais despreparado. Tudo se agravou pelo oportunismo político – partidário que transformou a pandemia em um campo de batalha no âmbito municipal, estadual e federal entre governistas e oposicionistas. Além disso, a endêmica corrupção eclodiu mais uma vez e os aproveitadores se “lambuzaram” usando a expressão de minha terra, buscando tirar vantagens sobre a população indefesa.

A classe política se dividiu entre aqueles que insistiram em minimizar a crise e a doença em si e do outro os que a supervalorizam buscando os dividendos ($) recebidos da união e as liberações de editais onde se faz ser desnecessária as licitações. Assim se abriram as porteiras para o descaso e a corrupção e, ao que parece, os números foram e são mascarados e os registros de causa mortis dados como covid 19 quando pessoas morreram de outras causas vem sendo noticiados por familiares. O Estado sabe, mas ao que parece, não quer lidar coma situação, como se faz necessário, por não ser interessante para ele. A pandemia passou a ser uma ferramenta de poder e manipulação.

O que me incomoda não são os decretos que limitam a presença na igreja, mas sim os dois pesos e as duas medidas que são colocadas pelos governos. Na paraíba por um tempo tudo estava aberto e liberado, mas as igrejas estavam fechadas, em Pernambuco mantiveram as concessionárias de veículos abertas e fecharam as igrejas e ainda se ouviu em grande audiência, um secretario de estado dizer: “todos tem o direito de comprar seu carrinho”. Sem falar nas eleições municipais onde candidatos aglomeraram multidões e depois, todos vimos os números crescerem vertiginosamente.

O ângulo da mídia – dificilmente há no Brasil, quiçá no mundo, uma mídia isenta de interesses de todo tipo. Sim, acredito nas exceções, que no meu entendimento são raras. No Brasil, salvo essas exceções, a imprensa televisiva é um desastre, os noticiários servem de instrumentos manipulativos a uma população desinformada. Os noticiários fazem questão de mostrar os detalhes do sofrimento dos indivíduos que mais parece uma sessão de cinema de tragédia, chamando assim a atenção da população e gerando pânico. Isso mantem a população ligada e gera audiência que é o que a eles importa.

O ângulo da Igreja – A igreja, como já dissemos é essencial à população, sim é, mas também não é nenhuma novidade que a sua essencialidade não está, apenas, nas celebrações presenciais. Essas são a assembleia dos santos, lugar e momento em que a comunidade da fé acontece com intensidade e o conselho do escritor da carta aos hebreus em um contexto de guardar a fé é

Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia. Hb 10:25

Esse momento é sagrado e vital para a manutenção da comunidade da fé. No entanto, a igreja e nós cristãos precisamos pensar estrategicamente e nos associarmos a todos que, de boa fé, estão dentro dessa batalha contra essa enfermidade. Ao longo da história a igreja sempre atuou com sua presença nas calamidades, pandemias e em situações em que a sociedade demandava a presença de uma voz e ação de misericórdia. Essa natureza é intrínseca da igreja de Jesus Cristo desde os primeiros séculos em que os cristãos eram conhecidos por serem aqueles que cuidavam dos doentes das enfermidades mais graves quando ninguém se dispunha a cuidar.

Acredito que é hora de, de como igreja, sermos esse braço de misericórdia, essa presença de amor e cuidado e exemplo para todos. Não vejo com simpatia a entrada da igreja em “brigas” intermináveis e com insistência solicitando a abertura dos templos para as celebrações presenciais. Vamos acordar para o fato, para a realidade, as pessoas estão morrendo, estão passando fome, a crise alimentar se avoluma e a presença da igreja precisa ser para mitigar essa dor dos enlutados e dos necessitados.

Se, como igreja seguirmos sendo o braço de misericórdia, se como cristãos, independentemente de bandeira denominacional, nos debruçarmos em servir, atender, aconselhar, consolar, criar campanhas de ajuda emergencial, levantar alimento, sermos voz ativa em meio a toda essa turbulência que vivemos e, nos preocuparmos menos comas celebrações presenciais, acredito que ajudaremos muito pois somos a maior força voluntária do planeta.

A Igreja, de maneira geral, perdeu quando levou um apelo ao STF para a liberação das celebrações presenciais. Perdeu porque deu voz a um tribunal laico, desvinculado da vida eclesial, com suas próprias prioridades e interesses. E essa voz foi quase que uníssona de críticas às igrejas. Demos assim a oportunidade aos “gentios” julgarem os “justos” e nos darem lições de como agir em cadeia nacional.  A igreja, nas palavras de um pastor amigo, “foi achincalhada na suprema corte do país porque políticos e “pastores políticos” vendem a alma por poder a mamon… a noiva não merece isso, Jesus está chorando novamente”

Nas nossas igrejas, temos seguido os protocolos e realizado celebrações presenciais dentro de todas as normas sanitárias, o número de fiéis presentes foi drasticamente reduzido, investimos em transmissões on line e estamos seguindo na missão. Mas, é fato que sentimos muita falta de estar na igreja local cheia de irmãos e irmãs, sentimos a falta do abraço amigo, da oração presente, do compartilhar olhando nos olhos… nada disso é o ideal mas talvez seja a nossa contribuição no momento Não podemos virar as costas e negar a realidade que estamos vivendo.

Creio que é tempo de sermos mais solidários e deixarmos esse “espírito cruzado”, essa mania de enxergar em tudo a sombra da perseguição. A igreja seguirá triunfando, foi ela a única instituição que viu e continuará vendo a ascensão e a queda dos impérios, reinados e governos…

Como diz o hino: “Ninguém detém, é obra santa”.

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Arcebispo e primaz da Igreja Anglicana no Brasil, bispo da Diocese de Recife e reitor da Paróquia Anglicana Espírito Santo (PAES); Tem Pós-Graduação em Teologia e Engenharia de Pesca.

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