O Exemplo do “Costela”
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“COSTELA” apareceu na porta do condomínio há alguns dias. Manco, cauda cortada e infeccionada, quase cego, magro de dar dó, meio pele meio osso, todo sarnento. Com pouco tempo ganhou o carinho do pessoal e, claro, um nome que tinha tudo a ver que aquele trapo mal cheiroso. Acho que não preciso falar que “COSTELA” é um cão, não sei de que raça, se é que ele tem alguma linhagem, mas não deixa de ser um cachorro. No princípio os moradores até ficaram com receio de que ele pudesse incomodar um pouco as pessoas que, com medo de serem atacados, não se aproximariam. Mas, coitado, “COSTELA” estava abatido e tão definhado que mal conseguia abrir a boca para latir… Em pouco tempo transformou-se no centro das atenções na portaria!
A turma então começou a cuidar dele, deram água, “restos de comida” e forram alguns “jornais” para que ele pudesse deitar. Isso manteve o bichinho ali na entrada principal. Se manteve lá por um bom tempo com grande parte dos seus problemas, ele já se achava! O rabo cortado, mesmo ferido, não para de se jogar de um lado para o outro. Num belo dia o bicho tentou atravessar a rua num horário de muito movimento. Resultado, quase foi atropelado, coitado. Voltou, todo trêmulo e assustado, deitou no jornal e de olhos arregalados observava tudo ao redor. Na portaria, bem ou mal, ele estava sendo tratado. Se a comida era boa ou ruim não importa, pelo menos ele a tinha todos os dias. Na realidade, o “COSTELA” precisava sim de um bom veterinário, banho, remédios, tosa e boa comida. Além é claro de tratamento “imediato” para sua “cegueira”. Mas para ele, acho que já no fim da vida, tudo estava bom…
E na igreja, quantos são aqueles que têm a Síndrome do “COSTELA”? Estão cegos, mancos, sarnentos, sujos e desorientados. Muitas vezes estão tão “cegos” que sequer vêem os demais sintomas inerentes ao seu estado. Estão cegos pelo orgulho, pela arrogância, pelo desejo de se ter as maiores e melhores bênçãos aqui, neste mundo. Estão cegos, algumas vezes, pelas mentiras que lhe são impostas, pelos falsos mestres e falsos profetas. Não querem estar cegos, mas estão. Ah! Ia esquecendo! Tem aqueles também que querem se fazer de cegos para assim, conduzirem outros cegos. O pecado cega, a vaidade cega, o orgulho cega, a ambição cega, a prepotência cega, o engano nem se fala!
E os capengas? Alguns se acham mancos por “lutarem com Deus”, assim como Jacó, mas na realidade estão mancos pelo pecado. A iniqüidade lhes pesa tanto que nem sequer conseguem se manter equilibrados, eretos e o peso desce às pernas, que não suportam o esforço. Outros “foram feitos mancos” intencionalmente por seus líderes, que de tanta “cajadada”, acabaram saído feridos. Bom, se as cajadadas forem ao menos para conduzí-los ao caminho certo, o “CAMINHO DA SALVAÇÃO” em Cristo, eu prefiro entrar manco no Céu a ir para o inferno perfeito. O duro é acreditar que muitos mancos estão nessa condição por “cajadadas erradas”, dadas por “Pastores” acostumados a lidarem com “LOBOS” que os conduzem ao engano e à perdição.
A sarna, a sujeira e o mau cheiro, na Síndrome do “COSTELA” é evidente, é novamente ele, o pecado sendo exposto e não há como não perceber os seus estragos. Quantos crentes têm se envolvido tanto com este mundo, tomando a forma dele, que carregam consigo as sarnas e a sujeira que este oferece? Muitos estão em adiantado estado de “DECOMPOSIÇÃO ESPIRITUAL”. Quantos líderes, na ânsia de serem cada vez maiores e melhores têm-se afogado nas entranhas deste mundo perverso, acreditando e pregando valores deturpados, trazendo para o seio da igreja coisas abomináveis a Deus? Quantos “COSTELAS” estão sendo mantidos nos condomínios de fé em nosso Brasil! E o pior, a doença é transmissível. Se você se aproxima de um animal ou uma pessoa com “SARNA”, passa algum tempo com ele, as chances de ser contaminado são altíssimas. Quantos líderes, ou mesmo irmãos, sem saber que estão contaminados, tem infectados outros tantos com a “SARNA ESPIRITUAL”? Do ponto de vista de solução a situação é complicada.
Tem também aquela classe de crentes que, assim como o cãozinho, se “contentam” com qualquer coisa que lhes oferecem. Não precisa ter qualidade, não precisa ser bom, nem ao menos precisa ter sabor, basta ter algo que lhes encha o estômago, está bom. Ainda que em pouco tempo depois vão sentir fome novamente, mas se tem algo para comer, está de bom tamanho. É a famosa história: “tá ruim, mas tá bom”. Deixa estar para ver como fica! Não reclamam, não exigem, não discutem, não buscam coisas novas, nem tão pouco, comida saudável… Se alimentam das sobras, dos restos, do despojo que, em muitas vezes, está estragado. A acomodação e a convivência os fizeram se sentirem satisfeitos com a situação! É o “COMODISMO RELIGIOSO”…
O duro é que em alguns casos eles são tratados, e muito bem tratados, estão revitalizando, ganhando forma novamente e do nada acham que estão bons de fato, acham que já podem caminhar com as próprias pernas, que podem atravessar a rua movimentada. Abandonam tudo e vão lá num ato de aventura, fazer a tentativa! Não é difícil quebrarem a cara, serem até mesmo atropelados. Bom é quando, assim como o “COSTELA”, reconhecem que “não estão aptos”, que não são nada, e voltam. Retornam para os pés de Jesus, para os braços do Pai, para o Refúgio eterno. O péssimo é quando, mesmo atropelados e feridos, ainda que em estado convulsivo, querem seguir adiante. Foram curados, lavados, tosados, mas a “CEGUEIRA ESPIRITUAL” persiste. O que será destes?
Louvado e exaltado seja Deus pelo fato de que assim como existem bons “VETERINÁRIOS” para cuidar do “COSTELA”, Jesus Cristo, Médico dos médicos, está pronto para nos socorrer e nos curar. Entreguemo-nos em Suas mãos, sabendo sempre que é Ele mesmo quem nos mantém em pé, livres das sarnas deste mundo, clamando sempre, por Sua misericórdia, para nos curar de toda cegueira. Ele é fiel e nos ajudará, sempre.
Carlos Roberto Martins de Souza
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