Siga-nos!

Estudos Bíblicos

A idolatria do outro

Como diz Tim Keller, “um ídolo é qualquer coisa que você procura para dar a você aquilo que apenas Deus pode te dar”.

Maycson Rodrigues

em

Conheço o sentido prático do amor e serviço ao próximo. Não sou de divulgar o que minha mão direita faz – prefiro que a esquerda continue sem saber (quem tem olhos para ler, que leia) –, porém posso te garantir que sou um defensor da funcionalidade essencial da Igreja de Jesus sendo na direção do Grande Mandamento (amar a Deus e ao próximo como a si mesmo), e isso sem deixar de cumprir, sumariamente, a Grande Comissão (ir e pregar o evangelho, a fim de reunir discípulos de todas as nações).

No entanto, vejo que muitos cristãos se confundem nesta compreensão bíblica e acabam misturando missão com serviço, ignorando assim a necessidade de primar-se a glória de Deus em toda a missionalidade, a fim de que ninguém, absolutamente ninguém mais receba o louvor do que se produz no Eterno. Somos chamados a anunciar e servir, e anunciar é uma coisa e servir é outra – interpretar que uma coisa é outra, para mim, é comprometer a Grande Comissão, pois a fé vem pela pregação da Palavra e não pelas boas obras.

Leia mais...

O que estou querendo afirmar é o seguinte: se Deus não é glorificado no meu serviço ao outro, então este meu ato de servir torna-se numa ofensa ao próprio Deus. Permita-me avançar na reflexão.

O outro deve ser, para mim, sobretudo, um meio para que a glória de Deus se espalhe no mundo e não um fim para que eu me locuplete espiritualmente. Se eu amo ao próximo sem que este amor seja canalizado por Deus [de Deus – em mim – ao outro], isto significa que meu suposto amor é carnal e idólatra; algo pecaminoso, que nem deve ser compreendido como ‘amor’.

Tudo o que remove a prerrogativa última de Deus em tudo de mim e no que produzo é idolatria. Se eu faço qualquer coisa que não seja para a glória de Deus, então tal coisa que faço é engano e futilidade espiritual. E essa geração é a mais fútil – espiritualmente falando – dos últimos tempos, pois tudo se resume a uma coisa: a promoção de si mesmo.

Não se exalta mais o Espírito que ilumina a causa, mas sim a causa que norteia a ação do homem. A ação, neste contexto, é apenas produto de uma espiritualidade sem cruz, sem temor, sem obediência, profundamente relativista, seriamente secularizada e esvaziada de um contexto devocional.

Esta reflexão não está sendo provocada para corroborar a covardia de alguns irmãos que podem servir alguém e tentam utilizar de falsas justificativas bíblicas para deixar de fazê-lo. Esta reflexão está sendo provocada para provar que não se deve servir de qualquer maneira, mas conforme a verdade do Evangelho – ou seja, em e para a glória de Deus, sobretudo e sempiternamente. E se você serve ao próximo com o fim na glória de Deus e pela dependência da mediação de Cristo entre você e o objeto do seu amor que se materializa, não vai se incomodar com nada do que foi escrito.

Como diz Tim Keller, “um ídolo é qualquer coisa que você procura para dar a você aquilo que apenas Deus pode te dar”. Guardemos o nosso coração para que ninguém – inclusive o outro ou nós mesmos – venha a assumir o lugar em nós que pertence somente ao Deus Triúno.

Isto posto, tenha muito cuidado para não achar feio tudo o que não é espelho.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

Continue lendo